segunda-feira, agosto 13

Descentralizar o país

Angola tem 1.246.700 km²! É um país enorme!! Inútil dizer o que já toda a gente sabe: “Angola é um país grande e belo... fauna e flora únicas...”, essa cantiga já todos nós conhecemos. Vejamos as coisas de outra maneira.
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A maior província é o Moxico, com 223 023 km², e a mais pequena é Luanda com 2 257 km². Só vos digo isso para termos realmente a noção do que a frase “Angola é um pais grande” quer dizer.
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Para muitos de nós, Angola é só Luanda. O pior é que mesmo para alguns dos nossos governantes, a visão é a mesma: Angola é só Luanda. Estamos todos enfiados numa cidade que já está completamente entupida, que não tem capacidade para tanta gente. Concebida inicialmente para 600 000, hoje com 4 000 000 de habitantes.
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Obviamente que as consequências são desastrosas: abastecimento de água, esgotos, trânsito, a própria estética da cidade, tudo! E como se não bastasse, grande parte dos ministérios encontram-se na baixa da cidade ( Marginal e arredores), o que vem a centralizar ainda mais. Tudo concentrado numa só avenida. Aqueles que moram em Viana, por exemplo, têm um trajecto diário demasiado penoso.
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Contudo, Luanda continua a ser a cidade onde mais se investe no país. É lá que tudo acontece! Mesmo os que hoje estão nas províncias, são levados a “seguirem a luz” (por falta de investimento nas respectivas províncias) que acende no fundo do túnel. Essa luz é Luanda, e esse túnel afunila demais. Desenvolver outras províncias do país é uma prioridade absoluta. Assim que começarem a criar postos de emprego nas províncias, com tanto espaço que há, conseguiremos fazer com que as pessoas que vivem no musseque finalmente tenham uma oportunidade de trabalhar e ter uma casa normal, num bairro urbano. E se o governo saísse de Luanda? Imaginem quantos postos de trabalho seriam criados noutra província ( e porque não no Huambo? Uma província central, e que já esteve p’ra ser outrora a capital de Angola, a chamada Nova Lisboa).
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Numa primeira fase, seriam alguns ministérios ( o da agricultura deveria ser o primeiro, na minha opinião), e à medida que se fossem construindo estradas, condições na cidade para voltar a ser reabilitada e com um projecto urbanístico sério, correspondente à uma capital, num prazo de 3 anos o Governo estaria sediado numa outra província. Outro pólo no pais teria nascido: estaríamos finalmente a utilizar a superfície do pais, as populações à volta seriam puxadas “p’ra cima”, o desenvolvimento seria certo (pelo menos até à um certo ponto). Lubango, Huambo, Benguela, Bié, todas essas províncias (que segundo muitos relatos, são das mais bonitas do país) seriam “niveladas”.
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Penso que seria uma boa solução, e não seria uma solução inédita: isso já foi feito no Brasil, por exemplo.Esta é mais uma idéia entre tantas outras. Uma idéia aberta à discussão, que pode ser refutada e reformulada. Este é, também, um dos grandes objectivos deste blog: propor soluções ao que muita gente insiste em classificar de insolúvel.
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sexta-feira, agosto 3

Govern(corrup)ação de Angola - A pior da Lusófonia

Angola tem, entre os países lusófonos, a pior a classificação na maioria dos indicadores de governação do Banco Mundial (BM), incluindo corrupção e eficácia governamental.
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No relatório Indicadores Globais da Governação 1998-2006, divulgado terça-feira ao final do dia, Angola surge no indicador «controlo da corrupção» no percentil 8,7% o que significa que apenas 8,7% dos 212 países incluídos estão abaixo deste nível.
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A Guiné-Bissau surge no percentil 15,5% e Timor-Leste no 19,9%.
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Os dois melhores neste aspecto são Portugal (82,5) e Cabo Verde (72,8), que surge bem à frente do Brasil (47,1).
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Os dados do relatório, da autoria dos economistas Daniel Kaufmann, Aart Kraay e Massimo Mastruzzi, são calculados pelo BM a partir de diversas fontes, como institutos de pesquisa, centros de análise, organizações não-governamentais e outro tipo de organizações internacionais.
No «painel» de avaliação dos seis indicadores estão a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Economist Intelligence Unit, Banco de Desenvolvimento Africano (BAD), Afrobarómetro, Gallup ou Departamento de Estado norte-americano, num total de 33 fontes e dezenas de milhar de inquiridos.
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Além da corrupção, o estudo abrange os indicadores «voz e responsabilização», «estabilidade política e ausência de violência», «qualidade da regulação», «cumprimento da lei» e «eficácia governamental».
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Neste último, Angola surge no percentil 10,9, novamente abaixo da Guiné-Bissau e Timor-Leste.
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Bem maior é a diferença entre com os restantes «oito» no que diz respeito a «voz e responsabilização», que mede a participação dos cidadãos na política - Angola está no percentil 11,5, e o segundo pior, a Guiné-Bissau, no 33,7.
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O cumprimento da lei é o pior resultado de Angola (7,1), e também da Guiné-Bissau (9,0).
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O melhor resultado, cuja recuperação merece até destaque do Banco Mundial, é na estabilidade política, em que Angola surge no percentil 28,8, ligeiramente acima da Guiné-Bissau (26,4).
Na qualidade da regulação, Angola (7,1) surge ligeiramente melhor do que Timor-Leste (6,8).
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A melhor classificação de Timor-Leste é na «voz e responsabilização» (38,5), tal como na Guiné (33,7).
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Em São Tomé e Príncipe, mostram os números apresentados pelo Banco Mundial, o pior é a eficácia do governo (20,9) e o melhor a estabilidade política e ausência de violência (64,4).
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O melhor em Cabo Verde e em Moçambique é a ausência de violência (78,8 e 63,9, respectivamente)) e o pior a qualidade da regulação (45,4 e 30,7).
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O Brasil destaca-se na voz e responsabilização (58,7) e o pior é o cumprimento da lei (41,4).
Portugal apresenta a sua pior classificação na estabilidade política (76) e a melhor em voz e responsabilização (90,4).
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Para os autores do estudo, os números dão conta de melhorias a nível mundial na governação, e particularmente no combate à corrupção, incluindo em África.
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«A notícia auspiciosa é que um número considerável de países, mesmo em África, está a mostrar que é possível fazer progressos significativos na governação num período de tempo relativamente curto; estas melhorias são cruciais para a eficácia da ajuda e para um crescimento sustentado a longo prazo», afirma Daniel Kaufmann, co-autor do estudo.
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De acordo com os autores do estudo, a corrupção movimenta anualmente um bilião de dólares em todo o mundo.
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Diário Digital / Lusa
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=20&id_news=83588

quinta-feira, julho 26

Carta ao Consulado de Angola em Portugal: Abaixo-assinado.

