domingo, julho 6

Os estrangeiros...

Sou Angolana de nascimento, vivi 20 anos em Angola e esse é um País que eu amo e nunca sairá do meu coração. Não gosto de ouvir falar mal do meu País e muito menos do seu povo. Incomoda-me, irrita-me. Não consigo perceber as pessoas só vão trabalhar para Angola por causa do dinheiro. Não gostam do seu povo, das suas gentes e só são simpáticas e cordiais para angariar simpatia, essa simpatia chega ao ponto de abrir as portas de sua casa para ganhar confiança. Falam constantemente em corruptos e na facilidade em corromper.
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Dão-se ao luxo até de dizer quem corrompem, com nomes e tudo. Acham que somos tudo um bando de ignorantes, mesmo aqueles que se formaram, dizem que são um povo sem cultura geral e que têm cursos tirados à pressão nos países como Cuba, Rússia e África do Sul. Que é amigo de um chefe da policia em Luanda e que tem as costas quentes. Que ele não passa de um tolo que engraçou com o branco que até é simpático e sempre cordial. Que na DEFA consegue subornar que os vistos anteriores foi uma tal de (Dona) que ele dava gasosas que trazia de Portugal, livros de Direito, carteiras de peles etc... Agora diz que arranjou alguém com um posto bem alto que tem poder de decisão nos vistos para lhe dar um novo visto de trabalho diz que o visto desta forma sai…
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Em Maio ouvi isto tudo de um (senhor) que a Portugal tratar dos papéis e que até na embaixada tinha conhecimentos novos. Antes telefonava a um tal de (senhor) mas que este era mais vantajoso e melhor relacionado. Que o visto da maneira como ele está a tratar com tanta gente envolvida era certinho, mais quatro anos só a lucrar e depois logo vê se vale a pena continuar. Eu pergunto como é possível alguém que só tem o sexto ano de escolaridade permanecer como vendedor e ridicularizar o povo Angolano quando vem de férias. Como podem aceitar pessoas assim que não dignificam o País que os acolhe. Esse senhor esteve em Maio em Portugal para pedir um novo visto de trabalho.
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Quero ouvir falar bem do País onde nasci, cresci e fui feliz. O povo merece o melhor e não gente que não lhes dá o devido valor e os trata como imbecis.
Adorava nunca mais ouvir falar desta forma do meu povo da minha gente.

Obrigada pela sua atenção.
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Por: MARIA FERREIRA

sexta-feira, junho 13

Pesquisa Fracassada...

A ONU resolveu fazer uma pesquisa em todo o mundo.
Enviou uma carta para o representante de cada país com a pergunta:

"Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".

A pesquisa foi um grande fracasso. Sabe porquê?

Todos os países europeus não entenderam o que era "escassez".
Os africanos não sabiam o que era "alimento".
Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre o que era "opinião".
Os Portugueses mal sabem o significado de "por favor".
Os norte-americanos nem imaginam o que significa "resto do mundo".
A assembleia Angolana está até agora debatendo o que é "honestamente".
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Enviado por: Anónimo

sexta-feira, maio 30

Um Desabafo Diferente

Angola entre os países mais pacíficos do mundo

O fim da guerra, a estabilidade política e realização de eleições permitiram a Angola tornar-se num dos países que mais subiram na tabela dos mais pacíficos no mundo em 2008.

A tabela, organizada conjuntamente pelo grupo de reflexão Instituto de Economia e Paz e pela Economist Intelligence Unit, destaca além de Angola, a Indonésia, Índia e Uzbequistão como os países que mais pontos positivos acumularam.

O estudo, que teve a primeira edição em 2007, somente com 121 países, é este ano liderado pela Islândia, que substituiu a Noruega como o país mais pacífico do mundo, de entre os 140 Estados considerados.

In: http://www.rna.ao/canala/noticias.cgi?ID=20932
Gentilmente cedido por: Vânia Mendes

terça-feira, maio 13

HORROR DO VAZIO

Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. Não é forçosamente para amealhar umas comissões, como imediatamente pensam os nossos cérebros borrados de preconceitos, embora uns tantos aproveitem. Nada de novo, afinal: o mundo está cheio de processos por causa do imobiliário e o cinema e a literatura até já esgotaram o tema. O que me preocupa é muita gente estar sinceramente convencida que isso é que é bonito e assim é que será viver bem. Têm horror ao vazio que nas suas cabeças significa uma praça, um jardim, um parque, um desperdício de espaço que ficaria melhor com uma torre no meio (antes dizia-se arranha-céus, mas reconheço o exagero americano ao inventar o termo, porque os céus não têm costas, são da natureza dos anjos, e ninguém imaginaria um edifício a arranhar as costas de um anjo). Torre é melhor, lembra logo aquelas construções onde se enfiavam os prisioneiros para morrerem lentamente, como a célebre Torre de Londres, ou onde se aninhava o povo da Europa medieval para se defender de ataques. Torre sim, pois os seus utentes/prisioneiros vivem no medo de sair à rua, de viver a cidade, enclausurados e protegidos da miséria que espalham à volta de si.

Queixamo-nos do trânsito na baixa da cidade (não só na baixa, sejamos justos) e nem sempre escapamos de lá cair, porque ali está concentrado mais de metade do capital financeiro e dos serviços do país. E querem fazer mais torres, para atrair mais gente e mais carros? Que as torres vão ter parques de estacionamento, dizem os defensores das ideias futuristas. O problema é entrar ou sair dos parques, porque as ruas estão atulhadas de carros. Claro que há uma solução do mesmo estilo: fazer as ruas da baixa com andares, género auto-estrada em fatias sobrepostas, ou até com viadutos por cima dos prédios, a arranharem as nuvens. Isso seria um arranhanço útil. E já agora peço, façam um túnel por baixo da baía ou uma ponte a ligar o bairro Miramar à Ilha, assim chegamos à praia em cinco minutos, como era há vinte anos atrás. Como de todos os modos a ideia geral é dar cabo da baía e da Ilha, também tanto faz, mais ponte menos ponte… Suponho também que já deve haver negociações para se tirar a Igreja da Nazaré do sítio onde está, a ocupar indevidamente um espaço nobre para mais uma torre. Uma pequena concessão não fica mal, mantém-se a igreja na cave do edifício. A História que se lixe, não foi a lição da destruição do palácio de D. Ana Joaquina? Então continuemos. Neste afã de ocupar todos os espaços, proponho também acabar com o prédio dos correios, bem feio e sem valor arquitectónico por sinal, e já agora com a praceta à sua frente, outro desperdício de espaço. E aquele compacto e azul edifício que serve a polícia? Um quarteirão inutilizado! A polícia pode ocupar um andar da nova torre. Com menos agentes, claro, para se fazer encolher o Estado, assim mandam os compêndios do liberalismo económico, nossa nova Bíblia.

Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.
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Por: Pepetela

domingo, abril 27

GOVERNO ANGOLANO ORDENA FECHO DO ESCRITÓRIO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU

O Governo angolano intimou o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas em Angola a encerrar os seus serviços até fins de Maio próximo.

A revelação foi feita à Ecclesia pelo chefe do Escritório da ONU em Angola, Vegard Bye, que não deixou de estranhar a medida numa altura em que o país toma parte do Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Vegard Bye ressaltou a existência de um processo largo de negociação para estabelecer um acordo entre o Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas e o Governo de Angola. “Até Dezembro do ano passado eu estive muito optimista porque parece que estávamos muito perto de conseguir um acordo. Infelizmente não foi possível e a 4 de Março o Ministro da Justiça comunicou oficialmente à Alta Comissária, em Genebra, que o Governo não considera pertinente assinar este acordo e por essa razão o escritório aqui tem que fechar”disse.

Para Vegard Bye, a decisão do Governo contraria de algum modo a sua posição assumida no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

“Angola quando entrou para o Conselho de Direitos Humanos, mostrou justamente a vontade de manter um engajamento activo com o sistema internacional de Direitos Humanos, inclusive, a cooperar com o escritório de direitos humanos aqui em Luanda para mostrar, e este foi sempre o meu apelo ao Governo, para mostrar ao mundo e sobretudo à região africana que aqui há um Governo que apesar de não cometer violações massivas aos direitos humanos, quer ter uma colaboração e acompanhamento, dar o espaço para a comunidade internacional acompanhar o Governo neste processo e ao mesmo tempo ir construindo e aprofundando o sistema de direitos humanos em todo o país”.

