segunda-feira, março 2

PETRÓLEO DE ANGOLA PARA OS GRANDES FALCÕES


É evidente que a estratégia norte americana para o Golfo da Guiné não se pode limitar à ênfase que o nóvel AFRICOM, o Comando África do Pentágono que continua com sua chefia instalada na Alemanha, (apesar dos esforços de toda a ordem visando a sua instalação em África), passou a ter, com a deslocação do USS Fort McHenry (LSD 43) e do navio experimental HSV-2 SWIFT para a região, a fim de serem utilizados, o primeiro, durante seis meses, como “África Partnership Station”, e o segundo como “atracção tecnológica”, visitando um a um todos os países com litoral oceânico.
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Muito antes da criação pela administração republicana de George W. Bush, do AFRICOM, já os Estados Unidos, interligando a diplomacia com os interesses económicos das grandes corporações norte americanas presentes em África, privilegiavam os nexos com aqueles que operavam em vários sectores da indústria mineira, na indústria de prospecção e exploração de petróleo e com os operadores prestadores de serviços, influentes até na super estrutura do poder em Washington, (seja com o concurso dos republicanos, seja com o concurso dos democratas), a fim de garantir relacionamentos bilaterais e multilaterais com os países africanos, de norte a sul.
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A Halliburton e a sua subsidiária até 2007, Kellog Brown & Root, multinacionais que têm como referência a figura de Dick Chenney, vice-presidente dos Estados Unidos, fazem parte do conglomerado de corporações norte americanas já com historial em África, seja quando estão no poder republicanos, seja quando estão os democratas.
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Elas têm distribuído a sua actividade a nível global, não só em suporte das multinacionais do petróleo, mas também em função de outros desempenhos civis e militares, no âmbito dos interesses interligados que suportam os relacionamentos de Washington, não só por via pacífica, mas também nos seus esforços de guerra, por todo o planeta.
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A 5 de Março do ano corrente, um analista do Global Research no Canadá, Andrew G. Marshall, publicou uma investigação-síntese, sob o título “Martial Law, Inc”, em que realçava as actividades da Kellog Brown & Root desde a década de 40 do século passado e particularmente desde a guerra do Vietname.
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No que diz respeito a África o investigador do Global Research do Canadá fornece a síntese da presença do KBR nos acontecimentos do Ruanda e da República Democrática do Congo.
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No que diz respeito ao Ruanda, o investigador, que se apoiou nas revelações de Wayne Madsen sobre o derrube do avião que transportava os presidentes do Ruanda e do Burundi, conforme as investigações também levadas a cabo pelos Franceses em 2004, indicou que houve um estreito relacionamento nesse acto, com os operadores ruandeses (tutsis) enquadrados no Rwandan Patriotic Front de Paul Kagame, da International Strategic and Tactical Organization, que representava “poderosos interesses políticos e corporativos” incluindo os da Armitage and Associates LC, uma firma fundada pelo antigo Adjunto da Defesa de George W. Bush, Richard Armitage e a Kellog Brown & Root.
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Em 1994, na sequência da instalação do governo do Rwandan Patriotic Front no Ruanda, o KBR beneficiaria dum contrato sob a denominação de “Operation Support Hope”, no valor de 6,3 milhões de dólares.
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Desse enredo, segundo o mesmo analista, houve três beneficiários em 1994 e um beneficiário em 1995:Paul Kagame, que se viria a tornar Presidente do Ruanda, Kofi Annan que se tornaria Secretário Geral da ONU e Madeleine Albright, que seria Secretário de Estado durante a governação democrata de Bill Clinton. O próprio Dick Chenney tornar-se-ia CEO da Halliburton de 1995 a 2000.
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Em relação à República Democrática do Congo, sob os auspícios ainda da International Strategic and Tactical Organization e explorando o êxito da operação do Ruanda, a KBR construiu uma base militar junto à fronteira Congolesa-Ruandesa, onde foram treinados os efectivos ruandeses que deram apoio ao líder rebelde Laurent Kabila, no derrube do regime de Mobutu.
