terça-feira, fevereiro 21

As crianças são o amanhã!

As crianças são o amanhã… são o futuro e são muitas outras coisas que nós, os adultos, dizemos porque fica bem. Mas as crianças que são isso tudo são no melhor dos casos as nossas. Os nossos filhos, irmãos, sobrinhos, primos, filhos dos amigos… aqueles seres pequeninos por quem, por um motivo ou outro, nutrimos carinho. Ficam os outros. Não é minha intenção fazer, neste blog, uma homenagem (muito sentida, mas também já muito vista) ao famoso (e infelizmente muito frequente) “menino de rua”. Não que não ache que esses meninos e meninas não o mereçam. Antes pelo contrário. Queria pôr-te a pensar… Fazer um pequeno exercício de “troca de papéis”

Ponto 1.

Volta atrás. Lembra-te de como eras quando tinhas… nove anos.
Lembra-te da tua cidade, da tua casa, dos seus cheiros e sabores. Lembra-te dos teus pais, tios e avós. Lembra-te das brincadeiras com os primos e os vizinhos. Lembra-te de tomar banho de chuva, de fazer tudo aquilo que os kotas não queriam que fizesses. Ser criança é mesmo assim! Lembra-te da tua escola, da professora, das “tarefas”. Lembra-te dos fins-de-semana, da praia.
Agora lembra-te dos medos que tinhas na altura. Da régua se não soubesses a tabuada, que te apanhassem a beber água da torneira, do escuro e do papão… Podes até nem te lembrar disso mas quase de certeza que tinhas medo de perder os teus pais. Todas as crianças têm!

Agora imagina que todos os teus piores receios se tornavam realidade. Perdias os teus pais ou até toda a tua família, aliás, assistias às suas mortes. Vias a tua casa ser destruída por obuses e todos os teus brinquedos cheios de sangue de pessoas que amas. A tua escola também tinha sido destruída e a tua professora desapareceu, juntamente com a maior parte dos teus amiguinhos. A água da torneira que antes não te deixavam beber era agora quase uma raridade e nem sequer havia luz porque os postes tinham sido destruídos também… E tu… que sempre tiveste medo do escuro… nem sequer tinhas a tua mãe para te dar colo. Claro que tinhas fome, mas não havia comida. Aliás, não havia nada. Havia a roupa que tinhas no corpo e a destruição que tinhas na mente.

Se fores rapaz, lê a alínea a), se fores rapariga lê a b)

a) Como já sabes andar e ainda te restam duas mãos, entregam-te uma arma. Não era bem o que tu querias mas é a única forma de conseguires algo para matar a fome e alguma protecção. Não tinhas outra escolha. A tua recruta é feita in vivo e a cores. Ou melhor, a cor. O vermelho do sangue! Logo tu que nunca foste de brincar às guerras. Mas é mesmo assim, há que matar para não ser morto. É dura a vida. Por muitas vezes quase que morres e chegas mesmo a desejar que isso aconteça, no entanto sobrevives. Sabes e sentes que já não és o mesmo menino, que agora te acompanham o espectro de todos os corpos aos quais retiraste vida. Baixinho, rezas para que os Deuses te perdoem e entendam que só fizeste o que tinhas de fazer. Um dia consegues fugir e chegar a um campo de refugiados. Tu, os “vícios” que adquiriste para conseguir sobreviver neste “mundo cão”, o teu sofrimento e os teus traumas. (Passa para o ponto 2)

b) O mais provável é seres violada vezes sem conta por vários homens. Se não morreres num desses episódios, vais-te arrastando. Tu e as outras crianças, mulheres e velhos que se arrastam, a si e às suas poucas bikuatas, naquilo que se pode considerar a versão moderna do exodus. Como só tens nove anos não corres o risco de engravidar mas podes sempre contrair SIDA. Como não tens acesso a medicamentos (nem a comida sequer…), adoeces facilmente. Mas vamos lá ser bonzinhos e considerar que não contraíste SIDA nem morres de nenhuma outra doença, de fome ou de exaustão. Consegues assim chegar a um campo de refugiados. Tu, os “vícios” que adquiriste para conseguir sobreviver neste “mundo cão”, o teu sofrimento e os teus traumas. (Passa para o ponto 2)

Ponto 2.
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No campo de refugiados
No campo de refugiados até que se vive melhor mas inevitavelmente as dificuldades continuam, não há comida para todos, não há medicamentos para todos, não há espaço, não há condições básicas. Não há nada que chegue para todos. Diz-se que há aviões e camiões a trazer comida mas tu não vês nada. A única coisa que vês é a fome. És muito jovem mas já aprendeste que a fome tem cara. Tem a tua cara e a cara dos que te rodeiam!!! Entretanto fizeste amigos, criança é mesmo assim, sociável por natureza. Os teus amigos são a única família que tens. São outras crianças órfãs como tu! Decidem ir para a cidade onde têm família. Onde cabe um cabem dois. Sempre foi esse o espírito da nossa gente por isso partes com eles.

Ponto 3.
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Na cidade
Finalmente chegaste! Todas as esperanças ganhas ao longo da caminhada da tua (pequena) vida, rapidamente se desvanecem. A tua terra está longe no espaço e longe na memória. Sentes que foi tudo há tanto tempo, muito aconteceu, já não sabes distinguir o que é verdade e o que é imaginação. Certamente que esta cidade grande não tem nada a ver com a tua pequena terra mas também, quem viu guerra vê tudo. Sentes-te um pequenino/a guerreiro/a. Alguns conseguiram encontrar família mas tu continuas sozinho. Sozinho não, com os outros meninos “refugiados de guerra”. Dentro da vossa vaga noção de organização social lá se vão desembaraçando e criam grupos relativamente bem organizados. Não há comida pois não? Não… E o que é que tu, que lês, fazias se tivesses fome, muita fome, nove anos, nenhuma educação, poucos valores, muita revolta, tristeza e alguma maldade? Roubavas, não é? Tu talvez sim…

Mas não, o meu “menino de rua”, o meu “refugiado” não rouba. Ainda é uma criança e apesar de lhe terem arrancado a inocência característica, tudo o que viu e ainda o fez ter ódio, tem noção, ainda que parca do bem e do mal. Então decide ir pedir esmola. No fundo sente que a sociedade tem obrigação de o “compensar” e de ser, em parte, responsável por ele/a.
A sociedade, no entanto, não acha nada disso. Nós, ainda que inconscientemente, achamos que “esse bando de marginais não são maka nossa, que o governo é que devia olhar por eles ou então mandá-los para os kimbos deles…”
“- Onde é que já se viu uma pessoa nem poder andar na rua sem ter esses aí a chatear… ah porque o meu kota dá só pão, ah porque minha tia dá só dinheiro”.