No entender de Bye, existem várias violações de direitos humanos em Angola, sendo as mais flagrantes as dos direitos económicos e sociais.

“A violação mais importante aqui em Angola e em geral em África é a violação dos direitos socioeconómicos e sobretudo o facto de Angola ser o país com o maior crescimento económico do mundo. Isto contrasta com alguns dados por exemplo de Angola ser o segundo país do mundo em mortalidade infantil. Aí está um desafio principal de realmente assegurar os direitos básicos da população à saúde, à educação e à segurança social”, acrescentou o ainda chefe do escritório da ONU em Angola.

O “Apostolado” apurou que Vegard Bye deixa já Angola no fim desta semana, apesar do Escritório de Direitos Humanos funcionar até finais Maio. Também apurou que no princípio da próxima semana deverá chegar a Angola uma comissão do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
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Artigo gentilmente cedido por Vania Mendes

segunda-feira, abril 14

“A senhora vai engravidar hoje mesmo”, garante pastor... Quando a fé caminha para publicidade enganosa

Uma senhora que, supostamente, anda aflita tanto quanto o marido, pelo facto de o casal não conseguir procriar, telefona para o programa da Igreja Universal do Reino de Deus, emitido pela Rádio privada em Benguela, na manhã de 27/09. O pastor, confundindo os seus limites e numa clara manifestação de ignorância, “atira à queima-roupa”: «A senhora vai engravidar hoje mesmo! Vou escrever seu nome no travesseiro sagrado».
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Já não sendo a rádio a via mais aconselhável para consultas a esse nível, no seu característico sotaque brasileiro, o pastor nem sequer procurou saber de eventuais antecedentes de problemas de saúde, se a mulher está no período fértil e muito menos se o marido está presente. Será que a fé do pastor é determinante para o surgimento de uma gravidez na data em que ele, o pastor, pretende?

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Pouco tempo depois, liga uma menina do Lobito cuja mãe andará com as pernas inflamadas há uma semana. Sem se dar conta, o megalómano das soluções instantâneas incentiva a violência: «Lançaram mau olhar sobre ela, alguém que quer tirar vida à sua mãe. A tendência é derrubar a sua mãe e atingir os filhos. Compareça na nossa Catedral da Fé, junto à identificação, no Lobito, a partir das 17 horas».

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“Será que este pastor estudou?”, reage indignado um estudante do Instituto Industrial que vinha no Hiace do Lobito. “Tira esse boateiro!”, exigiam os demais passageiros, cujo pedido entretanto é chumbado por outros que, ou gostavam da mensagem, ou viam nela uma anedota “agradável” para começar o dia.
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Gociante Patissa

domingo, março 30

UM POUCO DE LUZ

Chega ao fim o segundo mês de 2008 e com ele a vontade de continuar a escrever. Espero que desta vez seja para ficar com alguma regularidade aceitável.
O país soma e segue com sinal mais na estabilidade macroeconómica e no crescimento da economia. A estabilidade política vai sendo uma realidade. Com o anúncio das eleições legislativas para 5 e 6 de Setembro, os partidos políticos vão arrumando a casa para estarem prontos.
Nesse capítulo especial, precisamos aprender com os erros de 1992 e os acontecimentos recentes do Kenya. Quando líderes sem escrúpulos querem satisfazer os seus desejos sem medir meios, o povo paga muito caro. Então, que haja um esforço concertado e elevado para termos um pleito eleitoral de que nos possamos orgulhar é o nosso voto.
Atenção aos líderes predadores. Como se diz por cá «o sandji yomeke yipayela ava valya!!!»
Até breve!!!
Upindi Pacatolo
In: http://upindi.blogspot.com/2008/02/um-pouco-de-luz.html

quinta-feira, março 27

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Fonte: Jornal de Notícias

sábado, março 8

Crianças condenadas a morrer


É notícia num jornal diário gratuito de Londres 'METRO'.
Repassem este email para que chegue até Angola, se possível ate aos gabinetes dos menos desinteressados governantes angolanos.


Diz-se que a economia do País está a crescer, então o porquê de não haver melhorias? Resumindo o que dizem as notícias, para aqueles que não percebem Inglês, a notícia em que está a foto de 1 senhora com o balde de água as mãos diz:
“Rosalin Epembe de 42 anos de idade teve 8 filhos, 2 deles faleceram. Todos os dias ela é relembrada das desigualdades económicas .(em 1000 crianças 260 morrem, mais 162 mortes do que devia)
Ela vive no Mussulo, praia arenosa literalmente com casas de luxo e aos fins-de-semana acomodando playboys ricos que muitas vezes são ouvidos fazendo corridas quer de motas ou jet skis. Rosalin não pode custear a viagem para a cidade todos os dias em busca de água potável por isso ela tem de tirar água salgada do solo (chão). Ela diz que 'muitas vezes os meus filhos a noite têm dor de estômago e não conseguem dormir', acrescentando ainda que 'quase todos os dias morre uma criança aqui no Mussulo devido a diarreia'. Também diz que a criança sobreviveria se os pais podessem custear o pagamento dos tratamentos e se o posto médico tivesse os remédios necessários; 'o hospital é pequeno e só para os primeiros socorros. E se uma criança fica doente eles não têm os devidos medicamentos, especialmente se for a noite. Terás de pagar e as pessoas não têm dinheiro.

Quanto ao artigo 'Children doomed to die', quer dizer 'Crianças destinadas a morrer'... resume-se que; Esforços para reduzir o número de mortes de crianças no mundo em desenvolvimento está destinado a fracassar. Países como Angola, rico em petróleo, merecem ser apontados para criticas devido o continuo fracasso. Diz ainda que em Angola a taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos e' de 260 em 1000, que é 162 vezes mais (mortes) do que devia ser pelo tamanho da economia do País. Angola é o pior país do mundo, seguido logo pela Serra-Leoa."

É triste a nossa Angola, e ainda fartamo-nos de ouvir que as crianças são o futuro do Pais... será?
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Enviado por Dra. Nerika

sexta-feira, fevereiro 22

A polémica sobre a música de Dog Murras

Estimados leitores,

Não me é possível atestar a autenticidade do artigo que a seguir divulgo. Ele circula na internet como sendo da autoria de Tchizé dos Santos, jornalista e filha de José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola.

