domingo, junho 17

Tem piada, tem!

Pois, que engraçado...
Dizia-me alguém (com ar de espanto) que está para perceber que tipo de pessoa sou eu. Ya... Há gente para quem só é fixe quem diz bem de Angola; quem diz mal, é "reaças". E mais: como pode uma pessoa como ela (eu) que nunca deixou a terra e que se entregou até ao quase vazio, falar assim?

É... acontece (aos melhores e aos piores).
Gostaria de perguntar como se sentiriam os fazedores de power points com "belas" vistas aéreas da Luanda actual, se conseguissem fazer um zoom e ver o que se vê quando se está em terra firme, com os pés na lama, a tropeçar nos montes de lixo em plena cidade; a ouvir a voz do povo. E como se sentiriam se tivessem sido traídos nos seus valores e convicções mais profundos.
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Bem gostaria de medir o optimismo de alguns, depois de passarem uma manhã num hospital do estado, numa repartição pública ou se tivessem de beber água inquinada e pagar o equivalente a 100 usd correspondentes a uma conta de uma electricidade que só aparece de vez em quando.
Deixem-me oferecer-vos um dos dez (contei-os) montes de lixo pelos quais passo diariamente às 7.45 da manhã, só ao descer a Avenida (?) da Clínica do Prenda, em plena cidade de Luanda. Hoje não havia nem meninos a brincar, nem mendigos a comer neste monte. Mas podem sempre clicar na foto para identificarem os "desperdícios".
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Gostaram? Pareceu-me um presente "very typical"...
Confesso que me dá até um certo gozo ouvir o discurso quer daqueles que, refastelados na Europa ou na América (States!) dizem mal de Angola, apenas porque "desconseguiram de aguentar a dipanda", quer dos outros que agitam bandeiras a favor do povo, enquanto usufruem de todas as benesses a que têm direito em países que, apesar da intolerância, os emigrantes de luxo preferem ao seu país natal. Vocês "deram-me graça", como se diz por cá.
E é isto mesmo, só vendo (e vivendo, já agora) o dia a dia é que se tem a percepção do "lixo" em que nos movemos, apesar dos esforços de todos - numa coragem infinita - para fingir acreditar que ainda há pior.
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Para quem continua interessado em saber como me defino: apenas posso dizer que não me interessam os rótulos quaisquer que eles sejam. Tampouco estou filiada em rebanhos de ovelhinhas sejam eles religiosos, políticos ou sociais.
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Mantenho-me na minha (yo!), não sou a cabra cega (vá lá!...) e não dispendo energias a irritar ninguém, só porque é inimigo do meu país. Estou do lado da justiça. Mas daquela teórica, ou seja, impraticável. Infelizmente.
Chegada à Mutamba, e como andava a polícia por ali (olhem para o canto inferior esquerdo), tirei a foto a medo, não me fosse ele "pentear" e ficar com a máquina. Não está grande coisa, mas podem ver-se os melhoramentos substanciais introduzidos no velho e démodé edifício da Fazenda.

Sim porque o arquitecto Vieira da Costa já morreu (agora pode-se alterar a sua obra à vontadinha!), não percebia nada de sistemas de ventilação natural em países tropicais e, para além disso, o prédio não estava nada bonito com aquelas enormes e amplas varandas sem os vidros fumados. Desculpem lá, mas agora, com dezenas de aparelhos de ar-condicionado e um brutal gerador para garantir o fresquinho é que está a kuiar!
Gastos exagerados de energia? Poluição? Náaaaaaaaaaaaa! O que é isso? Porque é que há a mania de criticar os "embelezamentos" e não se viram antes para os milhares de carros velhos importados da Europa onde já reprovaram em todas as inspecções por se terem tornado verdadeiros criminosos contra o ambiente?? (Dahhh...)
Finalmente cheguei à Ilha para a minha aula de batuque. Na praia, tratei de usufruir ao máximo do saber do meu Mestre, antes que os esgotos do restaurante chinês, ali mesmo colado, desatassem a jorrar litros de tudo para o mar.
A aula correu bem e fiquei feliz.
Desculpem mesmo, mas é-me impossível não comentar. Digamos que não resisto ao meu próprio instinto de ser mordaz e... corrosiva. Faz parte, já se devem ter habituado.
Mas hoje estou bem disposta!!!
Ora vejam que lindo prédio nasceu entre o Largo Serpa Pinto (se calhar já mudou de nome, mas toda a gente insiste neste) e a Mutamba.


Amarelinho "cheguei!" com janelinhas em arco e colunas gregas a lembrar o renascimento europeu.
Como passei depressa não reparei se é para escritórios de grandes empresas multinacionais ou angolanas não menos multi, ou se é daqueles para habitação onde os apartamentos custam entre 500.000 e 1.000.000. de dólares americanos cada um, mas que já estão todos vendidos (haja kumbu!).

In: Mwanapwo (adaptado)
http://mwanapwo.blogspot.com/2007/06/desculpem-qualquer-coisinha.html

domingo, junho 10

Mais um (entre muitos) desabafos...