Agora fecha os olhos. Pensa na criança que mais gostas. Pode ser o teu filho, o teu irmão ou uma outra criança qualquer. Imagina-a sem pai, sem mãe. Imagina-a sem família, sem casa, sem terra, sem rumo… Imagina esse pequenino que sempre foi guiado, a ver-se de um momento para o outro, sem guia e cercado de ódio, de medo, de terror. Imagina o teu pequenino sem comida e sem água, só com fome. É duro imaginar né!!? E as nossas crianças que são educadas com valores, com o mínimo indispensável, sem tantas privações…muitas tornam-se adultos maus, sem escrúpulos, agressivos… O que é de esperar destes meninos e meninas, que vão ser dentro de poucos anos os adultos angolanos? O que é de esperar deste país?

Não quero ser propagandista, dizer coisas muito bonitas sem resultados práticos… O que eu queria mesmo era que as crianças tivessem tanta importância em Angola como tem o petróleo, os diamantes, as fortunas que se acumulam… Não porque são pequeninos e “tudo o que é pequenino é bonito”, nem porque cai bem dizer isto… Apenas porque o futuro de Angola não é só o petróleo e os diamantes, o futuro de Angola também são as crianças. Assim, na próxima vez que uma criança te pedir alguma coisa, não digas logo “não tenho nada”, pensa nisto e lembra-te que tens sempre algo, nem que seja um bocadinho de ti!
Entendo que perpetuar a “esmola” pode também perpetuar o recurso à mesma, tornando-se num ciclo vicioso. Mas, já que não há muitas alternativas a isto acho que por enquanto é nosso dever, até encontrar alternativas…

Se tiveres alternativas, aceito sugestões para mudar qualquer coisinha… Talvez sozinha não consiga fazer muito mas se nos juntarmos, talvez possamos juntos encontrar uma solução!

“O importante não é mudar o mundo, é mudar um bocadinho dele.”

Sara Carmo
Shara

domingo, fevereiro 19

"Os angolanos, como todos os homens, são seres polígamos e pulam a cerca"

Entrevista com a ilustre jornalista, Amélia Aguiar que não sendo sexóloga teceu uma opinião bastante interessante e isenta sobre a realidade actual da sexualidade angolana.

Clicar aqui para aceder a entrevista.
Fonte:
Angonotícias

quarta-feira, fevereiro 15

Investir em Angola... obstáculos...

Sou um Angolano branco que nasceu em Angola em 1973, que como muitos outros foi parar a Portugal por via dos acontecimentos de 1975 e que mais tarde voltou à sua terra para viver os últimos anos do regime comunista. Mais tarde parti para os EUA onde vivo desde há vários anos. Como resultado, hoje sinto-me um cidadão de três pátrias e de três culturas diferentes. Nenhuma quero perder pois todas me ensinam algo. Tenho sido bem sucedido até ao momento e nada me falta na vida. Uma parte do meu bem-estar vem do trabalho que faço dia a dia, uma outra parte é uma herança do apoio que durante a infância recebi da minha família também ela espalhada pelos cantos do mundo.

Durante alguns anos vivi um pouco “mentalmente” afastado de Angola muito porque estava 100% concentrado em aprender uma língua e uma cultura nova aqui nos EUA. A vontade de vencer era mais forte do que o pensamento nostálgico normal nestas circunstâncias, apesar do bichinho da saudade nunca me ter largado. Há já algum tempo que atingi um patamar que me permite ligar o “piloto-automático”, mas não demorei muito a sentir que me faltava algo.

O sofá onde me sento é um conforto, a comida que como é bem saborosa, o meu carro não é de grande marca mas até os assentos têm aquecimento (essencial em certas zonas dos states), os meus colegas do trabalho são como família para mim… mas por dentro sinto que todo este conforto não me completa e sinto uma vontade enorme em fazer algo por Angola.

Estou consciente de todas as dificuldades que Angola ainda atravessa, da corrupção à burocracia, da fraca qualidade dos serviços de saúde aos perigos da criminalidade, do lixo na rua ao trânsito caótico nas ruas da capital, da fome ao analfabetismo. No entanto preparei-me mentalmente para “saltar” por cima de todas estas adversidades e de seguir em frente custe o que custar. Para mim será bem mais fácil do que para muitos Angolanos pois não só tenho hipóteses de passar ao lado de muitas destas adversidades, tenho também a sorte de ter uma rede onde cair em caso de “desastre”. Não acredito que seja necessário acabar com todos os males para que se comece a trabalhar e fazer algo de novo. Se assim for, então o futuro próximo muito pouco trará de progresso para Angola e já nem a minha geração terá hipóteses de ver e viver uma Angola melhor. Se estivermos à espera que se acabe com a corrupção antes de avançar-mos, então nem vale a pena perder tempo com estas ideias de progresso. Enquanto vamos apontando os males ainda existentes, mesmo que seja sempre a carregar nas mesmas teclas, há que avançar e por em prática, ideais e projectos. Com coragem e determinação.

E foi assim que arregacei as mangas e comecei a por uma das minhas ideias em prática já lá vão alguns meses. Mas… nem precisei de ir fisicamente a Angola para esbarrar logo no sistema de bloqueio Angolano. Este sistema é todo o conjunto de atitudes que engloba a maioria dos males a que me referi no parágrafo anterior. Pensava eu que os representantes do governo de Angola que aqui em Washington, Nova Iorque e Houston, e que estão supostamente responsabilizados em atrair e apoiar possíveis investimentos estrangeiros, seriam a minha auto-estrada para Angola. Enganei-me. Enganei-me redondamente. Três organizações contactei, três derrotas sofri.

O US-Angola Chamber of Commerce (não governamental) só está disposto a ajudar quem já é membro da organização. Como eu não sou ainda membro nem pretendo ser até que tenha o meu projecto em prática, logo o Chamber arranjou maneira de me “despachar”. A Representação Comercial de Angola nos EUA, não me despachou, mas de nada me adiantou. Estou ainda à espera de informações. Finalmente a ANIP, Agência Nacional para o Investimento Privado. Já lá vão dois telefonemas e um e-mail e de resposta nada. Isto tudo aqui nos EUA. O que consegui eu destas organizações até ao momento? ZERO.