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O KBR, conjuntamente com a Bechtel Corporation, providenciou mapas elaborados a partir de fotografias obtidas por satélites de reconhecimento, relativos aos movimentos de tropas de Mobutu (a Bechtel Corporation integra interesses ligados ao antigo Secretário de Estado George Schultz e a Caspar Weinberger, quando do lado da KBR estava já no activo, à frente da Halliburton , Dick Chenney).
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A actuação desse cadinho de corporações na fase do derrube de Mobutu, permitiu a abertura que Laurent Kabila teve de fazer a outros conglomerados como o American Mineral Fields e a Barrick Gold Corporation.
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A AMF englobava interesses de Mike McMurrough, uma personagem próxima de Bill Clinton, enquanto a Barrick Gold Corporation, englobava interesses do então Primeiro Ministro do Canadá, Brian Mulroney e do assessor de Bill Clinton, Vernon Jordan, que nessa companhia tinha como assessor precisamente George W. Bush.
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A evolução da situação na RDC, incluindo a morte de Laurent Kabila, tem muito a ver com o desenvolvimento desses enredos, que passaram também com armas e bagagens para Angola: rica em minerais, a RDC possui pouco petróleo, mas Angola é suficientemente rica para, com minerais e com petróleo, fazer com que os “lobbies” de suporte aos democratas (enraizados nas indústrias mineiras das corporações norte americanas e canadianas, assim como no cartel dos diamantes) e aos republicanos (fundamentalmente pela via das corporações do petróleo e associados), encontrem todas as razões para consenso político-operativo, económico, financeiro e se necessário militar, nesta escandalosa (sob o ponto de vista geológico) mistura de Texas e de minas de Salomão.
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O Correio Digital de 24 de Março de 2008, dava a conhecer que “a empresa do Vice Presidente dos Estados Unidos fica com a refinaria do Lobito”, “depois dum longo período de negociações”.
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Também para que isso acontecesse o poderoso “lobby” norte-americano teve de vencer concorrentes, entre eles os que, envolvendo interesses do Japão e da República Popular da China, apostavam muito e a prazos dilatados na refinaria do Lobito.
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Para além das negociações visíveis, o “lobby” ousou mesmo “jogar tudo por tudo” e, segundo se faz constar em determinados círculos das novas elites angolanas, até bolsas de estudo têm sido pagas pela Halliburton em benefício duma conhecida entidade que tem trajectória sénior na área dos petróleos angolanos e é indicada por alguns, actualmente, como assessora da Presidência da República (às tantas e no mínimo, servindo de “discreta ponte” entre a Presidência Angolana e a Norte Americana).
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Tudo seria razoável, não fosse o papel da Halliburton, da Kellog Brown & Root, de Dick Chenney e associados, não só em África (e na estratégia de relacionamentos dos Estados Unidos em África), mas sobretudo nas regiões onde se registaram sempre grandes convulsões e grandes lucros para os senhores da guerra global contra um tão oportuno quanto artificial “terrorismo”, nomeadamente no Afeganistão, no Iraque e nos Balcãs.
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A enorme base de Camp Bondsteel, a maior base militar recentemente erigida pelos Estados Unidos na Europa, sobre a qual repousa a iniciativa da “independência vigiada” de Kosovo, foi construída pela Kellog Brown & Root, segundo Michel Chossudovski, analista sénior do Global Research do Canadá, a fim de garantir cobertura ao oleaduto AMBO (Albânia-Macedónia-Bulgária), o “pipeline” que leva o petróleo do mar Cáspio, passando pelo porto de Burgas (porto búlgaro do Mar Negro), até ao Adrático, atravessando os Balcãs.
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A KBR aparece assim associada à estratégia de domínio, que se manifesta pela destruição de interesses que se manifestem contrários aos interesses dominantes, a fim de instalar os seus próprios interesses, seguindo quase sempre uma via armamentista e de guerra.