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Ex.ma Senhora
Dra. Célia Baptista
Cônsul Geral do
Consulado da República de Angola
Av. da República, 68 - 1050 Lisboa



Lisboa, 16 de Julho de 2007


Ex.ma Senhora Dra.,

Na qualidade de Cidadãos Angolanos, residentes em Portugal, e na sequência das notícias avançadas pelos media não podíamos deixar de demonstrar a nossa perplexidade face à possibilidade dos Angolanos residentes na Diáspora estarem impossibilitados de votar nas próximas eleições legislativas, alegadamente "por não estarem reunidas as condições necessárias".
Sendo a edificação de um Estado Soberano e Democrático um dos principais objectivos da República de Angola, e de todos os Angolanos, é de inegável importância a participação de todos os Angolanos na prossecução deste objectivo.
Deste modo, parece-nos não poder ser, em circunstância alguma, ignorada a importância e o alcance do Constitucionalmente consagrado Direito de Voto da extensa Comunidade de Angolanos a residir em Portugal.
Neste sentido, e na esperança que este assunto ainda se encontre a ser analisado, gostaríamos de ser informados oficialmente pelo Consulado, sobre quais as alegadas condições que se encontram em falta para possibilitar que os Angolanos na Diáspora exerçam o seu legítimo Direito de Voto.

Agradecemos desde já a atenção dispensada e aguardamos por uma resposta o mais célere possível.

Pelo enriquecimento da democracia,
Abaixo-assinado

Esta carta será entregue ao Consulado de Angola em Portugal assim que forem reunidas todas as assinaturas necessárias para o abaixo-assinado. Embora este abaixo-assinado esteja a ser feito na cidade de Lisboa, sabemos que é um assunto que toca todos os angolanos ,em todo o Mundo. Por isso, achámos imprescindível enviar para além do abaixo-assinado feito em Lisboa, um abaixo-assinado "global" feito através da Internet. Assim, todos os angolanos, estejam aonde estiverem, são chamados a participar. A participação envolve, pura e simplesmente, o envio de um e-mail com o seu nome completo e número do bilhete de identidade ou passaporte ao queremos.votar@gmail.com. Na próxima segunda-feira, dia 23 de Julho, nós enviaremos por e-mail, ao consulado e ao MIREX (Ministério das Relações Exteriores), esta mesma carta seguida de todas as assinaturas que nos forem enviadas para o endereço electrónico referido. Deve se estar a perguntar: "Porquê enviar duas vezes a mesma carta?". Pois bem, para reforçar a nossa posição e para mostrar que não é somente a comunidade angolana em Portugal que está descontente com esta iniquidade que nos foi imposta, mas toda a comunidade angolana espalhada pelo Mundo, incluindo a que reside em Angola.
Até quando ficaremos calados?! Assine o abaixo-assinado."
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quarta-feira, julho 18

TAAG... Passageiros sem bagagem.

Anónimo disse...

Sei que o blog, não é espaço próprio, mas não pude deixar de ficar indiferente ao pedido de ajuda para denuncia relativa a companhia de bandeira nacional, TAAG:
Metade dos passageiros, do voo TAAG, que partiu de Lisboa para Luanda ontem, dia 17 de Julho 2007, por voltas das 13:00, chegou ao destino sem conseguir reaver a bagagem!!!
Até hoje de manha a TAAG, não informou os passageiros sobre o que realmente aconteceu e porquê? nem quando ou a que horas é que a bagagem vai chegar?! é um desespero que as pessoas viveram ontem e hoje de manha no aeroporto de Luanda, sem saber nada sobre as suas bagagens...
É um desrespeito total pelos passageiros, e os direitos dos passageiros onde é que ficam????
a TAAG aluga aviões e não tem capacidade para sequer fazer chegar as bagagens ao destino!
Uma verdadeira vergonha!!!
O que fazem ao dinheiro dos passageiros????
O que peço é que se tente ao menos levar esta denuncia ao conhecimento da opinião publica e que peçam explicações ao Sr. director da TAAG, ao ministro dos transportes de Angola ou a quem de direito!!!
18/7/07 13:30

terça-feira, julho 10


Registo Eleitoral é um acto cívico. Participe

São estas as situações que me deixam a espumar de raiva e com os nervos em pé. Vivo a 9 anos em Portugal e já votei, pelo menos, 4 vezes sem contar com 1 ou 2 referendos. Não sou nascido aqui mas já me foi concedido esse prazer, o prazer de SER CIDADÃO e votar naquele politico ou partido com quem simpatizo.

Convenci-me que podia fazer o mesmo na minha terra, meu país de origem, (onde tenho residência fixa, onde nasci, onde cresci, onde vive a minha familia) mas enganei-me. Não vou poder!!!


Sou angolano de gema, muitos dos bárbaros atrozes que são meus conterras discordam pelo simples facto que, para esses atrozes, ser angolano de gema é ser Negro na pele e não o facto de efectivamente ter nascido dentro da fronteira de Angola. Para esses atrozes a cor da pele é tão preponderante que até foi inventado um B.I com um campo correspondente a "raça" que no meu caso esta descrito "mista" (como se eu fosse uma sandwich) mas este assunto já está muito falado e não é o que motivou este post.