Algo em comum entre estas organizações é que através das suas comunicações, sejam elas verbais ou através dos seus sites na Internet, elas dizem-se ser as autoridades nas matérias e que todo o investimento estrangeiro por elas tem de passar. Se assim é então não sei se vai haver coragem e determinação que me chegue para as ultrapassar.

To be continued.
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Entretanto, volto para o sofá que o filme está a começar...

Por:
Anónimo

domingo, fevereiro 12


Foto enviada por: Mariana Carneiro.
Clicar na imagem para ampliar.

quarta-feira, fevereiro 8

Desabafos Angolanos… Crónicas de um fracasso... Será o fim do Blog???



Este Blog nasceu em Julho de 2005, é um espaço que se quer transparente, isento e sério. Sem conotação política, essencialmente direccionado para a interacção da sociedade Angolana que anda por aí neste mundo, longe de casa, sem saber o que se passa na Banda. Tem no momento em que escrevo este post, 9720 visitas.
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É um espaço aberto a todos que abracem a causa angolana e queiram deixar aqui o seu contributo em forma de “post” ou comentário. No entanto não vejo participações. Entristece-me participar num projecto de todos, saber que somos milhões e apenas uma minoria a participar. Entristece-me ver os números do contador a subir sem resultados práticos, sem comentários… sem os vossos post’s para publicar.
Os números de visitas crescem todos os dias, a toda a hora. Dizem-me que há leitores a ler… Se sabem ler também sabem escrever... então porque não escrevem???

Os leitores são de diferentes partes do globo. São amigos de África, dos Palops, e dos Angolanos. Em comum temos a Língua Portuguesa, a de Camões, esse grande poeta! E o sonho de que um dia África terá a paz e o progresso que tanto merece!

Angola, esse pequeno gigante adormecido, está amordaçado por todos! Amordaçado por uma classe governativa que despreza o povo e Angola, e por um povo que despreza Angola e a classe governativa. O povo não sabe o poder que tem na mão, vive à margem dos seus destinos!!!

São os políticos que dirigem o nosso destino! São eles que decidem como, quando e onde!
Por trás de todas as escolas e faculdades, de hospitais, estradas e pontes, por trás de todos os acordos de investimento que criam postos de trabalho e por trás de todos os contratos de prospecção de petróleo e diamantes está um político que deveria ter o nosso crédito, mas não tem!!! E por trás de todos os políticos deveria estar um povo. Mas em Angola não está!!!

QUEM CALA CONSENTE!
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Se o nosso filho nos tira todos os dias uma pequena quantia monetária, ao fim de algum tempo, sem que a gente tome qualquer atitude, esse valor vai aumentando! Aumentando, até que a gente lhe dê um castigo, um simples puxão de orelhas! Aí ele vai parar.

É isso que eu peço a todos os leitores. Um castigo em forma de participação neste Blog! Está nas nossas mãos, e desengane-se quem achar que não! Mas atenção… um castigo não é uma revolta, não é qualquer forma de violência física ou verbal. Um castigo é agarrar numa caneta e escrever a quem de direito, é pegar no microfone e denunciar o errado, dar a conhecer a todos a verdade dos factos. Doa a quem doer! Um castigo é simplesmente SER CIDADÃO, é exercer as suas funções todos os dias, 365 dias ao ano!

Escrevam… Leiam… Escrevam para o blog, para o jornal, para a rádio, escrevam letras de músicas. Leiam os blogs, leiam os jornais. Algum dia… algum dia quem de direito vai perceber que nós, os "pais desta Angola", estamos atentos e zangados, e lhes vamos “puxar a orelha”.
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O político só tem lugar entre nós porque nós existimos, não o contrário! No nosso país confunde-se governar com reinar, porque nós permitimos! O cargo deles existe para nos servir, mas a lavagem cerebral ao povo é de tal maneira eficaz e convincente que neste momento o povo serve a classe política.

Nenhuma democracia sobrevive quando a própria sociedade sucumbe em inércia. Cabe-nos lutar por aqueles que não têm faculdades, por aqueles que não têm estudos nem intelecto, que são nossos irmãos de sangue ANGOLANOS e não tiveram a sorte de progredir nos estudos (como nós). Somos alguns (poucos) felizardos que conseguimos estudar, vamos usar esse estudo para mudar o destino da nossa terra.
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Caros leitores, amigos e visitantes, durante 9 Meses tentei que este espaço tivesse qualidade. É um espaço plural como já constataram!
Como a participação é baixa (em termos do vosso contributo em forma de post’s ou comentários) vou dedicar-me menos. Peço desculpa se não fui ao encontro das vossas exigências. Peço desculpa pela causa que, ao que parece não é interessante. Tentei manter o Blog atractivo, na forma e no conteúdo, tentei diversificar os temas, tentei mantê-lo sempre actualizado, mas por forças maiores (trabalho e exames) vou ser obrigado a reduzir a minha dedicação. Vou actualizá-lo menos vezes do que as que gostaria. A não ser que os leitores ganhem coragem, vençam o medo de escrever e enviem os vossos desabafos.

Escrevam e enviem. Participem, critiquem… não basta tirar um curso, ser Médico ou Engenheiro e fazer parte da JMPLA para voltar ao país com o sentimento de missão cumprida. Não se iludam se pensam que isso basta. SEJAM CIDADÃOS! Libertem a vossa mente!
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Os temas dos post’s são do critério de cada um, só têm a obrigação de ter uma abordagem à sociedade angolana. Não se pedem artigos PULITZER nem se pede que tenham mais do que 4 linhas, apenas se pede conteúdo para que este blog sobreviva.
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Não, não vamos mudar Angola com um Blog!
Não, também não teremos estátuas ou feriados em nossa homenagem!
Não, amanhã ninguem se vai lembrar do que a gente escreveu ontem!
Mas mesmo assim acho que vale a pena tentar...

Poderei nunca postar num livro de história, mas saber que fiz algo para alterar o seu curso, só isso já me faz dormir mais tranquilo à noite.
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Aflige-me que uma sociedade viva à margem de tudo aquilo que lhe é inerente.