Enviaram-me este e-mail e como cidadão e grande afectado por esta situação, que pelos vistos desejam eles que nos habituemos a mais essa, pois já estamos habituados a poeira, as corridas dos fiscais as pobres zungueiras, aos buracos nas estradas, ao lixo, ao descaso com a população, a ser interpelados por fiscais que mal sabem interpretar as situações óbvias, como o facto de alguns passeios serem usados para estacionar viaturas e outros não,... eu particularmente reprovo tal situação, para mim ninguém deveria estacionar viaturas nos passeios,... Passamos a vermos-nos como os causadores de tudo isso...
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Ontem, alguém que já não vive em Luanda-Angola a algum tempo, fez-me a seguinte pergunta:
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Como é que vocês conseguem viver nestas condições?
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Muito sentido, respondi:
Creio que existe um propósito por parte das pessoas que tomam as decisões neste país, que abandonemos o país, assim como você fez, pois para eles, nós somos o problema,...
Talvez pelo facto de não sermos vistos como reais cidadãos deste país. Repara quem vive melhor no nosso país? Quem possui as melhores condições de vida, incluindo lazer? Para eles é muito fácil, quando estão fartos da situação, para relaxarem, vão dar uma voltinha à Paris, Lisboa, Rio de Janeiro, Cape Town, Londres, etc.... por alguns dias, 2 ou 3 dias, quanto muito, pois é o tempo necessário para o merecido relaxe, e saiba que somos nós com os nossos impostos e taxas, que pagamos as tais "merecidas" férias.
Algo que também eles esperam que nos habituemos, são os emolumentos. Hoje para você tratar de uma certidão de nascimento, que se resume na cópia da página do assento de nascimento que em muitos casos são registros do tempo colonial (será que eram vale dizer, benditos tempos?), estamos a pagar perto de Kz 3, 000.00 e as urgências Kz 5,000.00, porém os serviços são os mais horríveis possíveis, pois as urgências na conservatória do Kinaxixe são para lá de 3 semanas, pelo menos o que aconteceu comigo. São passadas mais de 4 semanas e ainda não recebi as certidões que pedi.

Com esse pequeno desabafo, quero perguntar:
Não será o momento de nós processarmos a EDEL, EPAL, Ministério das Obras Públicas, etc. para que possamos resolver os problemas de uma maioria, em vez de estarmos a arranjar esquemas, apelar à corrupção, cunhas, amizades por conveniência, etc.?
Gostaria de pedir que sejamos unos, e possamos ajudar o Governo a melhorar, processando os directores destas empresas, os responsáveis,... Nós somos o estado, sem a população, o governos não tem razão de existir.
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Tenhamos esperança nesta terra que nos viu nascer...
Caros consumidores e colegas de sofrimento, e hora de levantarmos as nossas vozes e unirmos as nossas forças para reivindicarmos o que é NOSSO por direito como cidadãos deste pais, e cumpridores das nossas obrigações enquanto o pagamento da conta mensal de energia a EDEL! todos os dias me sinto frustrado e revoltado quando depois de um dia exaustivo de trabalho, chego a casa, pronto para organizar a roupa, o banho, o comer e os poucos momentos de lazer que tenho com a minha família... e a energia simplesmente falha!!! o apagão é geral, o calor escorre-me por todos os lados, os meus filhos reclamam e choram porque não conseguem usufruir da TV, do vídeo game, e nem sequer há água fresca!!! o meu filho já apanhou paludismo 3 vezes porque se eu tiver o mosquiteiro em cima dele, o vento não circula, ele abafa e chora! Digam-me só qual é a solução? Comprar gerador? Para por aonde se vivo num prédio em que já meia dúzia de moradores poluem sonoramente e atmosféricamente todo o prédio? No caso de eu insistir, e comprar o BENDITO gerador... se antes eu não dormia por causa dos mosquitos e do calor, agora não vou dormir porque tenho medo que o gerador exploda com o aquecimento e incendeie o prédio ou medo que me roubem ou sabotem o gerador, por causa do barulho que ele faz, (conheço pessoas que passaram por isso) ou ainda... pensar como e que eu vou fazer para abastecer já que as bombas de combustível não enchem bidões de combustível, a não ser que se pague uma GASOSA bem elevada!!! Enfim... de que que adianta eu enforcar-me tanto para dar condições a minha família, se no fundo e por fim, todas as minhas aspirações são frustradas, em pleno Sec. XXI, Angola ainda vive situações diárias de falha de energia?!
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Espero que reflictam sobre o assunto, e repassem este e-mail tanto quanto for possível...acto de o repassar vai expressar o desagrado de cada um e fará com que os de direito nos dêem apenas o mínimo de condições para viver condignamente!!!
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Bom trabalho, e ore, ore para que logo a noite, quando chegar a casa e for para a cama, não tenha que vivenciar mais uma vez o episódio que acabei de descrever.
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Enviado por e-mail anónimo

domingo, junho 3

Angola é o 10º país mais perigoso do Mundo

O Global Peace Index, que agrupa 121 países, foi elaborado pelo filantropo australiano Steve Killelea para o The Economist Intelligence Unit, o centro de investigação associado à revista britânica "The Economist".
A tabela foi feita com base em 24 factores, entre os quais os níveis de violência, o crime organizado e as verbas que cada nação destina às forças militares.
Os países europeus estão em maioria no grupo dos dez dos mais seguros, enquanto os Estados Unidos da América ocupam a 96ª posição.
O estudo salienta que os países estáveis de pequena dimensão e integrados em blocos regionais como a União Europeia estão entre os mais tranquilos.
Os rendimentos dos cidadãos e o nível de educação são também factores determinantes na posição que cada país ocupa neste "ranking", cuja elaboração contou com o apoio de personalidades como os prémios Nobel da Paz Dalai Lama, Desmond Tuto e Jimmy Carter.
Segundo esta tabela, a Noruega é o país mais pacífico do mundo. Completam o "top ten" Nova Zelândia, Dinamarca, Irlanda, Japão, Finlândia, Suécia, Canadá, Portugal e Áustria.
No fundo da lista está o Iraque, considerado o mais perigoso, ainda mais do que Sudão, Israel, Rússia, Nigéria, Colômbia, Paquistão, Líbano e Costa do Marfim. Angola surge como o 10º país mais perigoso do mundo nesta tabela.
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terça-feira, maio 29

Outra Maka Mais!!!