O artigo, segundo pude perceber, foi publicado pela autora com a pretensão de crítica a uma música do cantor angolano, Dog Murras, um “ku Duro” com uma letra que me parece, de certa forma, hostil mas que não fala mentiras e que num Estado de Direito e Democrático não levantava tanto sururu.
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Entre tanto alguém que, tal como eu, percebeu a intenção de Tchizé dos Santos, respondeu a autora em mail que também circula na internet e juntamente público aqui.
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Artigo de Tchizé dos Santos em Resposta à Música do DOG MURRAS.
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Ouvi recentemente a polémica música do cantor Dog Murras e como jornalista, não pude ficar indiferente à sua letra.
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Creio que o Dog Murras canta algumas verdades, mas como figura de referência que é, não devia fomentar a desunião e a frustração que todo o povo angolano vive, no anseio por uma Angola reconstruída e totalmente recuperada da guerra, onde todos os nossos filhos possam ir à escola e onde já não teremos as ' diarreias ' de que ele fala e que todos nós já tivemos. Mas o próprio Dog Murras há de saber que não se constrói um país em 5 anos, nem em 10.
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Ninguém gosta de ser relembrado que vive num país com dificuldades, estradas esburacadas, paludismo e outros problemas, aos quais estão expostos TODOS os angolanos, RICOS E POBRES. Todos passamos pelos mesmos buracos e todos sofremos no mesmo trânsito no dia-a-dia, Ricos e Pobres. E todos continuamos a amar a nossa Angola, Ricos e Pobres.
Temos é que trabalhar UNIDOS por uma Angola melhor e por um futuro melhor para os nossos filhos, ricos ou pobres. E para esquecer as “malambas” , então juntamo-nos ao fim-de-semana e dançamos os Kuduros do momento que geralmente, esperamos que nos entretenham e nos façam esquecer os problemas, ao invés de nos frustrar ainda mais.
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É preciso entender que os obstáculos fazem parte do percurso e que os ' engraxadores ' , ' bajuladores ' , os “Kotas Bosses” , e outros delinquentes do colarinho branco, existem em todas as sociedades e passam por cima de outros cidadãos, ricos ou pobres . É o dia-a-dia da batalha pelo ganha-pão. A discrepância social infelizmente é um mal global que temos que combater, JUNTOS, e não desunidos e odiando-nos uns aos outros e fomentando o ódio, ou criando bodes expiatórios como os emigrantes estrangeiros ou os ricos, que na sua maioria um dia também foram pobres.
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O problema é que infelizmente alguns “pseudo-novos-ricos” angolanos esquecem as suas origens e querem passar por cima do seu vizinho que saiu do mesmo bairro e acham que têm direito a tudo na lei da força. Isto é que tem que acabar, pois o dinheiro e o poder não identificam um ser humano. Os seus valores sim o caracterizam, fazendo dele um bom ou mau angolano.
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Também acho que os Chineses não têm culpa da nossa herança histórica que traz consigo poucos quadros angolanos capazes de fazer as obras que eles fazem com aquela rapidez.
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O que seria melhor? Não fazer as obras porque não sabemos fazer bem e rápido, ou chamar expatriados que façam bem e aprender com eles a fazer melhor ainda? Temos que ser humildes e reconhecer que Angola é um país novo no qual TODOS estamos a aprender como se constrói uma economia de mercado forte. Ninguém nasce ensinado.
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Agora coloquem-se no lugar do Chinês, Francês, Brasileiro, etc... Quem trabalha de graça na terra dos outros? Claro que os expatriados têm de ser recompensados por irem para a nossa terra dos buracos, do paludismo e da poeira, como diz o próprio cantor, que aliás é um compositor genial.
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Creio que os senegaleses, zairenses e malianos também não podem ser culpados da nossa falta de competitividade, ou inexperiência natural de um país com 32 anos, que os deixa vencer a concorrência nos nossos próprios mercados. E por fim, os portugueses não têm culpa do facto de gostarmos tanto de comer o seu chouriço, bacalhau com natas, Sumol de ananás e cerveja Sagres, em vez valorizarmos a nossa CUCA e Nocal e o Yuki, ou a chikaungua da terra nas festas e bailes onde agora finalmente já dançamos as músicas dos nossos cantores e compositores sem vergonha.
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Conclusão, temos que trabalhar, pois ser empregado não é vergonha, ser pobre não é vergonha. Trabalhar até de madrugada não é vergonha. Vergonha é ser-se arrogante, ser-se fraco e baixar a cabeça quando um obstáculo se nos impõe. Vergonha é ficar a lamentar os problemas de braços cruzados. E o Angolano não é fraco. O angolano não é violento. O angolano é orgulhoso, mas também é lutador. E com o seu jeitinho, vai resolvendo os problemas. Sejamos unidos, ouçamos as críticas do Dog Murras, sem entretanto interpretá-las como um estímulo ao racismo, nem à desunião dos angolanos, pois com certeza não é essa a intenção do poeta. Enfrentemos a nossa realidade de frente e sem hipocrisia, mas creio que Angola não é dos Chineses, nem dos portugueses e nem dos brasileiros. Angola é mesmo dos angolanos! E nós temos que nos instruir, temos que batalhar e ganhar experiência de trabalho para não nos deixarmos enganar pelo senegalês, brasileiro, português, francês, inglês, chinês na nossa própria terra, pois a ignorância é o maior inimigo do homem e o esclarecimento a melhor ferramenta para o sucesso.
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Por: Tchizé dos Santos
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A resposta…
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“O artigo anda na net...mas tenho dúvidas quanto á sua putativa autora. Por um motivo simples: ela, intitulando-se jornalista, tendo feito estudos em Portugal e Boston , não poderia escrever uma matéria tão fraca e com um português tão medíocre...
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Há ainda um outro motivo pelo qual duvido: sendo filha de quem é, decerto os inúmeros assessores de que dispõe a desaconselhariam a escrever uma matéria tão "precipitada" como esta. Mas adiante: seja quem for a(?) autora (o?) deste texto , há coisas que não se podem engolir e calar. Fervem cá dentro e mexem com o sangue de qualquer mortal que se considere decente.
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Para inicio de conversa, a música do Dog Murras não canta algumas verdades. Canta a verdade! E como qualquer verdade tem o mérito de desagradar ao regime, eis aqui uma defensora das causas impossíveis.
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Desde quando a verdade promove a desunião e a frustração de um povo?!!! Não é a música dele que nos causa desunião e frustração. A desunião é-nos causada pela verificação diária de que uns são filhos e outros nem enteados são; que uns andam nos buracos em cima dos Prados, BMW e Hummers e os outros, a MAIORIA, andam nos buracos a pé sem saber onde aqueles primeiros foram buscar o dinheiro para comprarem aqueles carros quando aos outros falta para o pão-nosso de cada dia.
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E a frustração é causada pela facilidade com que uns têm e ostentam uma riqueza acabada de chegar não se sabe de onde e os outros, a maioria, morre de doenças que já tinham sido erradicadas no País.
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Não se constrói um País em cinco nem em dez anos. Mas o mesmo não se pode dizer das fortunas dos RICOS recém-formados.
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Em 32 anos de independência destruiu-se um País e edificaram-se fortunas colossais à sombra dos poderes instituídos e tolerados pela maioria.
Ninguém gosta de ser relembrado (?) - sic - que vive num País com dificuldades, estradas esburacadas, paludismo e outros problemas, mas só uns conseguem esquecer: os RICOS.
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Sim, temos que trabalhar unidos. Aqui cabe uma célebre frase que ouvi há anos: quando alguém nos diz que estamos todos no mesmo barco, invariavelmente ele quer que nós rememos e ele fica ao leme...
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Os delinquentes de "colarinho branco" existem em todas as sociedades. Sim. Em Angola são protegidos pelo sistema, fazem parte dele e da tal elite que se acha RICA.
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E uma angolana tão veemente na defesa dos nossos valores não pode humilhar-nos assim...Temos 32 anos de independência. Angola patrocinou milhares de bolsas de estudos. Portanto temos quadros capazes de ombrear com os chineses, portugueses, brasileiros, franceses...Onde eles estão?!!! Subaproveitados. Quem manda vir os estrangeiros ao abrigo de acordos que ninguém sabe e ninguém vê, ganha com a vinda deles e perde muito se aproveitar quadros nacionais. Vejam as estradas construídas pelos brasileiros e as lições de competência que os engenheiros angolanos têm vindo a dar nas suas críticas e sugestões...
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Discrepância social não é um mal global coisa nenhuma. É um mal dos Países atrasados e corruptos. E essas discrepâncias são mais gritantes em Angola porque, os RICOS, os tais que chegaram à meta sem mesmo correrem, enchem a boca dizendo que somos um País rico, que atingimos índices de desenvolvimento únicos no mundo. O povo ouve, pára, olha e pasma. Cadê o tal de desenvolvimento?!!!
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Falta de competetividade?!!! Nós, angolanos?!!! Somos competitivos. Singramos lá fora no estrangeiro sem as asas protectoras de regimes corruptos e nauseabundos. Dentro do nosso País é que nada podemos fazer, pois os "grandes" preferem beneficiar os estrangeiros. Afinal, eles nunca lhes poderão fazer frente, pois não?!!!!!
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E chamar GENIAL a um compositor como o Dog Murras...haja paciência. Genial?!!! A autora não pode saber o significado da palavra. Que é um compositor (??) da moda, que faz música que a juventude gosta, que é nacionalista, que promove a imagem de Angola ...concordo. Mas GENIAL?!!!!! Haja Deus!!!!!!!!! E haja paciência.
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Assessores precisam-se!!!!
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Por: Anónimo"

segunda-feira, fevereiro 18

Escritor angolano recebe prêmio em Portugal


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Imagem gentilmente cedida pela Sra. Margarida Castro