UM APELO… UM LAMENTO…
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Apelo ao leitor e ao comentarista. Apelo ao Escritor e ao curioso. Apelo ao visitante e ao Estudante, ao Engenheiro, ao Doutor, ao Operário e ao Artista. Apelo ao Militar, ao Bombeiro, ao Camponês, ao Enfermeiro, ao Polícia, às Massas … à Sociedade.
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Alguns ingredientes para cozinhar um post:
Escolher um tema: Um episódio real, um acontecimento, uma noticia, uma frustração.
Traçar algumas ideias gerais: Introdução, desenvolvimento e conclusão.
Documentar-se: livros, fotos, artigos publicados em jornais ou revistas.
Grafia: Cuidada, basta ter uma versão actualizada do Word com dicionário em Português!

domingo, fevereiro 5

O motivo pelo qual não largam o "osso".

Nos últimos dias temos assistido na imprensa angolana à novela de conflitos internos da UNITA, principal partido de oposição, sobre a substituição de alguns deputados no parlamento.

Sobre a intenção de substituição nada digo, não conheço os referidos deputados, não lhes conheço nenhuma obra feita. Acho positivo que se façam reformas na moldura humana dos deputados de todos os partidos, sempre que as mesmas beneficiem o partido em questão e que se traduzam em mais qualidade no serviço prestado ao país, ao povo e à democracia.

Este sururu todo à volta das substituições veio despoletar um role de informações que acho que não eram do domínio público (pelo menos eu desconhecia). Constatei que os nossos deputados gozam dos seguintes privilégios:

Cada deputado recebe, no momento em que toma posse, 12.000,00 USD como subsídio de instalação;
Uma viatura topo de gama Audi A6;
Uma viatura para uso da casa (filhos, Mulher, etc.).

Mensalmente recebem um salário base de 1500,00 USD;
Acrescido de 2500,00 USD de subsídio de renda;
Mais 1500,00 USD para manutenção de viaturas;
E ainda 3000,00 USD para despesa com pessoal da casa (motorista (s), empregada (s) domestica (s), cozinheira (s), etc.).

A estas verbas são acrescidos os subsídios para deslocações em trabalho, que podem atingir 5000,00 USD para viagens dentro do país e 12.000,00USD para o exterior.

Isto tudo no país em que o salário mínimo não chega a 100,00 USD e a maioria do povo vive, em média, com menos de 1,00 USD dia.

Ehh... Deve ser difícil largar um cargo assim!!!

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Fonte: Angonotícias. Clicar no título do post para aceder ao artigo.

quinta-feira, fevereiro 2

De quem é Angola?

Terreno ocupado aqui, terreno ocupado ali… acolá…
*Clicar na imagem para ampliar
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Cheguei a conclusão que Angola está ocupada!!! (ehh sou lento mesmo, ainda não tinha dado conta que isto é tudo deles.)
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Será que precisamos de nova independência? Não! Chega de lutas e guerras! Talvez seja por isso que alguns se aproveitam. O povo está esgotado e finge que “não sabe, não vê e nem ouve”.

Um pouco por toda Angola, de Norte a Sul, Este a Oeste vêem-se placas como esta, delimitando propriedades as vezes de perder a vista. Arames e grades, muros e chapas a cobrir e a delimitar o espolio.

Como se têm acesso a elas?
Não sei… Ultrapassa-me!
Algumas têm rios no meio a trespassar, outras são banhadas por mar, extensos areais e praias virgens, outras têm vista para a Ilha do Mussulo, e há aquelas que ainda conservam as estruturas de base que o colono deixou (antigas fazendas, pescarias, açucareiras, etc.).

E os donos quem são?
Não estão identificados nas placas, mas a gente sabe quem são!
Quase sempre ligados ao poder politico ou militar (se é que os podemos desagregar em Angola), directa ou indirectamente, têm acesso as concessões dos terrenos que os simples mortais angolanos não têm (a não ser que tenha um compadre na cozinha).

Qual o destino dos terrenos?
Uns têm planos para condomínios de luxo, habitações sociais e parques Industriais, fazendas e parques diversos. Outros apenas abocanharam por mera prospecção imobiliária. Tiveram acesso quase de graça para depois vender a peso de ouro. Há muita gente a lucrar com os terrenos de Angola. Infelizmente são os mesmos que já lucraram com a guerra, que lucram com o petróleo e com os diamantes… SÃO SEMPRE OS MESMOS…

Depois vêm me dizer que os brancos e que os mulatos são os que estão bem, e que um dia uma revolução vai mudar isto…
Basta de demagogia hipócrita!!!

quarta-feira, fevereiro 1

Este mural de mascaras indígenas está, ou esteve, exposto num Bar de Luanda, espaço “Baía”.
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Infelizmente é caro para a qualidade do serviço prestado mas o espaço em si e a sua localização são um deleite para quem lá for tomar um copo com amigos. Tem um terraço que proporciona uma vista agradável sobre a Marginal e a Baía de Luanda, com som ambiente gracioso.
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Não sei se o mural faz parte da decoração da casa e poderá ser admirado sempre ou se, por feliz coincidência, estive lá na altura de uma qualquer exposição.

segunda-feira, janeiro 30

10encantos.

Repouso deitado num sofá já velhinho do Hotel Delta Phiramids de Cairo. Estou na região de Gize, lá onde o vento gasta força contra a imponência das três representações do saber secular egípcio. Vim do estádio olímpico da academia militar egípcia onde os Palancas Negras maltrataram no pasto os ferozes Simbas do ex-Zaire. Na cama partilhada no quarto de Hotel com um quibalista, solto um grito e um chuto que lhe caiu bem no cú. Era o golo de Angola na Televisão egípcia. Acordo e noto que era um sonho. Exactamente um sonho que contrariava aquilo que tinha acabado de viver minutos atrás. A cama era o acento do autocarro, o quibalista da fiscalização de Luanda tinha sido trocado por um jovem Malanjino, e pior; os Simbas nem deixaram os Palancas pastar.
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Como soldados comandante, os Palancas que acabei de assistir a jogar e a apoiar não fizeram senão fartar-se de falhar golos e deixar que os Simbas trocassem a bola sem a devida oposição que se esperava.
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Notei também que enquanto no lado de lá, no relvado, o pasto se mostrava complicado, no lado de cá, no cimento e plástico, os apoiantes empurravam ao prado os já sem força “antílopes”, mas sem como.
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E no fim, bem no fim, quando, depois do intervalo e os Simbas já sem um compagnion, se esperava pela imponência dos antílopes ruminantes, o pastor não fez mais senão insistir na defesa, causando um desespero total entre os apoiantes que só não atravessaram o campo para pôr o Torra e o Makaba no campo por força dos “alicates faraónicos” disfarçados a apoiantes d’Angola.
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Do “Ou vencemos, ou quê...” passou-se ao “Oliveira, fora”, entre outros gritos que não impediram o nosso “recolhimento” imediato ao aeroporto de Cairo e posterior “desterro”. É que ficara por ser cumprida a missão dos Palancas, enquanto que mesmo cansados e tristes, os excursionistas se gabavam da missão cumprida, tal como os organizadores da tour que tinham prometido mais dois dias em caso de vitória e regresso imediato se o desiderato não fosse atingido.
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Já no autocarro da Ghassist, no aeroporto 4 de Fevereiro, o pedido dos excursionistas a Cairo parecia dirigir-se ao “quem de direito” que nesta altura não estará desatento e a quem aproveito repassar o que ouvi na canção que ditava: - Ou lhe troquem, ou quê.
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POR:
Soberano Canhanga
www.olhoatento.blogspot.com