O motivo deste é só, única e exclusivamente, o facto de eu estar perto dos 30 anos e nunca ter podido votar no meu país e eleger alguém, seja ele(a) Presidente da Republica, Governo ou até mesmo Governador de Província.


Como se não bastasse ser angolano "misto" e sentir-me cidadão de 2ª e desclassificado por não ter pigmentação "standard", ou seja, NEGRO, também sou discriminado em relação aos que lá vivem (Angola) porque infelizmente só os que lá vivem podem votar! E eu? E eu que, por motivos de saúde e académicos, tive de emigrar (provisoriamente espero) não tenho direito ao sufrágio??? Não tenho direito a eleger o meu representante???


Alegadamente não há condições dizem as fontes governamentais. Outros dizem que por cobardia o governo que desconhece as intenções de voto do eleitorado na diáspora não quer arriscar em conceder esse direito Universal.

Não sei nem quero saber qual a causa de me não me ser permitido votar, uma coisa vos digo, por mais que me desprezem e por mais que me ostracizem e ignorem EU SOU ANGOLANO E SOU POR ANGOLA..

VIVA ANGOLA E TODA A FAMÍLIA ANGOLANA ESPALHADA POR ESTE MUNDO FORA, INDEPENDENTEMENTE DA SUA FILIAÇÃO POLITICA, RELIGIÃO OU PIGMENTAÇÃO DA PELE.

quinta-feira, junho 28

TAAG na "Lista Negra" da Europa

A entrada da TAAG na «lista negra» da União Europeia para as companhias aéreas implica a suspensão de dez voos semanais da transportadora angolana para Lisboa, informou hoje fonte do Instituto Nacional da Aviação Civil (INAC).
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Bruxelas inclui companhia angolana TAAG na «lista negra»A Comissão Europeia anunciou hoje a decisão de incluir a TAAG, Linhas Aéreas de Angola, na «lista negra» de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu.
Em comunicado, o executivo comunitário indica que o Comité de Segurança Aérea deu parecer favorável por unanimidade à quarta actualização da sua «lista negra», que, entre outras alterações, contempla uma interdição de voar em espaço aéreo à TAAG, companhia até agora com voos regulares para Lisboa.
Na sequência do parecer do Comité de Segurança Aérea, a proibição deverá entrar em vigor «nos próximos dias», aponta Bruxelas.
Se quiser saber mais sobre esta notícia click aqui : http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=283266
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"E estou mesmo a ver que, como "retaliação", o Governo de Angola vai "barrar" os voos da TAP e da BRITISH. Não me admira nada..... Mas por um lado compreendo porque são as únicas "armas" que o Estado tem para que reconsiderem esta opção, embora não me parece muito prudente "encarar" Bruxelas.
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A verdade é que me custa acreditar que o Estado angolano, ou pelo menos alguns membros do Governo, não levem isso à peito."

Por:

RP

terça-feira, junho 26

Oferta de emprego.

A Mundo Startel SARL é um operador de telecomunicações recentemente licenciado em Angola, para prestação de um vasto leque de serviços de telecomunicações baseado numa plataforma totalmente IP com recurso a tecnologias de acesso fixo sem fios (fixed wireless access).
Angola é um país com um grande potencial de mercado para serviços de telecomunicações, tendo em vista as actividades ligadas à reconstrução das infra-estruturas do país. O nosso objectivo é contribuir para o melhoramento dos serviços de telecomunicações e TI em Angola, visando especialmente os segmentos empresarial e residencial.

Nossa companhia procura empregar candidatos advogados.
Candidatos: Angolanos

Devem ter:
- Licenciatura em Direito
- Pensamento estratégico
- Habilidade para resolver problemas
- Habilidade de comunicação e de resolução de conflitos
- Bilingue (Português e Inglês escrito e falado)

Localização: Luanda
Salário: Muito bom/ a negociar.

Enviar Curriculum Vitae para: rhumanos@startel.co.ao
Web site: www.startel.co.ao

domingo, junho 17

Tem piada, tem!

Pois, que engraçado...
Dizia-me alguém (com ar de espanto) que está para perceber que tipo de pessoa sou eu. Ya... Há gente para quem só é fixe quem diz bem de Angola; quem diz mal, é "reaças". E mais: como pode uma pessoa como ela (eu) que nunca deixou a terra e que se entregou até ao quase vazio, falar assim?

É... acontece (aos melhores e aos piores).
Gostaria de perguntar como se sentiriam os fazedores de power points com "belas" vistas aéreas da Luanda actual, se conseguissem fazer um zoom e ver o que se vê quando se está em terra firme, com os pés na lama, a tropeçar nos montes de lixo em plena cidade; a ouvir a voz do povo. E como se sentiriam se tivessem sido traídos nos seus valores e convicções mais profundos.
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Bem gostaria de medir o optimismo de alguns, depois de passarem uma manhã num hospital do estado, numa repartição pública ou se tivessem de beber água inquinada e pagar o equivalente a 100 usd correspondentes a uma conta de uma electricidade que só aparece de vez em quando.
Deixem-me oferecer-vos um dos dez (contei-os) montes de lixo pelos quais passo diariamente às 7.45 da manhã, só ao descer a Avenida (?) da Clínica do Prenda, em plena cidade de Luanda. Hoje não havia nem meninos a brincar, nem mendigos a comer neste monte. Mas podem sempre clicar na foto para identificarem os "desperdícios".
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Gostaram? Pareceu-me um presente "very typical"...
Confesso que me dá até um certo gozo ouvir o discurso quer daqueles que, refastelados na Europa ou na América (States!) dizem mal de Angola, apenas porque "desconseguiram de aguentar a dipanda", quer dos outros que agitam bandeiras a favor do povo, enquanto usufruem de todas as benesses a que têm direito em países que, apesar da intolerância, os emigrantes de luxo preferem ao seu país natal. Vocês "deram-me graça", como se diz por cá.
E é isto mesmo, só vendo (e vivendo, já agora) o dia a dia é que se tem a percepção do "lixo" em que nos movemos, apesar dos esforços de todos - numa coragem infinita - para fingir acreditar que ainda há pior.
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Para quem continua interessado em saber como me defino: apenas posso dizer que não me interessam os rótulos quaisquer que eles sejam. Tampouco estou filiada em rebanhos de ovelhinhas sejam eles religiosos, políticos ou sociais.
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Mantenho-me na minha (yo!), não sou a cabra cega (vá lá!...) e não dispendo energias a irritar ninguém, só porque é inimigo do meu país. Estou do lado da justiça. Mas daquela teórica, ou seja, impraticável. Infelizmente.
Chegada à Mutamba, e como andava a polícia por ali (olhem para o canto inferior esquerdo), tirei a foto a medo, não me fosse ele "pentear" e ficar com a máquina. Não está grande coisa, mas podem ver-se os melhoramentos substanciais introduzidos no velho e démodé edifício da Fazenda.