Cá estamos nós para mais uma nossa e vossa …. Outra Maka Mais!!! Vamos abordar hoje de forma lúdica e ficcionista, algumas makas que merecem a nossa atenção e consideração.

Gostaria apenas de alertar, que este espaço não é um monólogo, e portanto exorto os estimados leitores a participarem com criticas e sugestões. E sem mais demoras, vamos ao que interessa: a abordagem dos vários temas que hoje trago.


1. Luanda e as suas makas.
Foram-se as chuvas, chegou o Cacimbo e parece que a nossa Luanda já se está a refazer da " porrada" que levou durante a época chuvosa...
Os engarrafamentos continuam! Os buracos nas estradas aumentam! (somos o único pais no mundo com estradas descartáveis) O lixo não pára! A luz bazou e até agora estamos a espera dela! Tem razão o meu kamba Kinito quando diz que " a maior oposição ao Governo é a EPAL, EDEL, ELISAL e o INAMET.


Segundo o kamba Kinito a EPAL – Empresa Privadora de Águas aos Luandenses, é um dos mais fortes partidos de oposição ao Governo. Ela consegue "privar" os Kaluandas sempre que possível do precioso líquido. Você está no banho só da conta, a água bazou, quer lavar o botter e nada, água tá onde? Quer cozinhar e num tem água.
Você até quando constrói o cúbico, tem de deixar espaço para o tanque de água, e deixar um buraco para a mangueira da cisterna vir abastecer.
Água da torneira não podes beber senão apanhas cólera! És obrigado a fazer esquemas como faz um colega aqui no salu, que aproveita de favor a água que a empresa dá, e bebe já de tudo. O muadié até diz que os colegas lhe chamam já Camelo, por armazenar água para depois não ter mais sede quando chegar ao cúbico.
É verdade avilos! A água aqui do salu tá safar bué de gente. Você vê só muitas mboas na hora da saída a encherem as garrafas de água, colocarem as mesmas nas pastas e levar para o cúbico. Mais esta é …. Outra Maka Mais!!!


Voltando ao kamba Kinito, ontem ligou-me e disse que vai provar por A+B que grande parte das cisternas de água, são pertença dos grandes mangas da EPAL.


EDEL – Empresa Destruidora da Energia de Luanda, o kamba Kinito diz mesmo que este é o maior partido da oposição (pelos seus feitos ultrapassou já o do " Galo Negro")! Você tá ouvir noticiário, só assusta luz bazou. Você tá ver jogo e na hora do passe para o golo, te tiram a luz. Você tá a apreciar um bom filme do tipo 9 semanas e meia, na hora mesmo da pura parte, luz baza. Ta ver a novela, luz baza.
O pitéu na arca estraga e se você levar para guardar no vizinho que tem gerador, acontece o seguinte: Ou dás um pouco de carne ao vizinho, ou então vão te pitar tudo. A noite calor é calor, as vezes você olha na pura mboa que está a campar ao lado, começos já a pensar naqueles mambos mas quando imaginas no calor, você desiste. Tudo por culpa da EDEL.
Antigamente era fácil, a culpa era sempre dos bandos errantes do falecido man – mbimbi que deixavam cair os postes de alta tensão lá em Cambambe. Mas agora então é quê mais??? A paz já estamos com ela há cinco anos! Agora a desculpa é que 60% dos Kaluandas não pagam as contas de luz??? Cerca de 35% vive dos famosos " gatos". Então vou pagar um serviço do qual quase não usufruo? Ter gerador que num pais normal deveria ser a excepção, cá entre nós virou regra.


O kamba Kinito diz que vai apresentar queixa da EDEL a ONU, a UNESCO e ao Presidente Bush, porque segundo ele, a EDEL é uma empresa de destruição massiva, e que estes constantes cortes de energia vão dar cabo da vida dos Kaluandas.


Diz também que os manda-chuvas da EDEL são os donos dos armazéns de venda de velas e geradores. Esta é …. Outra Maka Mais!!!


ELISAL – Empresa Lixadora e Saneadora de Luanda, o Kamba Kinito diz que este partido anda a " lixar" e pretende sanar com todos os Kaluandas. É só muito lixo, lixo, lixo! Uma pessoa até pergunta: mas este lixo todo tá vir da onde? Bué de empresas de recolha de lixo, mas o lixo sempre anduta, um gajo até já não acredita que este mambo tem solução.
Há tempos ouvi dizer que os Japoneses queriam comprar todo lixo da cidade, mas parece que as partes não chegaram a acordo pois o conceito de lixo dos japoneses era bastante abrangente parece que incluía também o " lixo" que governava os Kaluandas.