domingo, fevereiro 10

MÁ GOVERNAÇÃO, ARROGÂNCIA E OSTENTAÇÃO SÃO OS PECADOS CAPITAIS DO MPLA

Entrevista do Semanário Angolense:
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"Luanda - O próximo ano poderá ser de grandes decisões políticas no país. Para medir a pulsação ao que aí vem, o Semanário Angolense deu a palavra a Paulo de Carvalho. na visão deste reconhecido siciólogo, tudo indica que o período de campanha eleitoral, em 2008, venha a ser um período relativamente difícil. .
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Se por um lado os angolanos pouco reivindicam quando devem e vão por isso aproveitar o período de campanha para tentar sarar várias feridas, por outro os partidos políticos têm ainda dificuldade em separar o interesse nacional dos seus próprios interesses.
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Um aspecto positivo a destacar tem a ver com o adiamento das eleições, por algum tempo, após o termo da guerra. "Posso hoje considerar tratar-se de um acto de coragem e de sensatez, pois mais do que quaisquer eleições, era preciso garantir que não haveria retorno à guerra. Mas vai finalmente haver eleições, sendo de recomendar aos políticos dos vários lados que façam o seu trabalho e cumpram a sua missão, mas com alguma contenção", recomendou.
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Para si, é preciso ainda que "os «mais pequenos», que têm muito pouca probabilidade de chegar ao poder, não utilizem o período eleitoral para fomentar a violência e procurar tirar daí algum benefício".
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SA – Os nossos partidos estão, de facto, preparados para o jogo democrático?
PC – Para ser franco, acho que a maioria dos mais de cem partidos políticos angolanos não está preparada para qualquer jogo democrático. Aliás, podemos facilmente constatar que na esmagadora maioria dos partidos políticos de Angola não existe internamente democracia. Portanto, se eu não tenho democracia em minha casa, como a poderei transportar para fora de casa? Se eu demonstro não ter capacidade para ouvir os demais a um nível restrito, como o poderei fazer num nível muito mais alargado? Tem mesmo de haver eleições, para que diminua o número de partidos políticos e para que aqueles que sobrevivam (partidos políticos e coligações) fomentem as suas ideologias e criem os seus programas.
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SA – Como poderão sobreviver aqueles partidos que não aparentam qualquer base ideológica, sem uma linha de pensamento político definida?
PC
– Um estudo que fiz em 2006, com os doutores Víctor Kajibanga e Mário Pinto de Andrade, demonstra que os partidos políticos angolanos se encontram livres de alinhamento ideológico. O Mpla deixou de ser de esquerda, sendo agora um partido de massas, que pretende albergar todas as sensibilidades. Mas o seu programa de governo situa-se agora naquilo que podemos considerar centro-direita.
Já a Unita continua sendo um partido de massas, não se lhe conhecendo qualquer programa de governo. Quanto aos demais, a conclusão genérica é de não haver alinhamento, pois o fundamental para eles é conseguir-se uma fatia do poder, podendo o alinhamento ideológico dificultar essa pretensão.
Claro que há algumas excepções: por exemplo, a FpD (um partido de quadros, dos poucos com base claramente estratificada) assume-se como partido político de centro-esquerda. Já para responder à sua pergunta, parece-me que a ausência de linha ideológica não dificulta a existência de qualquer partido político em Angola, visto essas agremiações existirem com base noutros critérios de natureza sociológica. Não nos esqueçamos que não existe tradição democrática em Angola. Aliás, no caso actual de Angola e vista a coisa de forma simples, o alinhamento ideológico pode inclusivamente retirar alguns votos aos partidos políticos.
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SA – O que irá pesar mais para a decisão do voto – a afectividade, a identificação de ideias com um determinado partido ou a mensagem social e económica que os partidos fizerem passar?
PC – Não me parece que sejam os ideais e programas políticos a comandar a intenção de voto. Haverá certamente outros factores, como a identidade étnica e a proximidade (ou afectividade, como lhe queiramos chamar), segundo outros critérios. Para o caso do voto no Mpla, obviamente que contará também a forma como vem governando. O que me parece é que o eleitorado tradicional da Unita se manterá irredutível, ao menos até à altura em que este partido político assuma o poder.
Já o eleitorado tradicional do Mpla (que é quem governa há mais de 30 anos) está hoje dividido: de um lado mantêm-se os ainda «irredutíveis», mas há uma franja considerável de pessoas que hoje pensam abster-se ou que se deslocaram para o grupo de indecisos. É sobre esta franja que os partidos políticos têm que agir, de forma a direccionar para si o seu voto.
Excluindo aqueles poucos angolanos que «tradicionalmente» se abstêm, estou convencido que as demais abstenções sairão fundamentalmente do anterior eleitorado do Mpla e dos seus descendentes, que são uma grande fatia do eleitorado. Por isso é que se deve considerar que, hoje, uma abstenção equivale a um voto contra o Mpla, ou seja, a um voto a favor dos demais partidos políticos, com destaque obviamente para a Unita.
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SA – Teremos estratificação do voto (analfabetos, instruídos, privilegiados, etc.)? Haverá uma tendência definida em termos de inclinação partidária de cada um destes estratos?
PC – Não me parece que a estratificação social venha já a definir claramente a intenção de voto em Angola. O que pode ocorrer é que isso aconteça numa ou noutra pequena região do país, mas nunca em termos globais. O normal continuará a ser a regionalização do voto, por pelo menos mais dez anos. E isso tem a ver não só com razões de natureza cultural ou étnica, mas também com razões de natureza socioeconómica.
Não nos esqueçamos, por exemplo, que a região leste do país foi sempre a mais marginalizada, tanto no período colonial, como após a proclamação da independência política. Por outro lado, não nos devemos esquecer que o interior do país também tem sido marginalizado por Luanda, no âmbito até da própria sociedade. Todos estes factores jogarão papel preponderante no momento do voto. Talvez o elemento fundamental a considerar tenha a ver com a penalização do Mpla devido à má governação, e à arrogância e ostentação por parte de um número considerável de governantes.
Os governantes estão distantes das aspirações e da vontade popular, os deputados idem; obviamente que o Mpla vai ser penalizado por isso. Como é possível, por exemplo, manterem-se até hoje governadores de província que estão preocupados apenas consigo próprios e com os seus interesses particulares?
Como é possível manterem-se ministros cujos ministérios são autênticas múmias, sem qualquer actividade e em nítido prejuízo do desenvolvimento? Como é possível haver deputados que demonstram ser apenas representativos de si próprios e não de quem os elegeu? As pessoas estão atentas a isso; aliás, sentem isso diariamente na carne. Como se sente, por exemplo, um jovem eleitor de uma província do interior onde estive há pouco tempo, que lamentou o facto de ter de pagar aos professores para aprovar? Toda a gente sabe que isso acontece por Angola e ninguém faz nada. A manter-se esta situação, o Mpla vai ser seriamente penalizado nas urnas por esta actuação. Temos que saber que há mais: há províncias onde se o governador for hoje exonerado, a população vai festejar durante alguns dias – vão fazer-se passeatas e a população vai dançar e pular de alegria. Se o Mpla não sabe disso, está a dormir, esquecendo-se que depende do voto popular para se manter no poder. E não nos esqueçamos que quanto mais nos afastamos do termo da guerra, cada vez menos um voto no Mpla será um voto contra outro partido político.
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SA – Podemos ficar com a impressão de que não existem bons governantes em Angola?
PC – Não, de maneira nenhuma. Claro que há bons governantes em Angola. Ao contrário do que acontecia há 20 anos, as últimas equipas económicas do Governo têm tido bom desempenho, tanto que decidiram arregaçar as mangas e ouvir os técnicos, daí ter-se superado de forma correcta a crise económica. Há crescimento económico.
O problema está ainda na distribuição do rendimento, em relação ao que só agora se ensaiam passos que se esperam significativos. Há ministros e vice-ministros a fazerem bom trabalho, exemplo, na Administração do Território, nas Pescas e no Planeamento. Há governadores com bom desempenho e boa avaliação da população, como sucede por exemplo no Bié, Malanje e Namibe.
Claro que estes são só alguns dos bons exemplos, mas há outros bons governantes, como são os casos dos sectores da defesa, justiça, comunicação social, emprego e assistência social, dentre outros. São apenas alguns exemplos, porque numa entrevista não posso ser exaustivo. Mas há ainda um aspecto importante a reter, que tem a ver com uma recente opção que é de saudar – a da desconcentração orçamental. Uma maior autonomia das províncias e municípios só trará vantagens, desde que haja fiscalização, obviamente.
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SA – O Mpla é um partido com ampla difusão nacional. É inegável. E a Unita, será que este partido já se urbanizou? No discurso ao menos?
PC
– Enquanto o Mpla está já a ser penalizado pela má governação, pela corrupção generalizada, pelo distanciamento em relação aos anseios e expectativas da população e pelo esquecimento em relação aos seus antigos dirigentes, a Unita será ainda durante algum tempo penalizada devido à guerra e devido à hostilização ao meio urbano. É claro que quanto mais tempo passa após o termo da guerra, diminui quantitativamente a penalização da Unita.
Temos de considerar que a Unita se vem «urbanizando», sem no entanto se desenraizar, o que constitui boa opção para quem pretende um dia assumir o poder. Angola é cada vez mais urbana (ou melhor, suburbana) e só Luanda constitui cerca de um terço dos eleitores. A Unita demonstra agora ter plena consciência disso.
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SA – Vê o Mpla com estofo suficiente para aceitar, democraticamente, uma eventual derrota nas urnas?
PC
– Ninguém gosta de perder o poder que tem. Mas se o resultado for esse, o Mpla terá de o aceitar. Agora, se o Mpla perder as eleições, tenhamos consciência que será o único responsável por isso. Não poderá acusar outros. E essa responsabilidade é maior ainda, se considerarmos que «o maior cego é aquele que não quer ver».
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SA – Se as eleições fossem realizadas hoje, o Mpla ganharia?
PC
– Infelizmente, em Angola não se encomendam sondagens políticas – e quando se o faz, importam-se estrangeiros que normalmente vêm aldrabar, pois nenhum estrangeiro conhece a sociedade angolana ao ponto de criar amostras credíveis. Não havendo pesquisa, não se pode responder a esta pergunta com toda a certeza.
O que me parece, entretanto, é que hoje o Mpla ainda ganharia em Luanda, com margem mínima – um pouco acima ou um pouco abaixo dos 50%. Isso hoje, pois se a situação se mantiver como até aqui, o mais certo é que nem sequer ganhe em Luanda no próximo ano, devido a uma crescente opção pela abstenção no seio da sua falange tradicional de apoio. Mas no interior do país o Mpla perderia hoje de forma drástica.
Se considerarmos todo o território, o resultado, hoje, seria certamente a derrota eleitoral do Mpla, com festa no interior do país. Mas não estamos ainda em período eleitoral, de modo que o Mpla ainda pode fazer alguma coisa para alterar o actual estado de descontentamento em relação ao governo como um todo e, fundamentalmente, em relação a alguns ministérios e a um bom número de governos de província. Se o Mpla não mexer já em algumas pessoas devidamente identificadas, com mudanças de acordo com as expectativas da população, então a situação piorará nos próximos meses. Esta é a leitura objectiva que faço da actual situação política e social no país e dos consequentes resultados eleitorais.