Sim porque o arquitecto Vieira da Costa já morreu (agora pode-se alterar a sua obra à vontadinha!), não percebia nada de sistemas de ventilação natural em países tropicais e, para além disso, o prédio não estava nada bonito com aquelas enormes e amplas varandas sem os vidros fumados. Desculpem lá, mas agora, com dezenas de aparelhos de ar-condicionado e um brutal gerador para garantir o fresquinho é que está a kuiar!
Gastos exagerados de energia? Poluição? Náaaaaaaaaaaaa! O que é isso? Porque é que há a mania de criticar os "embelezamentos" e não se viram antes para os milhares de carros velhos importados da Europa onde já reprovaram em todas as inspecções por se terem tornado verdadeiros criminosos contra o ambiente?? (Dahhh...)
Finalmente cheguei à Ilha para a minha aula de batuque. Na praia, tratei de usufruir ao máximo do saber do meu Mestre, antes que os esgotos do restaurante chinês, ali mesmo colado, desatassem a jorrar litros de tudo para o mar.
A aula correu bem e fiquei feliz.
Desculpem mesmo, mas é-me impossível não comentar. Digamos que não resisto ao meu próprio instinto de ser mordaz e... corrosiva. Faz parte, já se devem ter habituado.
Mas hoje estou bem disposta!!!
Ora vejam que lindo prédio nasceu entre o Largo Serpa Pinto (se calhar já mudou de nome, mas toda a gente insiste neste) e a Mutamba.


Amarelinho "cheguei!" com janelinhas em arco e colunas gregas a lembrar o renascimento europeu.
Como passei depressa não reparei se é para escritórios de grandes empresas multinacionais ou angolanas não menos multi, ou se é daqueles para habitação onde os apartamentos custam entre 500.000 e 1.000.000. de dólares americanos cada um, mas que já estão todos vendidos (haja kumbu!).

In: Mwanapwo (adaptado)
http://mwanapwo.blogspot.com/2007/06/desculpem-qualquer-coisinha.html

domingo, junho 10

Mais um (entre muitos) desabafos...

Enviaram-me este e-mail e como cidadão e grande afectado por esta situação, que pelos vistos desejam eles que nos habituemos a mais essa, pois já estamos habituados a poeira, as corridas dos fiscais as pobres zungueiras, aos buracos nas estradas, ao lixo, ao descaso com a população, a ser interpelados por fiscais que mal sabem interpretar as situações óbvias, como o facto de alguns passeios serem usados para estacionar viaturas e outros não,... eu particularmente reprovo tal situação, para mim ninguém deveria estacionar viaturas nos passeios,... Passamos a vermos-nos como os causadores de tudo isso...
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Ontem, alguém que já não vive em Luanda-Angola a algum tempo, fez-me a seguinte pergunta:
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Como é que vocês conseguem viver nestas condições?
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Muito sentido, respondi:
Creio que existe um propósito por parte das pessoas que tomam as decisões neste país, que abandonemos o país, assim como você fez, pois para eles, nós somos o problema,...
Talvez pelo facto de não sermos vistos como reais cidadãos deste país. Repara quem vive melhor no nosso país? Quem possui as melhores condições de vida, incluindo lazer? Para eles é muito fácil, quando estão fartos da situação, para relaxarem, vão dar uma voltinha à Paris, Lisboa, Rio de Janeiro, Cape Town, Londres, etc.... por alguns dias, 2 ou 3 dias, quanto muito, pois é o tempo necessário para o merecido relaxe, e saiba que somos nós com os nossos impostos e taxas, que pagamos as tais "merecidas" férias.
Algo que também eles esperam que nos habituemos, são os emolumentos. Hoje para você tratar de uma certidão de nascimento, que se resume na cópia da página do assento de nascimento que em muitos casos são registros do tempo colonial (será que eram vale dizer, benditos tempos?), estamos a pagar perto de Kz 3, 000.00 e as urgências Kz 5,000.00, porém os serviços são os mais horríveis possíveis, pois as urgências na conservatória do Kinaxixe são para lá de 3 semanas, pelo menos o que aconteceu comigo. São passadas mais de 4 semanas e ainda não recebi as certidões que pedi.