INAMET – Segundo o Kamba Kinito é INAMENTE, pois estes dão muitas bandeiras quando fazem a previsão do tempo. Quando dizem que no dia seguinte irá fazer sol, você prepara já as imbambas e todos os mambos, mas quando chega lá na praia chuva com força, um gajo até fica malaike.
As vezes dão a dica que vai chover muito, e um gajo prepara já aquele mbila de frio, mas assusta bué de calor.
Quando os muadiés vão na TPA explicar os mambos, falam já bué de termos técnicos: As fortes cargas pluviométricas que se abatem sobre a cidade de Luanda, para enganar o people, custa só dizer as chuvas que tamos com ele, ou as chuvas que estão a cair na city??? Gostam só de arranjar maka.


O kamba Kinito já identificou os principais opositores ao desenvolvimento dos Kaluandas. E já disse que vai tomar as medidas exactas e já criou mesmo a associação KIBETO – Kaluanda Insatisfeito Busca Explicações Transparentes e Objectivas. O kamba Kinito anda mesmo inconformado e desolado com estas coisas todas. No seu programa de acção propõe duas saídas para a actual situação caótica que se vive em Luanda:


A primeira, seria o Pai lá do céu fazer o mesmo que fez com Sodoma e Gomorra e acabar com tudo e todos. Assim aqueles que viessem depois, estariam livres de qualquer vício.


A segunda opção seria arrendar a cidade capital aos israelitas, e mandar todos os Kaluandas para o KK (Kuando Kubango), que por ser a maior província do pais e a menos habitada haveria lugar para todos. Os israelitas criavam em Luanda a capital do estado judaico, assinariam um contrato de cem anos (tipo os britânicos em Hong Kong). O GPL indemnizaria os Kaluandas e os israelitas ficam cem anos livres dos Abu Mazen & companhia Limitada.


O kamba Kinito perguntou-me o que achava das suas ideias, disse-lhe o seguinte:
- Quanto a primeira opção de Sodoma e Gomorra, disse-lhe que pelo estado das coisas era algo a ter em conta. Que se após isto, uma equipa de historiadores, geólogos, antropólogos e tantos outros " ologos" que existem pelo mundo afora, fossem fazer um estudo da extinta espécie " Homo Luandensis" iria ficar perplexa e colocar várias questões.


Iriam ficar admirados como era possível que 15 a 20 KM de estrada (a distância que separa Viana ao centro da cidade) serem percorridos em cinco horas, quando a distancia que separa Lisboa do Porto cerca de 300 KM, são percorridas em três horas.

Iriam questionar como era possível os seus dirigentes possuírem carros de cem mil dólares, casas em condomínios no valor de quinhentos mil dólares, casas de ferias na South, na Tuga. E o povo em geral nem água em condições possuía, nem luz tinha.

Iriam ficar indignados com o facto de nesta sociedade, para se ascender politica, económica e socialmente era necessário pertencer a determinada organização partidária, ou então ter sobrenome Van- Dúnem, Vieira Dias, Dias dos Santos. Ou que, para atingir determinado status nas instituições bancárias privadas era preciso ter todas as cores menos ser black, até Kilombo podias ser, mas black só mesmo no caixa, estafeta ou limpeza. A excepção só se fosse possuidor de um dos sobrenomes acima mencionados.

Iriam ficar estupefactos pois nesta sociedade a excepção virou regra e a regra excepção. A dita gasosa foi institucionalizada, onde andam todos gasosados, "tava tudo numa blue".
Iriam ficar confusos com o facto de que pessoas morriam por falta de uma aspirina, de soro ou por falta de pessoal nos hospitais. Iriam rejeitar o facto de que com os milhares de barris de petróleo produzidos diariamente, a refinaria de petróleo não tinha capacidade para aguentar a demanda e que cerca de 50% do combustível consumido era importado.

Não iriam acreditar que com a matéria-prima existente no tal país, como era possível existirem estradas descartáveis.
Alem desta triste sobrevivência, eles procurariam entender a razão da nossa existência. Como eles nasceram? Como sobreviveram? E acima de tudo estou certo que iriam colocar a questão final: De que planeta era este povo??? Esta seria …. Outra Maka Mais!!!

Enviado por e-mail anónimo

terça-feira, maio 22

Eduardo dos Santos prepara a compra de um avião de luxo


O Presidente angolano quer um novo Boeing, um verdadeiro palácio dos ares, repleto de pormenores e requinte. A operação envolve a petrolífera Sonangol.
Cadeiras feitas à mão rebatíveis e insufláveis, avaliadas em mais de 100 mil euros, jacuzi, um sistema de Karaoke e uma área de conferência são alguns dos previsíveis requisitos do futuro avião presidencial angolano. O modelo 767-400 da Boeing é o predilecto de José Eduardo dos Santos, um sonho que tem um custo: 100 milhões de euros.
O gabinete do chefe de Estado africano justifica a compra: "Pagamos 800 mil dólares para suportar os custos operacionais e técnicos sempre que alugamos uma aeronave, o que é incomportável", diz ao Expresso o porta-voz da presidência, Aldomiro da Conceição.
(foto de JES retirada de Blog Alto Hama)