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SA – Mas o MPLA afirma ter hoje acima de um milhão de militantes…
PC
– Um grande crescimento do Mpla, tal como um eventual crescimento da Unita nos últimos tempos, é ilusório, pois não é prenúncio de vitória eleitoral. O que se passa é que muitos dos novos militantes do Mpla fazem parte do seu eleitorado tradicional. Trata-se fundamentalmente de pessoas que votam tradicionalmente no Mpla, de modo que não se pode esperar que a sua filiação traga mais votos para esse partido político. Não é por aí que o Mpla deve atacar, até porque haverá hoje pessoas com mais de um cartão de militante…
Caso tenha intenção de vencer as eleições, ao nível do executivo (menos a nível central e mais a nível intermédio e de base), o Mpla tem de tirar quem está a dar votos à oposição e colocar quem ainda possa fazer alguma coisa positiva; tem de se investir seriamente no social; os governantes têm de começar a estar perto das pessoas; tem de se estancar o elevado índice de corrupção em escolas, hospitais, centros de saúde e na polícia; tem de se afastar os gestores de empresas públicas que só pensam em si próprios, que fomentam a confusão, que não sabem dirigir pessoas e que não conseguem sequer executar um projecto simples (há-os, inclusivamente, no sector da comunicação social do Estado).
Mas tem também de se deixar de hostilizar e de se começar a apoiar devidamente os antigos dirigentes, porque o cidadão pensa nos seguintes termos: «Se fulano, que já foi ministro ou governador, hoje é kandongueiro, que apoio poderei eu amanhã receber do Mpla ou do seu governo?»
E se o Mpla perder as eleições?
Sosseguem: o mundo não desabará!
Muitos cidadãos mostram-se apreensivos com um cenário em que o Mpla perca e se veja, de repente, na oposição. Que consequências adviriam de uma eventual derrota eleitoral do Mpla, depois de mais de trinta anos de poder e exercendo controlo absoluto sobre todos os aspectos da vida nacional, incluindo instituições e empresas? O sociólogo Paulo de Carvalho respondeu a essa questão com a maior serenidade. Ele acha que isso não levaria
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PC– Temos de ter consciência que ninguém nasceu para exercer eternamente o poder – nem pessoas, nem partidos políticos. Se o Mpla continuar a trabalhar para perder as eleições, é claro que o mundo não vai desabar. E todo esse controlo absoluto terminará.
Agora, para que o Mpla se mantenha no poder, tem de trabalhar para isso e não trabalhar a favor da sua oposição, como bom número dos seus dirigentes o fazem, alguns até de forma descarada e sem qualquer chamada de atenção. Um outro aspecto importante tem a ver com a resolução de alguns dos seus problemas internos, em relação ao que o Mpla continua a demonstrar falta de capacidade.
Para quando o momento de reconciliação em relação aos vários «afastamentos» registados durante a história do Mpla? O Mpla fez 50 anos e o seu mentor e real fundador nem sequer recebeu uma medalha a título póstumo? Pode não parecer, mas as pessoas comuns estão atentas a isso. E perguntam-se: «Se o Mpla não consegue ultrapassar as suas próprias quezílias do passado, como poderá continuar a governar?» E eu acrescento: se o Mpla esquece até o seu próprio mentor (o autor do manifesto), o que não sucederá consigo um dia que deixe o poder?
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SA – Com a vida política actual, em Angola, e com os políticos e cultura democrática que temos, como prevê que venham a ser recebidos os resultados eleitorais?
PC
– Essa é uma séria incógnita. Mas parece-me que o fundamental está praticamente conseguido: guerra nunca mais! Um passo importante foi o registo eleitoral, cujos resultados ultrapassaram verdadeiramente as expectativas, estando por isso de parabéns o ministro Fontes Pereira e a sua equipa.
Uma vez mais demonstrámos a toda a gente que em Angola é possível fazer bem as coisas, com profissionalismo e elevado sentido de responsabilidade. Também será possível um comportamento digno durante a campanha eleitoral e durante as eleições para que Angola prossiga o seu rumo, com normalidade. Independentemente dos resultados eleitorais de 2008, será fundamental a renovação parlamentar, pois temos deputados que há muito deixaram de representar quem quer que seja.
Por incrível que pareça, há até deputados que são eternos desconhecidos – como hão-de representar quem os não conhece? Como hão-de representar pessoas cuja vontade desconhecem? E como hão-de liderar ou fazer opinião, se essa opinião não existe ou se é desconhecida dos respectivos eleitores?
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SA – Conhece casos, pelo mundo fora, em que instituições e serviços públicos tão fortemente marcados pela influência de um partido aceitem ou facilitem a liderança de um outro partido que vá formar um governo novo?
PC
– Sim, há casos desses. Que remédio terão os serviços públicos, senão adaptar-se à vontade dos eleitores? Se as mudanças parlamentares forem substantivas, terá também de haver algumas mudanças governamentais já em 2008, para que os programas de governo passem no parlamento. Mas vejamos o nosso próprio exemplo, em 1991.
Nessa altura, o Mpla a estava a preparar-se para uma derrota eleitoral. É claro que hoje a situação é diferente, pois não acredito que alguém de fora do Mpla faça a sua campanha – o contrário sim, ocorre actualmente. Mas se vier a haver mudanças no governo, é preciso que se distingam os lugares de carreira dos lugares políticos. Acredito que isso será tido em conta, até porque hoje também existem funcionários públicos de médio e alto escalão que militam em partidos políticos que não o Mpla. Quer do lado do Mpla, quer do da Unita, parece-me haver consciência da sensibilidade desta matéria. Não me parece, pois, que venha a haver problemas a esse respeito.
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SA – Considera que terão já começado os primeiros passos rumo à campanha eleitoral?
PC
– Para ser honesto, não me parece. Não me parece que nem a Unita
nem o Mpla estejam já preparados para o início da campanha eleitoral para as legislativas. A Unita fez recentemente um congresso, estando por isso aparentemente mais próxima dessa preparação. Quanto ao Mpla, que governa, está muito longe disso. No seu mais recente discurso, o presidente do Mpla dá conta de ter consciência de que a situação não é das melhores. Aguarda-se, pois, que a direcção do Mpla tome as medidas correctivas. Só depois disso se poderá pensar na campanha eleitoral.
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SA – Assistimos, agora, embora em estado latente, a uma certa tensão social que muitos atribuem às disputas pré-eleitorais. Que leitura faz?
PC
– Não me parece que seja exactamente isso. Há divergências que são próprias do processo político e há outras que são fomentadas devido a um certo afastamento das direcções partidárias em relação aos órgãos intermédios. Em Angola, o afastamento físico ou geográfico ocasiona afastamento em termos de actuação.
Talvez a Unita seja o caso de menor afastamento da direcção em relação às estruturas intermédias e de base. Agora, é de esperar que haja quem procure tirar dividendos políticos de qualquer estado de tensão social. Os partidos políticos têm de estar preparados para essa evidência. Têm de estar preparados também para o facto de haver actores políticos na chamada sociedade civil – pessoas com ambição política, que utilizam instrumentalmente órgãos da sociedade civil. E esta não é apenas uma característica de Angola.
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SA – Incidentes como as mortes do taxista no Huambo e da zungueira no mercado dos Congolenses e os confrontos de vendedoras e polícias no Namibe podem ser usados como armas políticas?
PC
– Absolutamente. Trata-se de repressão e de assassinatos. É uma vergonha. Não consigo compreender como é possível este tipo de actuação, que se sabe à partida que será oportunamente utilizada contra o partido político que governa. Mas isso não é tudo, sobre esta última operação. Como há delinquentes a circular de motorizada, alguém na polícia deu ordem de apreensão de tudo quanto é motorizada, como se os delinquentes fossem as motorizadas e não pessoas.
Não faz sentido. Só age assim quem pretende deliberadamente prejudicar o bom andamento dos serviços e a normalidade. Sei de serviços que ficaram prejudicados devido a tais apreensões de mais de 72 horas, sem motivo e sem qualquer satisfação. Quem terá tomado essa decisão? Como foi essa pessoa penalizada? Senão, vejamos: como sabemos que há delinquentes que circulam e actuam em viaturas, será que na próxima operação se vai apreender tudo quanto é viatura? Não faz sentido. A polícia existe para garantir e não para prejudicar a ordem.
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SA – Voltando àqueles incidentes, seria muito difícil encontrar soluções que os antecipassem?
PC
– Não, não seria tão difícil assim, tendo em conta que se trata de incidentes que se vêm repetindo e não apenas um incidente isolado. Actos como esses têm de ser prevenidos. Quanto à polícia, é preciso prevenir a todo o custo os casos fortuitos que mencionou, que são inconcebíveis e demonstram haver na corporação pessoas dispostas a prejudicar a ordem. Agora, temos de reconhecer que o elevadíssimo índice de delinquência diminuiu durante este ano. Mas é preciso que as competentes autoridades vão mais longe – primeiro, reconhecendo a existência entre nós de crime organizado; depois, combatendo o crime organizado, de forma eficaz. Entretanto, é indispensável também a actuação governamental em prol do bem-estar e do progresso. Para além disso, é preciso que governantes e agentes da autoridade fomentem os bons exemplos na sua prática diária. Tudo isto, em conjunto, vai permitir a prevenção da criminalidade.
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SA – E a prisão do jornalista Graça Campos? Poderá também ser utilizada por vários partidos como arma política?
PC
– Claro que sim. Trata-se de mais uma demonstração de que o Mpla não se está ainda a preparar para o confronto eleitoral – porque é o Mpla que está no poder e, quer queiramos quer não, o poder judicial tem relativa dependência do Mpla. Mas olhe que Graça Campos não só foi preso com a razão do seu lado, como também foi mantido um mês na prisão. Para quê? Parece que o Mpla ainda não se apercebeu que é o único responsável pelos últimos «mártires» da história recente de Angola.
Se o Mpla vinha dando rajadas nos próprios pés, hoje subiu já para as próprias pernas e coxas. É o Mpla que tem estado a trabalhar contra si próprio. Tem de ser feita a reflexão que o presidente do Mpla recomendou recentemente para que os erros sejam claramente identificados e possam ser rectificados, a bem dos cidadãos e da democracia nascente. É isso que se espera de um partido político que se afirma grandioso, como o Mpla.
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SA – Partindo do princípio que as organizações sindicais e estudantis sabem que o governo não quererá correr o risco de adoptar políticas pouco populares, 2008 vai ser o ano de todas as greves e reivindicações?
PC
– Obviamente que corremos agora esse risco. E isso não é bom, nem para a democracia nascente, nem para a estabilidade política que se pretende duradoira, nem mesmo para a estabilidade económica que aqui devo saudar.Também temos de reconhecer que não será fácil neste momento um pacto político entre as principais forças políticas, pois seria este pacto a prevenir sérios conflitos laborais e greves estudantis. Não podemos adivinhar que isso venha a ocorrer, mas penso ter-se já começado a trabalhar no sentido de prevenir algumas dessas convulsões, apesar de haver sectores (como o do ensino superior, por exemplo) onde esse trabalho ainda não começou e, se não houver cuidado, vai até agir-se em sentido oposto."
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domingo, fevereiro 3