Com esse pequeno desabafo, quero perguntar:
Não será o momento de nós processarmos a EDEL, EPAL, Ministério das Obras Públicas, etc. para que possamos resolver os problemas de uma maioria, em vez de estarmos a arranjar esquemas, apelar à corrupção, cunhas, amizades por conveniência, etc.?
Gostaria de pedir que sejamos unos, e possamos ajudar o Governo a melhorar, processando os directores destas empresas, os responsáveis,... Nós somos o estado, sem a população, o governos não tem razão de existir.
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Tenhamos esperança nesta terra que nos viu nascer...
Caros consumidores e colegas de sofrimento, e hora de levantarmos as nossas vozes e unirmos as nossas forças para reivindicarmos o que é NOSSO por direito como cidadãos deste pais, e cumpridores das nossas obrigações enquanto o pagamento da conta mensal de energia a EDEL! todos os dias me sinto frustrado e revoltado quando depois de um dia exaustivo de trabalho, chego a casa, pronto para organizar a roupa, o banho, o comer e os poucos momentos de lazer que tenho com a minha família... e a energia simplesmente falha!!! o apagão é geral, o calor escorre-me por todos os lados, os meus filhos reclamam e choram porque não conseguem usufruir da TV, do vídeo game, e nem sequer há água fresca!!! o meu filho já apanhou paludismo 3 vezes porque se eu tiver o mosquiteiro em cima dele, o vento não circula, ele abafa e chora! Digam-me só qual é a solução? Comprar gerador? Para por aonde se vivo num prédio em que já meia dúzia de moradores poluem sonoramente e atmosféricamente todo o prédio? No caso de eu insistir, e comprar o BENDITO gerador... se antes eu não dormia por causa dos mosquitos e do calor, agora não vou dormir porque tenho medo que o gerador exploda com o aquecimento e incendeie o prédio ou medo que me roubem ou sabotem o gerador, por causa do barulho que ele faz, (conheço pessoas que passaram por isso) ou ainda... pensar como e que eu vou fazer para abastecer já que as bombas de combustível não enchem bidões de combustível, a não ser que se pague uma GASOSA bem elevada!!! Enfim... de que que adianta eu enforcar-me tanto para dar condições a minha família, se no fundo e por fim, todas as minhas aspirações são frustradas, em pleno Sec. XXI, Angola ainda vive situações diárias de falha de energia?!
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Espero que reflictam sobre o assunto, e repassem este e-mail tanto quanto for possível...acto de o repassar vai expressar o desagrado de cada um e fará com que os de direito nos dêem apenas o mínimo de condições para viver condignamente!!!
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Bom trabalho, e ore, ore para que logo a noite, quando chegar a casa e for para a cama, não tenha que vivenciar mais uma vez o episódio que acabei de descrever.
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Enviado por e-mail anónimo

domingo, junho 3

Angola é o 10º país mais perigoso do Mundo

O Global Peace Index, que agrupa 121 países, foi elaborado pelo filantropo australiano Steve Killelea para o The Economist Intelligence Unit, o centro de investigação associado à revista britânica "The Economist".
A tabela foi feita com base em 24 factores, entre os quais os níveis de violência, o crime organizado e as verbas que cada nação destina às forças militares.
Os países europeus estão em maioria no grupo dos dez dos mais seguros, enquanto os Estados Unidos da América ocupam a 96ª posição.
O estudo salienta que os países estáveis de pequena dimensão e integrados em blocos regionais como a União Europeia estão entre os mais tranquilos.
Os rendimentos dos cidadãos e o nível de educação são também factores determinantes na posição que cada país ocupa neste "ranking", cuja elaboração contou com o apoio de personalidades como os prémios Nobel da Paz Dalai Lama, Desmond Tuto e Jimmy Carter.
Segundo esta tabela, a Noruega é o país mais pacífico do mundo. Completam o "top ten" Nova Zelândia, Dinamarca, Irlanda, Japão, Finlândia, Suécia, Canadá, Portugal e Áustria.
No fundo da lista está o Iraque, considerado o mais perigoso, ainda mais do que Sudão, Israel, Rússia, Nigéria, Colômbia, Paquistão, Líbano e Costa do Marfim. Angola surge como o 10º país mais perigoso do mundo nesta tabela.
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terça-feira, maio 29

Outra Maka Mais!!!

Cá estamos nós para mais uma nossa e vossa …. Outra Maka Mais!!! Vamos abordar hoje de forma lúdica e ficcionista, algumas makas que merecem a nossa atenção e consideração.

Gostaria apenas de alertar, que este espaço não é um monólogo, e portanto exorto os estimados leitores a participarem com criticas e sugestões. E sem mais demoras, vamos ao que interessa: a abordagem dos vários temas que hoje trago.


1. Luanda e as suas makas.
Foram-se as chuvas, chegou o Cacimbo e parece que a nossa Luanda já se está a refazer da " porrada" que levou durante a época chuvosa...
Os engarrafamentos continuam! Os buracos nas estradas aumentam! (somos o único pais no mundo com estradas descartáveis) O lixo não pára! A luz bazou e até agora estamos a espera dela! Tem razão o meu kamba Kinito quando diz que " a maior oposição ao Governo é a EPAL, EDEL, ELISAL e o INAMET.


Segundo o kamba Kinito a EPAL – Empresa Privadora de Águas aos Luandenses, é um dos mais fortes partidos de oposição ao Governo. Ela consegue "privar" os Kaluandas sempre que possível do precioso líquido. Você está no banho só da conta, a água bazou, quer lavar o botter e nada, água tá onde? Quer cozinhar e num tem água.
Você até quando constrói o cúbico, tem de deixar espaço para o tanque de água, e deixar um buraco para a mangueira da cisterna vir abastecer.
Água da torneira não podes beber senão apanhas cólera! És obrigado a fazer esquemas como faz um colega aqui no salu, que aproveita de favor a água que a empresa dá, e bebe já de tudo. O muadié até diz que os colegas lhe chamam já Camelo, por armazenar água para depois não ter mais sede quando chegar ao cúbico.
É verdade avilos! A água aqui do salu tá safar bué de gente. Você vê só muitas mboas na hora da saída a encherem as garrafas de água, colocarem as mesmas nas pastas e levar para o cúbico. Mais esta é …. Outra Maka Mais!!!


Voltando ao kamba Kinito, ontem ligou-me e disse que vai provar por A+B que grande parte das cisternas de água, são pertença dos grandes mangas da EPAL.