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A acreditar na notícia publicada pelo Correio Digital, a interpretação de alguns analistas conduz à conclusão de que Angola cedeu: ao invés de continuar a dar oportunidade aos relacionamentos bilaterais com a RPC e coligados também no sector do petróleo, foi obrigada a abrir as portas aos interesses norte americanos em relação à refinação de petróleo no Lobito, coligados ou não aos sul coreanos, tendo como “aríete” o empenhamento de consórcios como a Halliburton e a Kellog Brown & Root, tão identificadas com os grandes falcões norte americanos..
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Àcerca disso, é evidente que há “parceiros” ao mais alto nível por dentro do MPLA e do estado angolano que “alinharam”, mas o mutismo completo da oposição e de alguns que se dizem pacifistas (inclusivé com alguma expressão neste mesmo blog), perante a “prova de força” dos grandes falcões em Angola, é um evidente indicativo de quanto esses sectores são no mínimo ineptos perante os factos políticos de ordem estratégica que vão ocorrendo, sem melhores alternativas para os relacionamentos bilaterais, ou multilaterais...
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Provavelmente estão ainda distraídos com a “novidade” que constituiu a visita ao porto do Lobito do HSV-2 SWIFT, nos dias 21, 22 e 23 de Fevereiro de 2008..
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Por MARTINHO JÚNIOR

terça-feira, fevereiro 17

O Crime Financeiro...

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Por: Martinho Junior
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“Ao permitir ao capital fluir sem controlo de um extremo a outro do mundo, a globalização e o abandono da soberania alimentaram o crescimento explosivo de um mercado financeiro à margem da lei”… “é um sistema coerente estreitamente ligado à expansão do capitalismo moderno e que se baseia na associação de três parceiros: governos, empresas transnacionais e máfias…
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Negócio é negócio; o crime financeiro é antes de mais um mercado, florescente e estruturado, governado pela oferta e a procura”… “A cumplicidade do alto negócio e a tolerância política é o único meio pelo qual o crime organizado em larga escala pode proceder à lavagem e reciclagem dos lucros fabulosos da sua actividade. E as transnacionais precisam do apoio dos governos e da neutralidade das autoridades reguladoras a fim de consolidar as suas posições, aumentar os seus lucros, enfrentar e esmagar os concorrentes, levar por diante o negócio do século e financiar as suas operações ilícitas. Os políticos são directamente envolvidos e a sua capacidade de intervenção depende da protecção e financiamento que os mantém no poder. Este conluio de interesses é uma parte essencial da economia mundial, o lubrificante que faz rodar as engrenagens do capitalismo”, Christian de Brie e Jean Maillard, in “Crime a maior empresa livre do mundo”, Le Monde Diplomatique, Abril de 2000.
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O “consulado” de Bernardo de Sousa à frente do Ministério dos Transportes ocorreu em meados dos anos 80 e foi determinante para a evolução negativa desde então protagonizada pelo Porto de Luanda, à revelia duma legislação que até hoje não terá siso revogada – o Porto, ao que alguns entendidos fazem saber, está preso ainda ao decreto que o coloca em “regime de excepção”.
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“Em regime de excepção” esteve de facto o Porto de Luanda, quando após a independência perante a sua desorganização, em termos de quadros e de estruturas, obrigou Agostinho Neto a adoptar medidas enérgicas que levaram ao saneamento duma situação que se arrastava, que era catastrófica para a economia angolana e se espelhava nas dezenas de navios que dentro e fora da baía de Luanda aguardavam a sua vez para atracar e realizar as morosas operações portuárias.
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Foram criadas infra-estruturas que qualificavam o Porto de Luanda como uma enorme unidade integrada, foram abertos espaços para contentores, foram montadas as linhas de formação dos comboios para melhor manusear e escoar as mercadorias, foram simplificados os padrões técnicos de suporte aos equipamentos e máquinas reduzindo a quantidade de modelos em uso, foi criado um sistema de iluminação eficaz que permitia que as operações passassem a ser desenvolvidas dia e noite, reforçou-se o betão de uma zona muito vasta dos espaços contíguos aos cais, a pontos de que, caso fosse necessário e evacuados esses espaços, até houvesse a possibilidade de se criar com isso uma pista de aviação alternativa,...