O que escreve o Mundo sobre nós.

Artigo publicado in “Valor Online”, Jornal de Economia brasileiro – 26 OUT 2007

"Em Angola, onde falta tudo, o boom do petróleo atrai novos negócios.
O hotel Palanca Negra, em Luanda, a capital de Angola, tem mais de 50 quartos. Os quartos duplos, muitos deles sem janela, têm duas caminhas de solteiro, estreitas e baixas, bem próximas entre si e distantes cerca de 50 cm da parede em frente, cada uma com sua mesinha de cabeceira. Ao todo não têm mais de 20 metros quadrados cada, incluindo um pequeno banheiro com seu minúsculo box. O quarto individual é metade disto. O hotel cobra113usd por um e 100usd por outro. A demanda é grande. Reflexo de uma cidade e um país onde falta quase tudo e que, ao mesmo tempo, experimenta taxas de crescimento exponenciais, 20,6% em 2005, 18,6% em 2006 e alguma coisa nessa faixa este ano, segundo as previsões.
A guerra civil que aniquilou o país terminou em 2002, e a reconstrução entrou na ordem do dia, movida a petrodólares, principalmente.
Dos 31,3 bilhões de usd exportados no ano passado, o petróleo respondeu por 96%. Mas isso não quer dizer que Angola seja uma filial do paraíso em território africano. Está muito mais para seu eterno concorrente, impressão que marca imediatamente quem chega a Luanda, com seus de 5 milhões a 9 milhões de habitantes, dependendo de quem faça a conta. As estatísticas são estimadas, pois não há censo no país deste 1970.

O Palanca, cujo nome homenageia o belo e quase extinto antílope que é o símbolo nacional, fica dentro de uma área cercada, chamada cidadela, anexo ao maior estádio de futebol da cidade. Conformando-se com as acomodações, o visitante leva um soco no estômago ao transpor o portão da cidadela, cujo pátio já é um tanto caótico.
Na rua em frente, a poeira envolve a tudo e a todos, levantada por um trânsito infernal e alimentada por uma obra de canalização de uma vala tocada por uma empresa da China. É o futuro ajudando a piorar o presente. Alguns metros à direita a rua cruza com outra maior e ainda mais confusa: é a avenida Brasil, para os íntimos, porque em Luanda não há placas de rua.
O trânsito louco é dominado por enormes carros do tipo picape 4x4 e por dezenas de vans Toyota Hiace azuis e brancas. São os "táxis", ou candongas, único arremedo de transporte público da cidade. Táxi mesmo, como se conhece no resto do mundo, não há, a não ser um inoperante serviço por telefone. (De brasileiros, acrescentamos nós) Ônibus, idem, e é melhor que não haja, porque uma frota de cem veículos desse tipo seria suficiente para provocar um colapso na cidade. ( A MACON trouxe autocarros velhos, VW há anos)
Em Luanda, para quem não se dispõe a andar nas entulhadas candongas (e não se vê branco, ou "pula", nos candongas), é imprescindível ter um carro, e com motorista, pois não há vagas para estacionar e também porque só se chega aos lugares por referências. Endereço é uma mera formalidade. E o motorista precisa ser esperto, saber cortar caminho, senão o dia se esvai na pasmaceira do tráfego poeirento.
Cortar caminho quer dizer entrar por lugares sem nenhum vestígio de urbanização, logo atrás das ruas principais, deparando-se com montanhas de lixo e com favelas, aqui conhecidas como "musseques", espalhadas pelo miolo da cidade. Segundo cálculos da organização não governamental Development Workshop, pelo menos três quartos da população da capital angolana vive nesses musseques.
Vê-se obras por toda parte, maioria tocada por chineses, que trouxeram mais de 7 bilhões de dólares em financiamento e estão trabalhando directamente para o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN). Há polémica sobre o aproveitamento desses recursos.
Não é preciso sair das vias principais para ver a marca da pobreza extrema. Dezenas, talvez centenas, de edifícios construídos pelos colonizadores portugueses nos anos 1950 e 60, abandonados às pressas e ocupados pela população local, têm hoje a aparência de favelas verticais, como os velhos conjuntos habitacionais construídos na mesma época no Rio de Janeiro para abrigar as populações removidas das áreas ricas da cidade. Eles são sujos, cheios de lixo e de restos de esgotos na frente, a fachada caindo aos pedaços. A reportagem do Valor entrou em um desses prédios, um dos mais bem cuidados. Não há elevadores funcionando. Em muitos casos, os prédios tiveram os poços do elevador transformados em lixão. Baratas e detritos (há ratos em muitos deles) dividem o espaço de acesso às escadas, que não têm corrimão em metade dos seis andares. Transposta uma grade de ferro chega-se à porta de um óptimo e espaçoso apartamento de dois quartos e dependências, uma autêntica cena do filme "Blade Runner". Todas as facilidades modernas estão lá dentro. O aluguer? US$ 50 mil por ano, pagos antecipadamente. Luanda é a capital da carestia. Pior no mundo, apenas Harare, capital do Zimbabué. Um simples esparguete com molho de carne em local despretensioso pode custar 30usd. O aluguer de um carro com motorista sai por entre 150usd a 200usd a diária. Os iniciados conhecem alternativas, mas elas estão sempre indisponíveis.