EDEL – Empresa Destruidora da Energia de Luanda, o kamba Kinito diz mesmo que este é o maior partido da oposição (pelos seus feitos ultrapassou já o do " Galo Negro")! Você tá ouvir noticiário, só assusta luz bazou. Você tá ver jogo e na hora do passe para o golo, te tiram a luz. Você tá a apreciar um bom filme do tipo 9 semanas e meia, na hora mesmo da pura parte, luz baza. Ta ver a novela, luz baza.
O pitéu na arca estraga e se você levar para guardar no vizinho que tem gerador, acontece o seguinte: Ou dás um pouco de carne ao vizinho, ou então vão te pitar tudo. A noite calor é calor, as vezes você olha na pura mboa que está a campar ao lado, começos já a pensar naqueles mambos mas quando imaginas no calor, você desiste. Tudo por culpa da EDEL.
Antigamente era fácil, a culpa era sempre dos bandos errantes do falecido man – mbimbi que deixavam cair os postes de alta tensão lá em Cambambe. Mas agora então é quê mais??? A paz já estamos com ela há cinco anos! Agora a desculpa é que 60% dos Kaluandas não pagam as contas de luz??? Cerca de 35% vive dos famosos " gatos". Então vou pagar um serviço do qual quase não usufruo? Ter gerador que num pais normal deveria ser a excepção, cá entre nós virou regra.


O kamba Kinito diz que vai apresentar queixa da EDEL a ONU, a UNESCO e ao Presidente Bush, porque segundo ele, a EDEL é uma empresa de destruição massiva, e que estes constantes cortes de energia vão dar cabo da vida dos Kaluandas.


Diz também que os manda-chuvas da EDEL são os donos dos armazéns de venda de velas e geradores. Esta é …. Outra Maka Mais!!!


ELISAL – Empresa Lixadora e Saneadora de Luanda, o Kamba Kinito diz que este partido anda a " lixar" e pretende sanar com todos os Kaluandas. É só muito lixo, lixo, lixo! Uma pessoa até pergunta: mas este lixo todo tá vir da onde? Bué de empresas de recolha de lixo, mas o lixo sempre anduta, um gajo até já não acredita que este mambo tem solução.
Há tempos ouvi dizer que os Japoneses queriam comprar todo lixo da cidade, mas parece que as partes não chegaram a acordo pois o conceito de lixo dos japoneses era bastante abrangente parece que incluía também o " lixo" que governava os Kaluandas.


INAMET – Segundo o Kamba Kinito é INAMENTE, pois estes dão muitas bandeiras quando fazem a previsão do tempo. Quando dizem que no dia seguinte irá fazer sol, você prepara já as imbambas e todos os mambos, mas quando chega lá na praia chuva com força, um gajo até fica malaike.
As vezes dão a dica que vai chover muito, e um gajo prepara já aquele mbila de frio, mas assusta bué de calor.
Quando os muadiés vão na TPA explicar os mambos, falam já bué de termos técnicos: As fortes cargas pluviométricas que se abatem sobre a cidade de Luanda, para enganar o people, custa só dizer as chuvas que tamos com ele, ou as chuvas que estão a cair na city??? Gostam só de arranjar maka.


O kamba Kinito já identificou os principais opositores ao desenvolvimento dos Kaluandas. E já disse que vai tomar as medidas exactas e já criou mesmo a associação KIBETO – Kaluanda Insatisfeito Busca Explicações Transparentes e Objectivas. O kamba Kinito anda mesmo inconformado e desolado com estas coisas todas. No seu programa de acção propõe duas saídas para a actual situação caótica que se vive em Luanda:


A primeira, seria o Pai lá do céu fazer o mesmo que fez com Sodoma e Gomorra e acabar com tudo e todos. Assim aqueles que viessem depois, estariam livres de qualquer vício.


A segunda opção seria arrendar a cidade capital aos israelitas, e mandar todos os Kaluandas para o KK (Kuando Kubango), que por ser a maior província do pais e a menos habitada haveria lugar para todos. Os israelitas criavam em Luanda a capital do estado judaico, assinariam um contrato de cem anos (tipo os britânicos em Hong Kong). O GPL indemnizaria os Kaluandas e os israelitas ficam cem anos livres dos Abu Mazen & companhia Limitada.


O kamba Kinito perguntou-me o que achava das suas ideias, disse-lhe o seguinte:
- Quanto a primeira opção de Sodoma e Gomorra, disse-lhe que pelo estado das coisas era algo a ter em conta. Que se após isto, uma equipa de historiadores, geólogos, antropólogos e tantos outros " ologos" que existem pelo mundo afora, fossem fazer um estudo da extinta espécie " Homo Luandensis" iria ficar perplexa e colocar várias questões.


Iriam ficar admirados como era possível que 15 a 20 KM de estrada (a distância que separa Viana ao centro da cidade) serem percorridos em cinco horas, quando a distancia que separa Lisboa do Porto cerca de 300 KM, são percorridas em três horas.

Iriam questionar como era possível os seus dirigentes possuírem carros de cem mil dólares, casas em condomínios no valor de quinhentos mil dólares, casas de ferias na South, na Tuga. E o povo em geral nem água em condições possuía, nem luz tinha.

Iriam ficar indignados com o facto de nesta sociedade, para se ascender politica, económica e socialmente era necessário pertencer a determinada organização partidária, ou então ter sobrenome Van- Dúnem, Vieira Dias, Dias dos Santos. Ou que, para atingir determinado status nas instituições bancárias privadas era preciso ter todas as cores menos ser black, até Kilombo podias ser, mas black só mesmo no caixa, estafeta ou limpeza. A excepção só se fosse possuidor de um dos sobrenomes acima mencionados.

Iriam ficar estupefactos pois nesta sociedade a excepção virou regra e a regra excepção. A dita gasosa foi institucionalizada, onde andam todos gasosados, "tava tudo numa blue".
Iriam ficar confusos com o facto de que pessoas morriam por falta de uma aspirina, de soro ou por falta de pessoal nos hospitais. Iriam rejeitar o facto de que com os milhares de barris de petróleo produzidos diariamente, a refinaria de petróleo não tinha capacidade para aguentar a demanda e que cerca de 50% do combustível consumido era importado.

Não iriam acreditar que com a matéria-prima existente no tal país, como era possível existirem estradas descartáveis.
Alem desta triste sobrevivência, eles procurariam entender a razão da nossa existência. Como eles nasceram? Como sobreviveram? E acima de tudo estou certo que iriam colocar a questão final: De que planeta era este povo??? Esta seria …. Outra Maka Mais!!!