segunda-feira, maio 14

O Eco dos Musseuqes

Caríssimos,
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Vejam a que ponto chegamos!!! O estado lastimoso das vias e reparem bem na foto em que o homem esta a beber água putrificada. A sede e o calor que se fazem sentir na capital do Pais é tanta, que o homem não teve alternativa senão saborear o prestimoso liquido que a muito faz falta em diversos lares.
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Façam uma reflexão sobre a situação em que nos encontramos...
A nossa cidade degrada-se a uma velocidade alarmante, aos olhos de todos e atitude de ninguém.
A falta de educação e de civismo, o estado de "stress" (a palavra da moda que anda na boca de toda gente), faz com que nos tornemos todos "doentes mentais" capazes de conviver com esse drama... sim, porque o que acontece é que no fundo, apesar de reclamarmos tanto, nada fazemos para mudar, porque adaptamo-nos aos problemas e só um demente é capaz de viver nestas condições... Se aquele "buraquinho" na estrada a principio era inconsequente, a cratera que surgiu com o desgaste do asfalto, com as águas, etc e tal, torna-se um obstáculo difícil de transpor, mas com jeitinho, mesmo a reclamar, haveremos de passar, ou então, o melhor será mesmo comprar um carro mais alto e com tracção às 4 rodas...
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Meus caros amigos, Luanda está a morrer, e nós os seus habitantes estamos a ir com ela!!!
É inconcebível! Não se consegue viver assim! Por melhores condições que se possa criar, ter um bom carro, um gerador, uma casa bem mobilada, enfim... Basta sair de casa para ver este cenário que vemos nas fotos (em baixo), Qualquer dia não há diferença entre a baixa e o musseque!
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Estou IRRITADO, CHATEADO, MAL DISPOSTO! O que andam a fazer as classes governantes??????????
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A situação que estão vivendo os desfavorecidos pobres está na iminência de ser ser para todos. Ninguém vai escapar com esta degradação acelerada do nível de vida dos angolanos. Ainda há quem tenha coragem de dizer que o país está a evoluir, a economia está a crescer, e nós somos ricos. Confundimos riqueza natural (que nós não usufruímos os seus benefícios) e riqueza de benefícios como acontece com os países desenvolvidos (sem recursos naturais.). Saibam que a melhor riqueza de um pais é o HOMEM, e este homem está a beber esta água imunda... Qual será a situação sanitária dele? As imagens são chocantes e revoltantes!
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Que Deus nos acuda nesta terra onde o diabo fez moradia.
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Se não é a água, é o estado das vias, e a energia da Edel é ainda pior!!! Estamos a "morrer" aos poucos!
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Enviado por e-mail anónimo

SEM PALAVRAS













domingo, maio 6

Como se fazem obras em Angola.

Um governador provincial queria construir uma ponte e, para esse efeito, foi aberto um concurso público.

Concorreram três empreiteiros: um Chinês, um Português e um Angolano:

Proposta do Chinês: 3 Milhões de Dólares.
- 1 Milhão pela mão-de-obra;
- 1 Milhão pelo material;
- 1 Milhão para lucro.

Proposta do Português: 6 Milhões de dólares.
- 2 Milhões pela mão-de-obra;
- 2 Milhões pelo material;
- 2 Milhões para lucro.

Proposta do Angolano: 9 Milhões de dólares.
-"Nove Milhões?", admirou-se o Governador provincial? É demais! Porquê tanto?"
Respondeu o empreiteiro Angolano:"? simples":
- 3 Milhões para mim;
- 3 Milhões para si;
- 3 Milhões para o Chinês fazer a obra...

"Enviado por e-mail anónimo."

quinta-feira, abril 26

Os ricos de Angola

Espero sinceramente que esta crónica pareça completamente ridícula daqui a meia dúzia de anos.

Trata-se de uma crónica que tem por tema a inauguração com a presença do Presidente da República!

Num país minimamente desenvolvido, com um saudável sistema de economia de mercado, a inauguração de um novo Centro Comercial representa, quando muito, uma notícia relevante para o bairro onde o mesmo se situa.

O facto de um tal acontecimento nos entusiasmar tanto (a mim entusiasma) diz bem do lamentável atraso em que nos encontramos – é o espanto do camponês ao ver pela primeira vez uma televisão (ou, ao invés, do menino da cidade diante de uma galinha).

Daqui a meia dúzia de anos espero, pois, que a notícia da inauguração de um centro comercial já não alvoroce ninguém.

Olhando para trás haveremos todos de sorrir, com certa auto-ironia, ao lembrarmo-nos do tempo em que não havia em nenhuma cidade angolana um bom cinema, com filmes actuais, ou sequer uma boa livraria.

Nessa altura o Presidente da República, quem quer que seja, há-de estar a inaugurar grandes bibliotecas públicas, bons hospitais, auto-estradas, escolas em bairros carentes, e então nós teremos orgulho nesse Presidente da República.

Os nossos ricos – por falar em centros comerciais – são igualmente reveladores do terrível atraso em que três décadas de guerra, corrupção e incompetência deixaram o país. Não temos ainda ricos como os ricos dos países ricos.

Os ricos dos países ricos são charmosos e elegantes. Praticam musculação em casa, uma hora por dia, com a ajuda de um personal trainer, e ainda lhes sobra tempo para o Ioga, a escalada, a esgrima, ou a equitação.

Os nossos ricos, esses, luzem de gordura. Acham que assistir ao futebol, sentados num sofá, é a forma mais confortável de fazer desporto.

Os ricos dos países ricos morrem de velhice perto dos cem anos.

Os nossos sofrem crises de malária e morrem vítimas de doenças ligadas a maus hábitos alimentares, como os pobres dos países ricos, antes dos setenta.