Na capital angolana, todos são obrigados a ter gerador porque, embora o país seja auto-suficiente em geração de energia eléctrica, (!!!????) a rede de distribuição não suporta a carga, e a empresa fornecedora é obrigada a desligar o fornecimento. Todos têm telefone celular. A telefonia fixa é totalmente incipiente.

No sofisticado supermercado Casa dos Frescos, um quilo de tomate sai por 1.004 kwanzas, a moeda oficial. Ao câmbio de Kz$ 75 por dólar, isso quer dizer mais de US$ 13. O dólar também é moeda corrente em Luanda, sendo legal seu uso em transacções e depósitos. Uma mini valorização da moeda local feita este ano (de Kz$ 80 para Kz$ 75 por dólar) tem elevado os depósitos em kwanzas. Mas é possível comprar o tomate nas ruas, de uma zungueira (mulher que, com uma espécie de bacia na cabeça, vende todo tipo de alimento nas ruas) por até Kz 200. Mas comprar alimentos nas ruas é um risco. Dizem que andar a pé também, especialmente para brancos, mas em uma experiência de atravessar cerca de quatro quilómetros entre a cidadela e a Mutamba, bairro que abriga o centro comercial e de serviços da cidade, a reportagem não foi molestada.

Difícil é atravessar os cruzamentos, com tráfego permitido em todos os sentidos e, na maioria dos casos, sem qualquer sinalização ou simplesmente controlados por guardas vestidos com luvas brancas, os "trânsitos".
Meninos e rapazes vendem de tudo na margem do asfalto e nas calçadas onde elas existem. São verdadeiras lojas ambulantes. A caminhada revela aspectos chocantes, como uma loja da Lacoste com paletós de mais de 500usd na vitrina, ao lado de um prédio semidestruído, habitado, exalando um incrível cheiro de lixo. O comércio sofisticado é raro, mas existe, em convivência íntima com a pobreza, como a loja Andy's, uma espécie de Daslu angolana, bem próxima a um musseque. Foi inaugurada pela primeira-dama do país e tem até um autêntico café parisiense anexo.

Os musseques estão por toda parte, com montanhas de lixo onde as crianças brincam. Há planos de remoções. No miolo da cidade, eles tendem a ser expelidos pela enorme actividade imobiliária. Brasileiros que trabalham na capital angolana dizem que quem fica dois meses fora é surpreendido por mudanças. Um bairro muito bom em uma colina, baptizado de Miramar, abriga as embaixadas e belas casas, mas muitas das ruas não são calçadas. Próximo está o palácio presidencial. A fortaleza colonial construída pelos portugueses domina majestática a baía de Luanda. Ali está o museu das forças armadas. E o porto é um destaque. Cheio de navios, ilustra o intenso comércio.
A actividade mais frenética é em Luanda Sul, uma outra cidade que está nascendo a cerca de 20 quilómetros do centro. A Construtora Norberto Odebrecht, a maior das que estão presentes no país, está construindo ali vários condomínios, de casas e de prédios. Um apartamento triplex de quatro quartos, com cobertura e piscina, sai por US$ 2,2 milhões num desses condomínios. A demanda é grande. O aluguer de uma casa em Luanda Sul fica em torno de 20 mil dólares, podendo chegar a 28 mil. Lá fica a mais nova atracção luandense, o shopping Belas, inaugurado este ano e administrado por uma empresa Baiana (Brasileira). Além de poucos muito ricos, a elevação dos custos em Angola é patrocinada pela presença crescente de empresas estrangeiras, atraídas pelas indústrias do petróleo e do diamante e pela crescente demanda por produtos e serviços num país de 15 milhões de habitantes (número também controverso) com um Produto Interno Bruto (PIB) que este ano deve superar US$ 50 bilhões e onde falta quase tudo. É uma atracção irresistível, e as pessoas que chegam acabam aprendendo a conviver com a desordem urbana agravada pelas obras de reconstrução.
É bom ver o país se transformando, embora analistas, como a directora do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, Noelma Viegas d'Abreu, comecem a questionar a demora para que o crescimento se traduza em melhoria das condições de vida da população pobre, após cinco anos do final da guerra. "

Cedido por: Dra. Nerika Silva

sexta-feira, janeiro 25

Um desabafo diferente.

Hoje, que seja o primeiro de muitos, vamos ter um desabafo diferente.
Vou desta forma homenagear uma figura, titular de um cargo público e politico de Angola, que recebeu recentemente um galardão por se ter destacado com prestígio e competência na sua área, o Sr. Ministro José Pedro Morais, Ministro das Finanças de Angola.
Importa também referenciar a sua equipe de trabalho que tem conseguido alcançar alguns feitos notáveis, prova disso, o reconhecimento por parte da revista “The Banker” do grupo britânico “Financial Times” que o nomeou “Ministro das Finanças do Ano”

Em meu nome, como cidadão angolano que sou, agradeço ao Sr. Ministro e a sua equipe pelos feitos alcançados até aqui, pela dedicação a nação e pela competência com que exercem o cargo. Que Deus conceda muita saúde para continuarem a dirigir cada vez mais e melhor as finanças do país, de uma forma clara e honesta como até aqui têm feito.

Apenas peço um favor. Agradeço que passe a receita da missão de competência, honestidade, e do altruísmo aos seus homólogos no Governo para que eles possam também triunfar nos seus ministérios.

Viva a competência!!!

Muito obrigado.

Angola: José Pedro Morais é "Ministro das Finanças do Ano" em África para revista The Banker

domingo, janeiro 20

O Instituto Camões / Centro Cultural Português e o Instituto Angolano de Cinema, Audiovisual e Multimédia (IACAM) têm a honra de convidar V. Exa. a assistir ao programa da Retrospectiva do cineasta português Jorge António, entre 21 e 25 de Janeiro no Auditório Pepetela, Centro Cultural Português de Luanda.
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PROGRAMA

Segunda, dia 21, 18.30
A Utopia do Padre Himalaya (2004)

Terca, dia 22, 18.30
O Miradouro da Lua (1993)

Quarta, dia 23, 18.30
Angola. Historias da musica popular (2005)

Quinta, dia 24, 18.30
Kuduro, fogo no museke (2007)
Ante estreia em Angola

Sexta, dia 25, 18.30
Outras Frases (2003)

quinta-feira, janeiro 10

Rir é o melhor remédio...


Clicar na imagem para ampliar.

quarta-feira, dezembro 19

segunda-feira, dezembro 10

Angola - O retrato de uma angolana que regressou a casa muitos anos depois.