Enviado por e-mail anónimo

terça-feira, maio 22

Eduardo dos Santos prepara a compra de um avião de luxo


O Presidente angolano quer um novo Boeing, um verdadeiro palácio dos ares, repleto de pormenores e requinte. A operação envolve a petrolífera Sonangol.
Cadeiras feitas à mão rebatíveis e insufláveis, avaliadas em mais de 100 mil euros, jacuzi, um sistema de Karaoke e uma área de conferência são alguns dos previsíveis requisitos do futuro avião presidencial angolano. O modelo 767-400 da Boeing é o predilecto de José Eduardo dos Santos, um sonho que tem um custo: 100 milhões de euros.
O gabinete do chefe de Estado africano justifica a compra: "Pagamos 800 mil dólares para suportar os custos operacionais e técnicos sempre que alugamos uma aeronave, o que é incomportável", diz ao Expresso o porta-voz da presidência, Aldomiro da Conceição.
(foto de JES retirada de Blog Alto Hama)

segunda-feira, maio 14

O Eco dos Musseuqes

Caríssimos,
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Vejam a que ponto chegamos!!! O estado lastimoso das vias e reparem bem na foto em que o homem esta a beber água putrificada. A sede e o calor que se fazem sentir na capital do Pais é tanta, que o homem não teve alternativa senão saborear o prestimoso liquido que a muito faz falta em diversos lares.
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Façam uma reflexão sobre a situação em que nos encontramos...
A nossa cidade degrada-se a uma velocidade alarmante, aos olhos de todos e atitude de ninguém.
A falta de educação e de civismo, o estado de "stress" (a palavra da moda que anda na boca de toda gente), faz com que nos tornemos todos "doentes mentais" capazes de conviver com esse drama... sim, porque o que acontece é que no fundo, apesar de reclamarmos tanto, nada fazemos para mudar, porque adaptamo-nos aos problemas e só um demente é capaz de viver nestas condições... Se aquele "buraquinho" na estrada a principio era inconsequente, a cratera que surgiu com o desgaste do asfalto, com as águas, etc e tal, torna-se um obstáculo difícil de transpor, mas com jeitinho, mesmo a reclamar, haveremos de passar, ou então, o melhor será mesmo comprar um carro mais alto e com tracção às 4 rodas...
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Meus caros amigos, Luanda está a morrer, e nós os seus habitantes estamos a ir com ela!!!
É inconcebível! Não se consegue viver assim! Por melhores condições que se possa criar, ter um bom carro, um gerador, uma casa bem mobilada, enfim... Basta sair de casa para ver este cenário que vemos nas fotos (em baixo), Qualquer dia não há diferença entre a baixa e o musseque!
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Estou IRRITADO, CHATEADO, MAL DISPOSTO! O que andam a fazer as classes governantes??????????
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A situação que estão vivendo os desfavorecidos pobres está na iminência de ser ser para todos. Ninguém vai escapar com esta degradação acelerada do nível de vida dos angolanos. Ainda há quem tenha coragem de dizer que o país está a evoluir, a economia está a crescer, e nós somos ricos. Confundimos riqueza natural (que nós não usufruímos os seus benefícios) e riqueza de benefícios como acontece com os países desenvolvidos (sem recursos naturais.). Saibam que a melhor riqueza de um pais é o HOMEM, e este homem está a beber esta água imunda... Qual será a situação sanitária dele? As imagens são chocantes e revoltantes!
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Que Deus nos acuda nesta terra onde o diabo fez moradia.
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Se não é a água, é o estado das vias, e a energia da Edel é ainda pior!!! Estamos a "morrer" aos poucos!
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Enviado por e-mail anónimo

SEM PALAVRAS













domingo, maio 6

Como se fazem obras em Angola.

Um governador provincial queria construir uma ponte e, para esse efeito, foi aberto um concurso público.

Concorreram três empreiteiros: um Chinês, um Português e um Angolano:

Proposta do Chinês: 3 Milhões de Dólares.
- 1 Milhão pela mão-de-obra;
- 1 Milhão pelo material;
- 1 Milhão para lucro.

Proposta do Português: 6 Milhões de dólares.
- 2 Milhões pela mão-de-obra;
- 2 Milhões pelo material;
- 2 Milhões para lucro.

Proposta do Angolano: 9 Milhões de dólares.
-"Nove Milhões?", admirou-se o Governador provincial? É demais! Porquê tanto?"
Respondeu o empreiteiro Angolano:"? simples":
- 3 Milhões para mim;
- 3 Milhões para si;
- 3 Milhões para o Chinês fazer a obra...

"Enviado por e-mail anónimo."

quinta-feira, abril 26

Os ricos de Angola

Espero sinceramente que esta crónica pareça completamente ridícula daqui a meia dúzia de anos.

Trata-se de uma crónica que tem por tema a inauguração com a presença do Presidente da República!

Num país minimamente desenvolvido, com um saudável sistema de economia de mercado, a inauguração de um novo Centro Comercial representa, quando muito, uma notícia relevante para o bairro onde o mesmo se situa.

O facto de um tal acontecimento nos entusiasmar tanto (a mim entusiasma) diz bem do lamentável atraso em que nos encontramos – é o espanto do camponês ao ver pela primeira vez uma televisão (ou, ao invés, do menino da cidade diante de uma galinha).

Daqui a meia dúzia de anos espero, pois, que a notícia da inauguração de um centro comercial já não alvoroce ninguém.

Olhando para trás haveremos todos de sorrir, com certa auto-ironia, ao lembrarmo-nos do tempo em que não havia em nenhuma cidade angolana um bom cinema, com filmes actuais, ou sequer uma boa livraria.

Nessa altura o Presidente da República, quem quer que seja, há-de estar a inaugurar grandes bibliotecas públicas, bons hospitais, auto-estradas, escolas em bairros carentes, e então nós teremos orgulho nesse Presidente da República.

Os nossos ricos – por falar em centros comerciais – são igualmente reveladores do terrível atraso em que três décadas de guerra, corrupção e incompetência deixaram o país. Não temos ainda ricos como os ricos dos países ricos.