Os verdadeiros ricos têm no escritório uma tela de Miró ou de Picasso.

Os nossos têm uma fotografia do Presidente da República a inaugurar centros comerciais.

Os verdadeiros ricos coleccionam a grande arte do nosso tempo – Paula Rego, David Hockney, Portinari, Basquiat, etc..

Os nossos ricos coleccionam "arte africana", o que quer que isso seja, comprada muitas vezes nos mercados populares.

Os verdadeiros ricos assistem em Londres ou em Nova Iorque a concertos dirigidos por grandes maestros.

Os nossos assistem em Luanda a desfiles de misses.

Os ricos legítimos almoçam num dia com Mário Vargas Llosa, em Paris, e no outro com Barack Obama, em Washington.

Os nossos almoçam com o Pierre Falcone em algum recanto escondido.

Os verdadeiros ricos lêem o Times Literary Suplement e a New Yorker.

Os nossos lêem a "Caras", na versão nacional, e sorriem felizes de cada vez que encontram o próprio rosto (encontram sempre, é inevitável) iluminado por uma aura de gordura. Resumindo: os nossos ricos são uma fraude. São tão duvidosos, enquanto ricos, tão refutáveis e mal-amanhados, quanto eram enquanto comunistas. Precisamos, urgentemente, de novos novos ricos. Ou então resignamo-nos a que estes envelheçam. Porém, como disse antes, receio que a maior parte morra antes de envelhecer decentemente.
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By:
José Eduardo Agualusa

quarta-feira, abril 18

A CAVERNA E NOSSA SOCIEDADE

A metáfora narrada por Platão em "A Republica", cheia de mitos, foi criada para compreendermos a realidade em que a humanidade se encontra, ou seja, estamos sujeitos às sombras e vê-las como a verdade.

Em seu livro ele relata um grupo de pessoas que vivem no fundo de uma caverna, todos foram presos na infância, imobilizados por correntes, sentados de costas para a entrada da caverna, sem poder se moverem olhando sempre para o fundo da caverna. Assim como a sociedade atual, o povo do subterrâneo tem a sua existência dominada pela ignorância, se contentando com a luz projetada nos objetos, que formam sombras que surgem e desaparecem diante de seus olhos. As pessoas precisam sair da caverna para chegar a um conhecimento superior, abrindo a mente para novas experiências, para novos horizontes, podendo assim crescer interiormente e politicamente.

Mas com isso Platão nos mostra como é difícil e doloroso chegarmos ao conhecimento, se formos libertados e arrastados para longe de nossas cavernas, nos sendo obrigado a percorrer caminhos indefinidos, para romper a ignorância. Em primeiro instante a luminosidade não nos permitira enxergar nada, nesse instante não iríamos conseguir capturar nada em sua totalidade, a princípio, entenderíamos as sombras, porém com a persistência, finalmente poderemos ver os objetos em sua totalidade, com perfis definidos, conseguindo distinguir os próprios seres.

Mas esta nova etapa não consiste apenas em descobrir, mas ir à busca de algo superior, como contemplar idéias que regem as sociedades, conhecendo a verdade e reunindo a inteligência, a moral e a lógica. Assim logo compreenderíamos que as sombras, as quais estamos acostumados, são as coisas que consideramos reais, e que a luz são as idéias verdadeiras, o conhecimento verdadeiro. Assim notamos a passagem da ignorância para a opinião e depois para o conhecimento. Podendo contemplar as idéias, tornando-se apto para descobrir que a luz representa a razão.

Então quando voltamos para a caverna, nossos antigos companheiros que continuaram na escuridão da caverna, zombariam de nossas idéias, pois imaginam que o mundo que conhecem é o único mundo verdadeiro e o pior, não querem se livrar dele, isso porque estão presos a um método incorreto de ver a realidade e só conhecem aquele mundo. Imaginam essa pessoa como um egocêntrico, um extravagante, ou um doido como foram considerados a maioria dos pensadores.

Mas se alguns o ouvissem, e também decidissem sair de suas cavernas rumo à realidade, não haveria tanta desigualdade, os sábios não devem apenas socializar os conhecimentos, mas devem sim, ser chamados as regências das sociedades. O homem justo em nada difere do estado justo, a mesma moral para o homem e o Estado prudência, coragem e temperança.

O governo das cidades cabe aos mais instruídos e a aqueles que manifestam mais indiferença ao poder, pela simples razão de serem os únicos a vislumbrar o belo, o justo e o bem. Aquele que vê o bem em sua essência vive na realidade. O verdadeiro líder é aquele que conduz sua alma racionalmente para se dirigir ao bem verdadeiro, utilizando à energia do amor, podendo assim compreender a justiça, a honra, a fidelidade, ou seja, todas as virtudes supremas.

Bibliografia:
Platão, A Republica. Supervisão editorial Jair Lot Vieira. Bauru - 2001
Chalita, Gabriel. Vivendo a Filosofia - Filosofia antiga 1. São Paulo - Minden - 1998
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Por:
RENATO RIBEIRO VELLOSO (renatov@ajato.com.br) – Pós-graduado em Direito Penal Econômico Internacional, pelo Instituto de Direito Penal Econômico e Europeu da Universidade de Coimbra, Portugal, cursando MBA em Economia e Direito do Sistema Internacional, pela Universidade de São Paulo – USP, e co-autor do livro “Crimes Tributários e Econômicos”, pela Editora Quartier Latin do Brasil.

terça-feira, março 27

Fotografar na via publica agora é crime!?