Caros leitores,
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O texto que aqui publico resulta de uma troca de e-mails com uma amiga que, em 2004, regressou a Angola para viver e que até então residia em Portugal sem ter oportunidade de visitar Angola durante os anos que esteve fora.
O retrato dela é autêntico na medida em que é espontâneo, ou seja, não foi elaborado para ser publicado mas sim no contexto de trocas de e-mails entre 2 amigos.
Depois de ler o email achei por bem partilha-lo aqui no Blog. Talvez outros possam fazer o seu próprio retrato de Angola e ter coragem de o partilhar também.
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“Oi amigo, ontem estava toda inspirada a escrever-te, quando o sinal falhou... esta é uma das dificuldades que eu não estava habituada. Mas vamos lá de novo...
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Aqui não consigo ter amigos de verdade, porque é tudo uma mentalidade de interesses, fingem ser teus amigos se tu tiveres dinheiro ou se conheceres alguém importante, grrrr.
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Uma coisa que fazia muito aí em Portugal era passear sozinha, ir de férias sozinha, coisa que não dá para fazer aqui porque ou és assaltada ou julgam que estás a procura de homem ou então porque não fica bem a uma mulher, grrr.
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Aqui ainda há muita superstição e praticam-na. O feitiço é o prato do dia, mas como não me meto e nem quero saber como é, isso não me afecta.
Angola é um país muito rico, mas ao mesmo tempo bastante pobre. Porquê? Porque todos querem enriquecer custe o que custar e não olham para o futuro dos filhos ou netos, que isso abrange a evolução de Angola, saneamento básico que é precário, educação péssima e agricultura em vias de extinção, pois só estão preocupados em aumentar o preço de tudo porque julgam que aqui só há estrangeiros, então aproveitam-se....
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Na minha opinião o Angolano não gosta de trabalhar para melhorar o país, mas sim para encher o bolso para borgas todos os fins-de-semana, comprarem carros e roupas caríssimas para se exibirem, mas no fim vais a casa deles e vivem em condições precárias, e por vezes nem comem para se vestirem bem, preferem viver para a sociedade que para eles mesmos. É a mentalidade do Angolano!
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Por um lado compreendo porque foi um país com guerra e ninguém tinha objectivos a traçar nem como traçar, porque tudo que construíam era destruído, mas a guerra acabou e eles continuam com a mesma mentalidade "deixa-me ver se consigo fisgar esta kota, assim tou garantido", quer dizer... é de alguém que não quer fazer nada da vida, e sim chular.
Mas aos poucos as coisas vão mudando. Os Angolanos que viviam fora estão a regressar e eles começam a perceber que a vida não é feita só de copos e sedução... sim... porque as meninas estão um máximo... elas até estragam casamentos sólidos. É a lei da sobrevivência que ainda vai durar um bom tempo.
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(…) Eles (sociedade) não têm garra pelo país, e além do mais são racistas da própria raça. Não conseguem ter uma conversa civilizada que começam logo a falar da escravidão, do racismo, dos pulas, dos mulatos… não fazem nada para mudar essa mentalidade. Sentem-se inferiorizados por parvoíce, já passou tempo... enfim...
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Os governantes também não ficam atrás... podiam dar melhores condições aos angolanos, criarem bairros sociais, mais hospitais públicos para minimizar a pobreza, a mortalidade infantil e idosa. Nós temos dinheiro para isso, mas eles só querem erguer infra-estruturas para inglês ver. O bom para o povo, que é o desenvolvimento do país, não o fazem. Isso e outras coisas mais que se te fosse dizer não havia mensagem suficiente para escrever ihihih.
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Já te estou a cansar com esta conversa...
Espera... Ainda faltam os pontos positivos, que são os mais fáceis.
Praias lindas, províncias maravilhosas, o povo é muito divertido, é umas das características que admiro, com tanta dificuldade e sofrimento como conseguem ser tão divertidos? Admiro-os por isso! Tens a oportunidade de criares um negócio teu, porque este país é um país de negócios, como eu costumo dizer.(…)”

segunda-feira, dezembro 3

Mais um desabafo...

Meus caros,

Desejo-vos bom dia, no entanto sem saber se isso se aplica nos dias de hoje a Luanda.
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Como devem ter reparado, estamos a ser vítimas de algum tipo de complô para nos porem daqui para fora de uma vez por todas ou então é algum tipo de estratégia secreta para paralisar Luanda. O que será que vai na cabeça de quem organizou todo este quadro? Provavelmente foi mais de uma cabeça a decidir, tendo em conta o tamanho da obra. Eu estou a falar das estradas e trânsito em Luanda. Pensava-mos nós que não era possível piorar o trânsito ou a qualidade de vida em Luanda!?
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Estamos completamente despreparados para viver nesta cidade, no meio de tanta coisa, que só me faz pensar em palavras como: Incompetência, descaso, burrice, sujidade, desarrumação, desorganização, corrupção ou serão palavras como, intenção, premeditação, propositado e burrice de novo?
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O que está a acontecer nos últimos dias em Luanda, meus caros, eu poderia dizer que é inadmissível, mas o que acontece é que todos nós admitimos, aceitamos e pior que isso já nos vamos habituando. Já achamos normal andar com carros em cima de passeios, subir e descer montes de entulho, passar por dentro de buracos que não se sabe como não sedem de uma vez até à rede de esgoto, de tão fundos que são. Eles fecharam várias estradas principais de Luanda, ao mesmo tempo. Será isto possível? Se nos dissessem há um tempo atrás que iriam fechar as principais vias da cidade, desde os acessos à cidade, até as vias internas por onde passa a maior parte do trânsito nós não acreditaríamos, provavelmente alegaríamos que isso era impossível e que bloquearia a circulação totalmente e que ninguém seria tão bruto/burro ao ponto de tomar tal decisão.
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Pois é, mais uma vez nos enganamos. E pensamos nós que já sabemos tudo sobre a nossa cidade. Até onde pude apurar, estão a instalar bocas-de-incêndio por toda a cidade. Para isso é necessário cavar, instalar a canalização e depois? Depois, seria normal tapar e asfaltar! Mas aqui fazem buracos e depois deixam-nos abertos para que alguém se espete neles (os que passam em frente dos edifícios públicos são tapados) e depois deixa-se o entulho amontoado, impedindo no mínimo uma faixa de circulação ou acostamento de cada lado. Depois, eles seguem com o trabalho e vão assim bloqueando rua após rua. É uma espécie de xeque-mate aos cidadãos, que vão arranjando escapatórias até que ficam encurralados num canto do tabuleiro, sem mais se poderem mexer e finalmente se renderem. Como diria a sabedoria popular «É demás!».
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Eles bloqueiam as estradas sem pré-aviso, inventam novos caminhos sem sequer pensar se são trafegáveis, juntam nesses caminhos o trânsito de vários lados, o que denota a falta de planeamento e entendimento que existe entre quem faz e quem manda fazer. E denota também falta de conhecimento do trabalho a ser executado. Falta o quê? Será que só a mim é que isso faz impressão?
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Não nos gabava-mos nós de sermos diferentes de outros países onde tudo era poeira e confusão, onde parecia não haver leis e agora estamos iguais? Vamos ouvindo as comunicações de que as obras são para melhorar e que se está a fazer um esforço para melhorar a qualidade de vida. Não temos dúvida nenhuma que a instalação de equipamento de segurança de incêndios numa cidade que não tem água é muito útil, e que a construção de uma estrada, ou qualquer outra coisa do género são para melhorar a nossa cidade e temos todo o interesse em que isso se faça. Mas será que é esta a forma de o fazer? Onde nos cansamos de ver obras sem nenhum tipo de fiscalização, sem nenhum tipo de sinalização para protecção dos cidadãos. Buracos deixados abertos pondo em perigo todos nós, obras iniciadas sem pré-aviso, sem criar previamente as alternativas para que se continue a circulação.
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Deixo este comentário à vossa apreciação e espero que ele seja continuado e acrescentado pelo vosso sentimento.
Comentem se assim o sentirem. Façamos pelo menos com que alguns de nós saibam que existe um sentimento mútuo. Não sei se concordam ou se simpatizam com o meu desagrado, mas penso escrever em nome de alguns.
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Escrevo pelo menos em meu nome e dos meus filhos que julgo merecerem melhor do que nós temos tido e em nome dos meus pais que sempre pensaram que eu ia ter melhor que eles tiveram.
Abraço.
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Eu
Tu
Ele
Nós
Vós
Eles
Todos
Enviado por: Maria Angolana