Os ricos dos países ricos são charmosos e elegantes. Praticam musculação em casa, uma hora por dia, com a ajuda de um personal trainer, e ainda lhes sobra tempo para o Ioga, a escalada, a esgrima, ou a equitação.

Os nossos ricos, esses, luzem de gordura. Acham que assistir ao futebol, sentados num sofá, é a forma mais confortável de fazer desporto.

Os ricos dos países ricos morrem de velhice perto dos cem anos.

Os nossos sofrem crises de malária e morrem vítimas de doenças ligadas a maus hábitos alimentares, como os pobres dos países ricos, antes dos setenta.

Os verdadeiros ricos têm no escritório uma tela de Miró ou de Picasso.

Os nossos têm uma fotografia do Presidente da República a inaugurar centros comerciais.

Os verdadeiros ricos coleccionam a grande arte do nosso tempo – Paula Rego, David Hockney, Portinari, Basquiat, etc..

Os nossos ricos coleccionam "arte africana", o que quer que isso seja, comprada muitas vezes nos mercados populares.

Os verdadeiros ricos assistem em Londres ou em Nova Iorque a concertos dirigidos por grandes maestros.

Os nossos assistem em Luanda a desfiles de misses.

Os ricos legítimos almoçam num dia com Mário Vargas Llosa, em Paris, e no outro com Barack Obama, em Washington.

Os nossos almoçam com o Pierre Falcone em algum recanto escondido.

Os verdadeiros ricos lêem o Times Literary Suplement e a New Yorker.

Os nossos lêem a "Caras", na versão nacional, e sorriem felizes de cada vez que encontram o próprio rosto (encontram sempre, é inevitável) iluminado por uma aura de gordura. Resumindo: os nossos ricos são uma fraude. São tão duvidosos, enquanto ricos, tão refutáveis e mal-amanhados, quanto eram enquanto comunistas. Precisamos, urgentemente, de novos novos ricos. Ou então resignamo-nos a que estes envelheçam. Porém, como disse antes, receio que a maior parte morra antes de envelhecer decentemente.
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By:
José Eduardo Agualusa

quarta-feira, abril 18

A CAVERNA E NOSSA SOCIEDADE

A metáfora narrada por Platão em "A Republica", cheia de mitos, foi criada para compreendermos a realidade em que a humanidade se encontra, ou seja, estamos sujeitos às sombras e vê-las como a verdade.

Em seu livro ele relata um grupo de pessoas que vivem no fundo de uma caverna, todos foram presos na infância, imobilizados por correntes, sentados de costas para a entrada da caverna, sem poder se moverem olhando sempre para o fundo da caverna. Assim como a sociedade atual, o povo do subterrâneo tem a sua existência dominada pela ignorância, se contentando com a luz projetada nos objetos, que formam sombras que surgem e desaparecem diante de seus olhos. As pessoas precisam sair da caverna para chegar a um conhecimento superior, abrindo a mente para novas experiências, para novos horizontes, podendo assim crescer interiormente e politicamente.

Mas com isso Platão nos mostra como é difícil e doloroso chegarmos ao conhecimento, se formos libertados e arrastados para longe de nossas cavernas, nos sendo obrigado a percorrer caminhos indefinidos, para romper a ignorância. Em primeiro instante a luminosidade não nos permitira enxergar nada, nesse instante não iríamos conseguir capturar nada em sua totalidade, a princípio, entenderíamos as sombras, porém com a persistência, finalmente poderemos ver os objetos em sua totalidade, com perfis definidos, conseguindo distinguir os próprios seres.

Mas esta nova etapa não consiste apenas em descobrir, mas ir à busca de algo superior, como contemplar idéias que regem as sociedades, conhecendo a verdade e reunindo a inteligência, a moral e a lógica. Assim logo compreenderíamos que as sombras, as quais estamos acostumados, são as coisas que consideramos reais, e que a luz são as idéias verdadeiras, o conhecimento verdadeiro. Assim notamos a passagem da ignorância para a opinião e depois para o conhecimento. Podendo contemplar as idéias, tornando-se apto para descobrir que a luz representa a razão.

Então quando voltamos para a caverna, nossos antigos companheiros que continuaram na escuridão da caverna, zombariam de nossas idéias, pois imaginam que o mundo que conhecem é o único mundo verdadeiro e o pior, não querem se livrar dele, isso porque estão presos a um método incorreto de ver a realidade e só conhecem aquele mundo. Imaginam essa pessoa como um egocêntrico, um extravagante, ou um doido como foram considerados a maioria dos pensadores.

Mas se alguns o ouvissem, e também decidissem sair de suas cavernas rumo à realidade, não haveria tanta desigualdade, os sábios não devem apenas socializar os conhecimentos, mas devem sim, ser chamados as regências das sociedades. O homem justo em nada difere do estado justo, a mesma moral para o homem e o Estado prudência, coragem e temperança.

O governo das cidades cabe aos mais instruídos e a aqueles que manifestam mais indiferença ao poder, pela simples razão de serem os únicos a vislumbrar o belo, o justo e o bem. Aquele que vê o bem em sua essência vive na realidade. O verdadeiro líder é aquele que conduz sua alma racionalmente para se dirigir ao bem verdadeiro, utilizando à energia do amor, podendo assim compreender a justiça, a honra, a fidelidade, ou seja, todas as virtudes supremas.

Bibliografia:
Platão, A Republica. Supervisão editorial Jair Lot Vieira. Bauru - 2001
Chalita, Gabriel. Vivendo a Filosofia - Filosofia antiga 1. São Paulo - Minden - 1998
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Por:
RENATO RIBEIRO VELLOSO (renatov@ajato.com.br) – Pós-graduado em Direito Penal Econômico Internacional, pelo Instituto de Direito Penal Econômico e Europeu da Universidade de Coimbra, Portugal, cursando MBA em Economia e Direito do Sistema Internacional, pela Universidade de São Paulo – USP, e co-autor do livro “Crimes Tributários e Econômicos”, pela Editora Quartier Latin do Brasil.