Os ponteiros do relógio marcavam 11h e tal da manha, no momento que atravessava a avenida revolução de Outubro que divide o bairro do Catambor e do Chaba. Faço um compasso de espera e começo a disparar a máquina fotográfica! A determinado momento consegui captar o candongueiro que atropelou uma pessoa e na maior normalidade continuou para o seu destino. Fiquei confuso, mas continuei a disparar na direcção do corpo deitado no asfalto quente já rodeado por algumas pessoas.
- Jovem, acompanha-me!
Disse o homem a civil que me tocou no ombro.
Perguntei porquê!!! Identificou-se com o seu cartão onde pude ler policia. Fomos até ao contentor que estava alguns metros do local do “crime”, que era um posto de comando da polícia nacional.
- Porquê que estas a fotografar na via publica? Tens algum cartão da TPA (Televisão Publica de Angola) ou Rádio Nacional que te autorize a tirar fotografias neste local?
Da minha boca só saíam respostas negativas e por isso disse-me que a maquina estava apreendida.
-Vamos aguardar pelo carro da patrulha e na esquadra os peritos vão tomar conta da situação.
3 ou 5 minutos depois apareceu um amigo que me vinha buscar. Mas eu conhecedor de como se resolve estes “impasses” conversei com o Sr. agente que em seguida fez-me deletar todas as fotos que tinha no memory card. Depois de um pequeno sermão, aconselhou-me a ter cuidado e não andar por ai a fazer fotos, porque sem autorização posso arranjar problemas graves com as autoridades.
De tanta atenção que o Sr. agente deu ao meu “crime”, nem sequer teve a preocupação de me perguntar se eu tinha conseguido captar o candongueiro que tinha acabado de cometer um crime. Bastava usar o zoom e de certeza que as autoridades iriam conseguir obter a chapa de matricula da referida viatura, mas pelos vistos o meu “crime” teve mais atenção porque foi mais grave!
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Por:
Salucumbo Jr.
In:

sábado, março 17

Carta Aberta
















Lisboa, 12 de Março de 2006


Exmo. Senhor Presidente de Angola

Meu caro Zé Eduardo,
Soube que o teu Governo – e bem – eivado do mais alto sentido da reciprocidade, decidiu não aceitar como válidas as cartas de condução portuguesas. Motivo? Os portugueses multaram o Mantorras – exemplo estandarte maior do poder de Luanda (é muito bom, mas não funciona) – que conduzia com carta angolana. (…) doravante, nem um tuga pode conduzir nas magníficas auto-estradas, seja das Lundas, seja do Planalto Central, se não obtiver uma carta angolana ou coisa assim.
Acho bem! Não queremos cartas angolanas, vocês não querem cartas portuguesas!
Mas outros aspectos da vida existem que tu, caro Zé Eduardo, podias também reciprocar – peço desculpa, mas é assim que se diz. Por exemplo: A limitação de mandatos do Presidente da República. Sabias que nós não admitimos que ninguém – nem mesmo o Mantorras – seja Presidente por mais de 10 anos? E que, ainda por cima, qualquer um que chegue a Presidente tem de ser eleito e que, para ser eleito, tem de ter mais votos?
Aposto que, agora que sabes, não vais deixar de decretar o mesmo. Já te estou a ver: Ai eles têm eleições? Pimba! Nós também vamos ter! Ai eles têm limitações de mandatos? Pumba! Nós também! Ai eles têm votos e tudo, e pode votar quem quiser? Toma! Aqui vai ser na mesma!
E mais, se começas nesta senda de imitar tudo, lembra-te, por exemplo dos autarcas. É que eles também são eleitos. E o Governo, que é designado por um Parlamento eleito de 4 em 4 anos e não de 300 em 300 anos, como ai. Que dizer, o Governo, porque o Presidente é de 500 em 500 anos, salvo erro.
E há mais para copiares. Por exemplo, aqui os tribunais podem acusar e julgar amigos do primeiro ministro ou do Presidente da República. Ou mesmo o primeiro ministro e o Presidente. São orgãos de soberania independentes, não carecem de ser formados pelos amigos do Presidente.
E outras coisas. Por exemplo, em Portugal, os grandes empresarios não são familiares do Presidente da República. Por exemplo, o Prof. Cavaco Silva, tem uma filha mas ela não é uma grande empresária, nem das pessoas mais ricas do país. É uma pessoa discreta e igual as outras, com os mesmos direitos e deveres. Eis outra coisa boa para aplicares a tua reciprocidade.
E mais ideias me ocorrem sobre matéria tão vasta como interessante. (…) E pronto, já vês. Há um longo caminho de recíproco a fazer. Não é só nas cartas de condução.

Viva Angola! Viva o Mantorras e viva a reciprocidade! E manda-te um abraço o teu recíproco.
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Por:
Comendador Marques de Correia
Comendador@expresso.pt



In: Revista ÚNICA/EXPRESSO nº 1794 17 de Março 2007

Foto: AngolaPress





terça-feira, março 13

Petróleo-dependência

Angola é um país com grande potencial em termos de recursos minerais, contudo, este potencial só se traduzirá em riqueza quando “bem” explorado, ou seja, quando as receitas proveniente da sua exploração forem aplicadas para o bem geral da nação, elevando o seu bem-estar.