domingo, janeiro 29

Ministro do comércio nomeia filha de 24 anos para o cargo de director-adjunto.

É de facto preocupante a postura dos nossos governantes!
Nem UNITA nem MPLA! Todos eles olham apenas para os seus bolsos. É desesperante ver o declínio sistemático dos valores de uma Nação como a nossa reduzida a meia dúzia de usurpadores de prepotência desmesurada. Desta vez (sim! Já ouve outras nomeações a familiares), o ministro do comércio nomeou a sua filha de 24 anos, estudante do 3º ano do Curso de informática, no Instituto Superior Privado de Angola (ISPRA), para ocupar o cargo de directora-adjunta do seu gabinete. A caloira inexperiente vai auferir um salário que, segundo o semanário Angonotícias, ronda os 70 Mil Kwanzas (700,00 Euros) mais subsídios diversos e privilégios inerentes ao cargo. A contratação desprezou antigos funcionários seniores, com experiência e muitos anos de casa e dedicação.

Reportagem a ler na íntegra clicando aqui.

sexta-feira, janeiro 27

O Outro Lado de Angola

Foto enviada por Anónimo

As imagens que se seguem ilustram um pouco a outra face de Angola fora de Luanda, sem as poderosas elites económicas, compostas maioritariamente por ex-políticos, políticos no poder e altas patentes militares.
Angola continua com carências indiscutíveis. O dinheiro do petróleo e dos diamantes não chegam a todos, grande parte fica retido nas contas generosas dos governantes e aquele que sobra é desperdiçado em políticas imperceptíveis que pouco beneficiam a população, essa que continua a viver com menos de 1,00€ ou USD 00,82 dia.
Foto enviada por Anónimo


Algures por Angola... uma escola qualquer, numa qualquer comuna, igual a outras tantas por esse vasto e muito rico país.
Foto enviada por Anónimo

Populações sem água potável têm de percorrer km’s e acartar esse bem até suas casas.
Neste momento em Angola, biliões de m3 de água são desperdiçados e debitados no mar sem qualquer aproveitamento.

quinta-feira, janeiro 26

- As Ligações de Corrupção - From: Brasil..... To: Angola*

BRASÍLIA - As investigações sobre o valerioduto devastaram o núcleo central do governo Lula, atravessaram o Atlântico e, agora, podem se transformar num campo minado também para o governo do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Na busca dos tentáculos internacionais do empresário Marcos Valério de Souza, os investigadores do caso esbarraram em 21 remessas do Trade Link Bank, uma offshore com sede nas Ilhas Cayman, para o ministro das Finanças de Angola, José Pedro de Morais Júnior, e para o presidente do Banco Nacional (o Banco Central daquele país), Amadeu de Jesus Castelhano Maurício, dois dos principais integrantes da equipe económica de Santos. No total foram remetidos para contas das duas autoridades cerca de US$ 2,7 milhões.

Com estreitas ligações com o Banco Rural, o Trade Link Bank está no centro das investigações sobre o suposto mensalão do PT para parlamentares da base, o mais rumoroso escândalo do governo Lula. Mas isso não significa que o valerioduto mandou dinheiro para Angola. O que investigadores acreditam é que o dinheiro enviado para as autoridades angolanas apenas apanhou boleia no mesmo esquema de movimentação de recursos no exterior.
Os papéis não registram quem são os pagadores que recorreram ao Trade Link. Mas os investigadores consideram as operações suspeitas e estão apurando, em sigilo, supostos vínculos de empresas brasileiras, beneficiárias de contratos milionários em Angola, com os políticos locais. Os investigadores querem saber quem autorizou as transferências de recursos e por que o esquema recorreu a uma offshore com sede num paraíso fiscal para fazer pagamentos expressivos a importantes dirigentes políticos.

Pelos extractos bancários obtidos com a quebra do sigilo bancário da Trade Link nos Estados Unidos, a offshore fez 20 remessas no valor aproximado de US$ 2,6 milhões para contas do ministro Pedro de Morais entre 2003 e este ano. As remessas variam de US$ 76 mil a US$ 360 mil. Os documentos oficiais registram que, só em 2003, a Trade fez 12 transferências para Morais no valor de US$ 1,4 milhão.Os recursos saíram de uma conta do Trade Link, no Banco Standard, em Nova York, e seguiram até uma conta em nome de Morais no Banco Internacional de Crédito (BIC), em Lisboa, Portugal. A estratégia mudou nos dois últimos anos, quando a offshore repassou US$ 1,2 milhão em oito parcelas a Morais. Em operações mais complexas, o dinheiro saia de contas da Trade Link no Standard ou no Banco Wachovia e passava pelo BIC, em Lisboa, antes de voltar para uma conta em nome de Pedro Morais no Bank Fund Staff, em Washington.

As relações da Trade Link com integrantes do governo de Angola não param por aí. Nos extractos da offshore consta uma remessa de US$ 176 mil para Amadeu Castelhano, a mais alta autoridade monetária de Angola, no dia 12 de Março de 2002. O dinheiro saiu da conta da Trade no Standard, passeou pelo Banco Africano de Investimentos (BAI), do outro lado do Atlântico e, depois do giro internacional, voltou a uma conta em nome de Amadeus, no Citibank, em Nova York.