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Após o saneamento, com a chegada de Bernardo de Sousa a Ministro dos Transportes, fez-se “tábua rasa” desse esforço, nem sendo preciso revogar o decreto que colocou o Porto em “regime de excepção”.
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Inebriados com as potencialidades nascentes de capitalismo e da privatização, com o “mercado”, uma série de candidatos apressaram-se em “fazer-se ao suculento bife” respondendo a um “concurso público” e disputando cada uma das quadrículas a que se passou a chamar de terminais, em que o Porto foi dividido, “a esquadro e régua”.
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As estruturas portuárias que correspondiam a um modelo integrado, foram severamente atingidas: as divisões obrigaram a implantação de muros “de segurança” ao redor dos espaços que couberam a cada um, o feixe de formação de comboios foi pura e simplesmente arrancado do solo, cada operador encontrou soluções distintas para o seu parque de máquinas, o escoamento passou a ser quase exclusivamente garantido através da camionagem… atravancando cada vez mais os acessos…
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Enquanto a confrontação armada se manteve, a afluência ao porto esteve reduzida e os novos moldes, pesar das quebras em termos de operatividade, foram àquela época apesar de tudo “chegando para as encomendas”.
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Por essa altura contudo e acompanhando a evolução promissora do petróleo “offshore” angolano da costa noroeste, foi criada a base de apoio às operações de petróleo no mar, a “SONILS”, agregada à holding em que se constituiu a SONANGOL, a norte do velho sistema do porto e conquistando com aterros as águas rasas adjacentes.
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As linhas de atracção da SONILS cresceram (e continuam a crescer) e nesse espaço surgiram como cogumelos as empresas multinacionais que operam em apoio das plataformas das explorações no mar, tanto em apoio tecnológico como em apoio logístico e, de entre elas, pouco a pouco, a Halliburton e a sua “associada” Brown & Root foram ganhando proeminência, dada a variedade de capacidades que possuem, desde as tecnologias empregues nas operações propriamente ditas, até à gestão de bases, ao recrutamento de pessoal, às operações de logística, à construção e operação de armazéns e … ao resto…
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O Porto de Luanda pós-guerra dos diamantes de sangue, voltou à velha crise, desta feita obsoleto na partilha dos terminais, inoperante e por causa disso, as dezenas os navios mercantes que têm de o escalar, vão ancorando “sine die” à ilharga da ilha de Luanda, como se fosse outra cidade no mar; a criação de portos secos, onde se vão aglomerando as mercadorias e os contentores em trânsito são apenas pequenos paliativos para o seu desembaraço.
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O estado angolano está a pagar milhões e milhões de dólares em sobre estadias e os mais prejudicados são aqueles que estão no último elo da cadeia dos negócios, os destinatários dessas mercadorias, o povo angolano!
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A SONILS pouco a pouco começou a ser, para além do terminal vocacionado ao apoio das operações petrolíferas, um terminal alternativo a que só muito, poucos para além desses operadores, é permitido acesso, fugindo ao caos dos terminais, como se finalmente se estabelecesse um invisível “apartheid” entre uns e outros: os privilegiados que conseguem via SONILS desembaraçar as suas mercadorias e os outros que vegetam no pântano em que se passou a constituir, pela via dos seus terminais, o Porto de Luanda!...
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A Halliburton e a Brown & Root obtiveram assim “de bandeja”, todas as vantagens estratégicas e psicológicas no que toca ao desenvolvimento dos seus interesses no Porto de Luanda, particularmente no sistema SONILS, alargando a sua malha de influência e passando a ter uma parte cada vez mais activa nas capacidades de gestão, associando-as às suas actividades múltiplas no mar e em terra.