O que se tem verificado é que estas não têm sido “bem” aplicadas, verificando-se somente a aplicação de uma pequena parte das mesmas, apesar do seu incremento diário provocado pela alta geral do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Verifico com preocupação esse facto porque, segundo especialistas em energética, Angola só tem reservar provadas de petróleo para mais 30 ou 40 anos.

Outros Estados produtores de petróleo, nomeadamente, os Emiratos Árabes Unidos, confrontados com a mesma problemática (Esgotamento das suas reservas petrolíferas) têm investido fortemente nas novas tecnologias da informação, uma forma de perpetuar o elevado nível de vida das suas populações, depois do fim das receitas proveniente da exploração petrolífera, pois, é nesse tipo de produtos que se obtém uma mais valia.

O que se tem verificado em Angola é que, para além das receitas petrolíferas não reverterem para o bem-estar da maioria da população, os poucos investimentos efectuados não têm grande rentabilidade, perpetuando assim a sua dependência das receitas da exploração mineira.

Para agravar esta problemática, os maiores consumidores mundiais de petróleo estão a desenvolver muitas e mais limpas tecnologias, afim de diminuírem a sua petróleo-dependência. Muitas não terão grande sucesso, outras porém, poderão diminuir drasticamente a importância que actualmente representa o petróleo como fonte de energia.

Um exemplo é a tecnologia de liquefacção do carvão, que apesar de antiga, ganha maior importância, devido a alta do preço do petróleo.

Os EUA e a China, grandes consumidores de petróleo mas também, possuidores das maiores reservas mundiais de carvão, olham para esse processo a salvação da sua petróleo-dependência. Assim, estão a olhar para as melhores praticas desenvolvidas nesse domínio, como são, a experiência sul-africana, que devido o embargo económico sofrido por causa do procedimento do seu regime político da altura (Apartheid) se tornaram especialistas nessa técnica.

Cabe ao governo, ou governos futuros (esperemos que ao longo dos próximos 30 ou 40 anos haja rotatividade do poder em Angola e não seja sempre o mesmo MPLA dos últimos 30 anos), de Angola investir em politicas correctas para que quando o dia D chegar (fim do Ouro Negro) estejamos em condições de prosperar sem essa dependência que hoje é o catalisador da nossa economia, ocupando na balança das exportações o 1º lugar do pódio.
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Por:
O'mbaka

sábado, março 3

Acidente no Eixo Viário (Luanda)

INSPECÇÃO PERIÓDICA OBRIGATÓRIA era o suficiente para se poupar muitas vidas nas estradas de Angola.

Num país já de si devastado pela guerra, com enormes deficiências de cuidados de saúde, com doenças como a Cólera, ainda temos o perigo das estradas com carros a circular que se o Governo de Angola e o seu Executivo fossem corajosos já teriam tomado medidas que (corajosas) são necessárias para controlar e regularizar o trânsito em Angola, particularmente na Capital Luanda.

O próprio Governo não dá o exemplo! As viaturas ao serviço do Estado encontram-se, na maior parte dos casos, como o mesmo défice de segurança. É frequente sermos interceptados por carros da polícia de trânsito sem piscas, sem faróis, muitas vezes a circular a noite. É frequente ver carros da fiscalização de GPL (Governo Provincial de Luanda) a circularem com deficiências que no Código de Estrada actual não são permitidas. E se formos para as Províncias ai o panorama piora de forma monumental.

É imperioso eliminar das estradas de Angola carros que, como este que causou o acidente que podemos observar em baixo do post, circulam sem oferecerem condições aos utentes da via pública, tantos aos ocupantes da própria viatura como os inocentes que circulam nas vias.

Estou certo que o parque automóvel actual, um misto de HUMMERS de 2006 com camiões IFA que circulam a mais de 30 anos em Angola e que estão fora de circulação nos seus países de origem, iria reduzir drasticamente.

A medida, alem de reduzir o parque automóvel obsoleto, contribuiria para melhorar a segurança e diminuía substancialmente problemas como o intenso tráfego de circulação que nos últimos anos fustiga a vida dos utentes que usam as estradas no dia dia, cumprindo as suas tarefas de trabalho, para poder levar o Pão-Nosso de Cada Dia a mesa. Reduziria também a escassez de estacionamento, muitas vezes ocupado por sucatas.
É frequente ver-se na cidade de Luanda, nos espaços públicos, carros acidentados que os donos não têm dinheiro para concertar e ficam ali a ganhar pó, durante anos e anos, a desadornar uma cidade bela que carece de politicas correctas por parte daqueles que tutelam as responsabilidades politicas.

-Claro que medidas corajosas como essa teriam as suas consequências, aquelas que o Executivo não quer em tempo pré eleitoral, mas bastava ao Executivo que Governa o meu país fazer o trabalho de casa, copiar o que os outros países que tinham o mesmo problema fizeram.
Criar um plano de emergência para fomentar e incentivar a renovação das frotas dos empresários da camionagem, com empréstimos bancários e isenções de impostos, particularmente Alfandegários.
(Ex: Um empresário que importe um camião para trabalhar paga o mesmo imposto Alfandegário que o vizinho do lado que importa um Porche Cayenne para passear) Não pode ser!!!

-Proibir a importação de “sucata”, carros velhos, da Europa e outros.
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Estas são algumas medidas que se podem tomar... Será que há vontade política e coragem para implementa-las???
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Fotos enviadas por e-mail, por um leitor anónimo.