A Trade e o Rural são dois dos principais alvos das investigações de uma força-tarefa do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, no Paraná, da CPI dos Correios e até da Promotoria Pública de Nova York. As investigações começaram em 1996, no início do caso Banestado, e recentemente se cruzaram com as averiguações em curso na CPI dos Correios. Os parlamentares descobriram que Valério usou a Trade Link para fazer 11 remessas de cerca de US$ 900 mil para a Dusseldorf, offshore do publicitário Duda Mendonça com sede nas Bahamas e conta no Bank Boston, em Miami.

Procurados pelo GLOBO na sexta-feira, José Pedro de Morais e Amadeu de Jesus não foram localizados. O chefe da assessoria de imprensa do Ministério das Finanças, Bastos de Almeida, disse que Pedro de Morais só deve se manifestar depois da publicação da reportagem. Bastos disse que nada sabe sobre as supostastransacções de Pedro de Morais com a Trade Link. Mas alega que, pela legislação Angolana, administradores públicos podem receber até 15% dos valores dos negócios que ajudam a concretizar.

- Há pagamentos que são legais. Nem tudo é corrupção - afirmou Bastos.
Esta não é primeira vez que um escândalo político brasileiro atravessa a fronteira e bate às portas de Luanda. Em 1992, o actual director da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, instaurou um inquérito para investigar negócios suspeitos do empresário Paulo César Farias, ex-tesoureiro do então presidente Fernando Collor de Mello, com empresários e políticos angolanos.

Ao longo das investigações, Lacerda recolheu documentos mostrando que as empreiteiras Odebrecht e a Servia, duas gigantes do sector, repassaram US$ 7,2 milhões para PC Farias. As duas empresas tinham fortes interesses nas obras de reconstrução de Angola, devastada pela guerra civil. A OdebrechT estava interessada na construção de Capanda, a maiorusina hidroeléctrica do país. A Servia ambicionava abocanhar os contratos de construção de casas populares.
Parte das obras de Capanda seria bancada com recursos de uma linha de crédito especial de US$ 80 milhões do Comité de Financiamento às Exportações, do governo brasileiro. Após o impeachment de Collor e a morte de PC Farias as investigações perderam força.

CORRUPÇÃO É FANTASMA ANTIGO
O Globo
"A corrupção é uma velha conhecida de Angola, que este ano celebrou seu 30 aniversário como nação independente amargando o indesejável título de 151 país mais corrupto do planeta (entre 159 pesquisados, quanto mais alta a colocação, pior a classificação), segundo o relatório anual do Centro de Pesquisa na Internet sobre Corrupção, mantido pela Universidade de Passau, na Alemanha, e pela Transparência Internacional.

Há anos esta organização aponta as principais áreas de corrupção no país, governado desde 1979 pelo presidente José Eduardo dos Santos, do MPLA: petróleo e gás, construção civil e armas. Responsável por 60% do PIB do país - e por 90% do Orçamento do Estado - o petróleo é de longe o sector que mais rende o que a Transparência chama de "pagamento de comissões ocultas".

Em 2002, uma grande reportagem do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigadores (Ciji), organização baseada nos EUA, revelou como funciona o esquema em que o dinheiro público vai parar em contas privadas de membros do governo. Segundo a organização, economistas estimaram que somente em 2000 até US$ 1 bilhão podem ter sido desviados dos US$ 6,9 biliões em petróleo que o país exportou - US$ 2,9 biliões pela estatal Sonangol.

Num dos casos mais emblemáticos, US$ 13,7 milhões foram depositados pela Marathon Oil Company em 15 de Julho de 2000 - segundo o Ciji - numa conta da Sonangol no paraíso fiscal de Jersey, na Europa. A soma representaria um terço do bónus que a companhia americana concordou em pagar à angolana por direitos de exploração de petróleo em Angola. No mesmo dia, afirma o Ciji, a Sonangol transferiu soma idêntica à depositada para uma outra conta em local desconhecido. No mesmo ano, grandes somas ainda foram transferidas de Jersey para contas de uma companhia privada de propriedade de um ex- ministro angolano, uma fundação de caridade do presidente José Eduardo dos Santos e para um banco privado que tem entre seus donos um homem acusado de negociar armas ilegalmente.

Outros descaminhos de dinheiro público, segundo a Transparência Internacional, são os empréstimos garantidos por petróleo, pagos com recursos que fogem ao controle dos fiscais orçamentários.

A organização defende a ideia de que as companhias internacionais devem assumir responsabilidade por sua contribuição à corrupção sistémica em Angola e em outros países da África. Algumas companhias, como a SHELL, a TECAXO e a OCCIDENTAL PETROLEUM, concordaram em assinar um documento intitulado Princípios Sullivan, um código de conduta para firmas que operavam na África do Sul. Mas o CIJI alerta para o fato de que a adopção de um código de ética não significa a garantia de negócios transparentes. "Sejamos realistas. Nenhuma companhia de petróleo que procurar negócios em África pratica um código de ética e princípios transparentes de modo a ter uma vantagem competitiva sobre os concorrentes", argumentou Ho Wang Kim, funcionário do escritório de Angola da companhia ENERGY AFRICA.
Tal realidade levou o deputado Ed Royce, presidente da subcomissão para a África da Comissão sobre Relações Internacionais, a cobrar mais transparência nos negócios do petróleo com Angola e outros países em audiências da Câmara dos Representantes dos EUA em 2002: "A prática de fazer vista grossa enquanto os rendimentos do petróleo são gastos de forma equivocada não é boa (...) para os africanos, e no fim das contas, é um mau negócio para as companhias."
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*Titulo da autoria de MN
http://angolaxyami.blogspot.com

terça-feira, janeiro 24

NO COMMENTS!!!


Kandongueiro* avariado na via que liga Luanda a Benguela!

*Kandongueiro: Termo Angolano, substantivo masculino, veículo de rodas para transporte de pessoas ou bens; viatura táxi sem de taxímetro.

segunda-feira, janeiro 23

Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel?

Este post foi enviado através de e-mail por um leitor amigo. A sua publicação esteve pendente até hoje devido ao seu conteúdo, que poderia influenciar de alguma forma aquilo que era opção de voto dos leitores do Blog, que exercem o direito de cidadania em Portugal (votam nas Eleições Presidenciais de Portugal). Agora, depois do resultado do escrutínio, sendo este um espaço sem conotação política, é pertinente a sua publicação e a mensagem diz o seguinte:

Prezado(a) MN

Sou português e não angolano, mas gosto de visitar o seu excelente blog.
O que me traz aqui é o facto de ter encontrado um texto de apoio à candidatura de Manuel Alegre à presidência da República Portuguesa, assinado por Mesquita Brehm. Este texto refere-se a acontecimentos que envolveram Manuel Alegre em Angola, acontecimentos que também fazem parte da História de Angola. Venho por isso propor a publicação no seu blog dos excertos que envio em anexo, a fim de dar a conhecer os acontecimentos referidos aos angolanos que o visitam. O texto completo está disponível no site de Manuel Alegre, em www.manuelalegre.com
As melhores saudações
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Ass: Denudado
www.amateriadotempo.blogspot.com



Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel?
[António Mesquita Brehm, 11.10.2005]

(...)
Em 1962 encontrei-me, pela primeira vez, com Manuel Alegre em Luanda. Sacámos o santo e a senha da algibeira para nos identificarmos e, a partir daquele breve instante, metemo-nos numa das maiores aventuras das nossas vidas. Combinámos formar um único grupo com armas na mão e derrubar o regime de Salazar.

A guerra colonial havia começado tempo antes, centenas de colonos portugueses tinham sido cruelmente abatidos nas matas do norte de Angola e alguns milhares de negros sofriam agora perseguições e morte nos musseques de Luanda. A vergastada emocional paralisou os nervos da população. Mas toda a gente lúcida sabia que se tornara imperioso estancar aquele martírio inútil dos nossos povos.
Se tomássemos o poder em Luanda e controlássemos Angola, faríamos um ultimato a Salazar e encetaríamos negociações com os movimentos de libertação para discutirmos as condições da independência do território protegendo não só os direitos naturais dos angolanos como ainda de todos os portugueses que ali viviam.

Foi então, às vésperas do golpe militar, que um oficial nosso compatriota nos traiu (ele e alguns mais) e nos denunciou à PIDE acusando-nos de estarmos a vender Angola às forças de Satanás. Toda a cabeça do grupo revolucionário foi presa e encurralada na Prisão de São Paulo de Luanda. Nas celas pegadas às do Luandino Vieira, do António Jacinto e do António Cardoso, cujos nomes ficaram bem gravados na literatura angolana.

(...)
Pois isto aconteceu muitos anos antes da revolução do 25 de Abril. E teria certamente apontado novo caminho ao futuro de Portugal e de todas as nossas antigas colónias africanas. Os poderes oficiais, e aquela cáfila que deles se aproveita, fizeram uma lavagem da História. Nunca falaram sobre o golpe militar de 1963 em Luanda. Mas o nosso processo policial está fechado a sete chaves, desde há muito, nos Arquivos da PIDE e um dia será detalhadamente revelado para espanto de muita gente. Também eu publicarei mais tarde meu livro de memórias sobre este período da nossa vida colectiva.

(...)
É meu dever recordar a nossa saga de Angola, a figura lendária do Silva Araújo com o seu esquadrão de 500 guerreiros africanos, o major José Ervedosa que, no comando dos aviões de bombardeamento das bases da Ota e do Montijo da Força Aérea Portuguesa lançou as bombas de napalm nos sítios desertos da região de Malange para desrespeitar as ordens de massacrar os milhares de trabalhadores em greve da Baixa do Cassange, o Felisberto Lemos, gerente da Livraria Lello de Luanda, onde se organizaram também muitos encontros clandestinos, o comandante Jeremias Tschiluango dos guerrilheiros do Norte que logo se dispôs a levantar esquemas logísticos para nos ajudar a ocupar Luanda, o chefe Matifoge que roubou armas e munições nos quartéis portugueses.
E aqueles homens como o Vítor Barros, deputado da nossa Assembleia Nacional, que no Huambo nos abriu as portas dos gabinetes dos chefes militares das tropas da cidade, e o engenheiro Fernando Falcão que no Lobito havia preparado o levantamento da sua população contra o regime de Salazar.
E tantos outros oficiais e praças do nosso exército colonial e incógnitos civis que, desde a primeira hora, se integraram no movimento para a defesa da Liberdade.

E também muitos poetas e intelectuais (que palavra horrível) como o Alexandre Dáskalos, o Cochat Osório, o Adolfo Maria, o Henrique Abranches, o Mário António, o Aires de Almeida Santos, o Neves e Sousa, e os nossos camaradas do 1º Encontro de Escritores de Angola realizado no Lubango em Janeiro de 1963. Porque as revoluções também se preparam com poetas, escritores e artistas.

Mas a hora chegara.
E o nosso Manuel Alegre, o nosso grande poeta da gesta portuguesa e da nossa Resistência, foi também então um dos grandes líderes desta revolta armada. E muito deverá contar aos portugueses sobre aquelas horas transcendentes.

Por fim desejo contar dois episódios acerca dele nesse período que nunca esqueci. O primeiro aconteceu no pátio da nossa prisão na hora do recreio quando, de repente, recebemos a visita de São José Lopes, Director Geral da PIDE, que vinha "inspeccionar" o nosso comportamento. Perguntou diversas futilidades sobre a prisão, estacou diante do meu companheiro e disparou: -- "Diga lá, senhor Alferes, se esta situação estivesse invertida e você me tivesse preso, o que faria?". Manuel Alegre não vacilou um segundo e respondeu-lhe com firmeza: -- "Olhe, senhor Director, mandava-o prender sem hesitações para ser julgado e depois condenado, sem dúvida". São José Lopes, o senhor todo-poderoso da polícia secreta em Angola, ficou perplexo. Não esperava por tal desafio, esteve algum tempo calado e depois sentenciou: -- "O senhor Alferes é um homem de coragem". Qual seria o preso, naquelas condições, que o enfrentaria com tal dignidade?

O segundo passou-se em minha casa quando fomos libertados, muitos angolanos nos vieram saudar. Recordo que nessa noite de alegria os funcionários negros da Texaco (a estação de serviço ao lado) nos bateram à porta para nos entregar duas galinhas vivas e era essa a singela homenagem de agradecimento pela luta que sempre travámos junto deles. Foi um bonito ritual de que só, muitos anos depois, entendi no seu verdadeiro significado. Madalena, minha fiel lavadeira da Vila Alice, a pequena Lídia que se esgueirava pelos becos com nossas mensagens, Simão, o carpinteiro do Rangel, que dirigia o grupo dos batedores do bairro e alguns outros, lá estavam presentes à nossa espera, as bocas rasgadas no melhor sorriso que vi até hoje. Manuel Alegre ficou com as lágrimas a brilhar de emoção quando eles o abraçaram. -- "Somos todos irmãos", lhes disse. "Um dia os nossos povos caminharão sempre juntos".
(...)

sábado, janeiro 21

BEIJOU MILHÕES DE HOMENS E MULHERES NA BOCA

“Nós nos conhecemos quando era 15”, dizia o mestre pintor ao seu ajudante. E o mestre pintor o falava com bastante emoção, tanta que denotava doces lembranças de um passado recente na companhia dela, a baixinha, acastanhada, molhada, a quem ansioso agarrava nas horas mortas, no fim de mais um dia de trabalho, durante o fim de semana, etc.

Se perguntasses a quem naquele momento passasse e ouvisse a passagem acima citada, quanto à tal personagem conhecida quando 15, talvez pensasse numa moreninha bem feita. Quero dizer: pele macia, corpo de viola e um rosto tão bem desenhado que evidenciasse a atenção que o Senhor Criador dispensou quando a esculpiu. Afinal, uma das vantagens da colonização foi ter trazido, à Angola, cabo-verdianos que encheram Benguela de lindas morenas. Mas, na verdade (e desculpe a desilusão), não era da “quinzinha” que estavam a falar; ou melhor, falavam duma “quinzinha” que agora já é a “cinquentinha”, mas que antes teve de passar por “trintinha”, uma assim tão popular como as catorzinhas. O que eu penso ser surpreendente é o facto de ela só existir há menos de 5 anos na província de Benguela, mas já ter beijado milhões de lábios de homens e mulheres. Vadia, promíscua… apetitosa.

Não sei se é por ela ser amiga da maioria que a intitularam de “a Nº 1”, já que deste número só tem desgraças e estragos. Voltando à conversa dos dois colegas de profissão, o ajudante e o mestre pintor, afinal estavam a referir-se à Cuca, cerveja em garrafa fabricada pela Soba-Sociedade de Bebidas de Angola, na vila da Catumbela, produto da BGI.

No Umbundu, a minha língua materna, o som “kuka” tem forte relação com “okukuka”, que significa envelhecer. Será por isso que os miúdos estão a ter corpos de empresários, principalmente na barriga? Caras empapuçadas, mentes cansadas, enfim, será aí que ela nos leva, ao envelhecimento precoce? Poucos pensarão assim, e também p’ra quê chiar muito, se então a nْ 1 é querida por todas as faixas etárias, sem excepção? Atenção, por respeito à ciência, justo seria abrir uma excepção para os bebés… mas como, se até os fetos cucangolam? P’ra quê e quem sou para discordar da realidade?

Ainda volto a reflectir um pouco na passagem da conversa do mestre e o seu ajudante. Para mim, a graça e ao mesmo tempo tristeza reacenderam quando descobri que as palavras do mestre pintor subentendiam uma grande vitória pela perseguição, sem trégua, infligida ao processo de subida de preços da Cuca ao longo dos tempos, desde os 15.00 kz até aos actuais 50.00 kz. A célebre frase “o monte é cem”, entenda-se do monte três cervejas, ainda respira em nossas mentes, tanto como respira a conjugação transitiva directa “cucangolo, cucangolas, cucangola, cucangolamos, cucangolais, cucangolam”. A Catumbela, com tantos problemas sociais que tem, a mesma que se cansou de lutar pelo estatuto de município, ascendeu à categoria de “capital provincial… da cerveja”.

A estrada é estreita, o número de carros e o de acidentes crescem na província, particularmente no troço Lobito – Benguela. “Se beberes não conduza, se conduzires não beba”, a velha máxima de estrada é cada vez mais moribunda. Tão bom seria ver isso também numa placa ao lado dos mais de cinco placares publicitários da “nossa” cerveja, bem vistosos ao longo da via, quando não se vê nem sequer uma publicidade fazendo alusão, por exemplo, à epidemia do século VIH/SIDA, ou do tipo “estudar é produzir” (saudosismo à parte) ou “a criança é o garante do amanhã”, ou “democracia é escolher livremente”…

Nós, Angolanos, precisamos nos divertir e entretermo-nos para se ultrapassar as marcas da guerra. Mas quando alguns já querem condicionar as suas capacidades de raciocínio pelos efeitos do álcool, ignorando voluntariamente a necessidade de segurança e de desenvolvimento, hei…alto ali!

Lobito, 11/11/2005 / 1h:10m
Autor: Lofa Kakumba
Adaptação Gociante Patissa, 22 de Novembro de 2005

quinta-feira, janeiro 19

NO COMMENTS!!!


Letreiro numa rua do Bairro Rocha Pinto.
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LUANDA

quarta-feira, janeiro 18

A CAMPANHA ELEITORAL JÁ COMEÇOU!!! PARTE III

Tal como anteriormente, em dois posts publicados neste espaço – A campanha eleitoral já começou – I, II – eu referia que a campanha em Angola já tinha começado. Hoje, depois de ler a notícia do alegado desvio de 15 milhões de Dólares dos cofres do Ministério das Relações Exteriores, por altos funcionários, publicada pelo Jornal on line “Angonotícias”, reafirmo que ela está aí e é para continuar mesmo antes do anuncio oficial da data para a realização das eleições. Só isso explica a iniciativa do Presidente angolano em mandar o Ministério das Finanças investigar possíveis desvios no Ministério das Relações Exteriores!
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Não quero ser injusto nem criticar por criticar mas pergunto, só agora é que o Presidente angolano deu conta que se desvia dinheiros públicos dos vários Ministérios em Angola? Creio que não, e a sua atitude nesta altura só se explica por razões eleitorais, para mostrar serviço ao Povo. Não acredito noutro motivo que não seja este. Poderá também ser a eliminação política de um “peão” que deixou de ser útil ou desrespeitou as “regras do jogo” ou os montantes ”autorizados” a desviar pelo chefe máximo ”Rei” do jogo.
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Alerto aos angolanos para que não se deixem enganar e que aproveitem as próximas eleições, caso se realizem, para mudar a classe dirigente que enriquece enquanto o Povo morre à fome!
Por último, gostava de saber se de facto for provado que estes desvios aconteceram e que os acusados (Embaixador de Angola num país Africano e outros altos quadros) são culpados, qual o desfecho desta contenda?
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Por:
O'MBAKA
Para aceder na íntegra ao conteúdo desta notícia, click aqui