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A Halliburton pode hoje por exemplo, garantir apoio de formação a interessados de conveniência, garantir operações e logística a entidades fora do sistema do petróleo (como por exemplo às empresas construtoras chinesas que operam ao abrigo dos contratos vigentes entre a China e Angola) e, face aos indícios de operações ilegais a nível internacional, parece ser um dos “dealers”que beneficiando de toda a “liberdade de acção” em Angola, melhor estará colocado para a circulação de droga oferecida a cada vez mais consumidores, a começar por alguns que operam nas plataformas, ou a interessados que estão associados às suas operações de logística…
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Nunca Angola viu crescer tanto a circulação da droga pesada como hoje e isso apesar de algumas operações da Polícia Nacional terem tido algum resultado.
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Nos primeiros anos de independência, o que era possível aparecer era a marijuana, tradicionalmente consumida (que é localmente conhecida como liamba), mas as drogas pesadas não eram conhecidas no país (salvo em eventuais círculos muito restritos das elites coloniais e post coloniais).
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A partir do início da década de 90 contudo, a cocaína e a heroína começaram a surgir e a ser introduzidas pelas portas escancaradas de Angola e como é lógico, o desconcerto do Porto de Luanda não poderá ter deixado de contribuir para tal.
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A atmosfera catastrófica da guerra, apesar da falta de capacidade financeira da maioria, acabou por fazer aumentar as potencialidades do consumo e agora com 6 anos de ausência de tiros, o flagelo está aí instalando-se como um cancro em todos os substratos sociais do país e muito particularmente de Luanda, atingindo por exemplo em cheio alguns sectores mais marginalizados (particularmente da juventude), contribuindo para os índices elevados dos “crimes de baixa renda” a que o conjunto de factores está associado.
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Por todo o lado o apelo ao sexo, ao álcool e à droga, de forma subtil e mesmo que não esteja expressa, (por vezes é expressa em nome da “auto estima”), foi-se instalando, atraindo até pela via das emoções colectivas dos mais diversos grupos sociais (incluindo os ocasionais), através de muitas “produções musicais” e até de programas audiovisuais e filmes, “numa boa” que inunda também os “centros de convívio”, desde as discotecas nocturnas, às esplanadas mais simples dos bairros, muitas vezes sob o olhar condescendente das autoridades e dos cidadãos, reveladores da impotência a que chegaram, ultrapassados pela velocidade e a surpresa do impacto dos fenómenos degradantes de que também se reveste a globalização.
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Uma forte campanha vai decorrendo, no sentido de se ultrapassarem as dificuldades sociais, mas há ainda muito que fazer para resgatar a sociedade dos impactos negativos que surgiram desde o início da década de 90 com a globalização que se assumiu, em nome do “mercado”, segundo uma filosofia hegemónica.
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O Programa do Governo do MPLA entende e bem que os fenómenos de ruptura social, em termos afectação, tendem a representar comparativamente a outras classes, uma percentagem cada vez mais elevada nas práticas das classes sociais mais desfavorecidas e principalmente nos enormes e degradados subúrbios das grandes cidades:
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(…)
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“O MPLA tem consciência que o combate à pobreza e a prevenção da exclusão social e seus efeitos exigirão a elaboração de um Programa Nacional, integrado e multidisciplinar, que organize a intervenção junto das comunidades urbanas e rurais mais desfavorecidas, bem como a concentração e gestão racional dos meios, recursos e esforços institucionais necessários para a resolução dos problemas que as afectam ou ameaçam.
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Por último, o MPLA considera que esta batalha deve constituir um desafio que envolva todas as entidades com responsabilidades políticas, económicas, sociais e culturais, bem como os próprios cidadãos em situação de pobreza e exclusão, aos quais devem ser dadas possibilidades e oportunidades concretas e exigida a responsabilidade da assumpção de uma atitude pró activa que conduza a melhorias significativas nas suas respectivas vidas”
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.… Estará tudo no entanto decididamente muito mais perfeito, aproveitando a crise global que também atinge Angola, se ao invés de as pessoas actuarem no quadro da lógica própria do “mercado” (uma lógica de degradação ética e moral de que a presença da cooperação chinesa não consegue disfarçar), assumirem em definitivo a filosofia social que o MPLA expressa e deixarem de ter medo de proclamar a alternativa socialista que aqui e agora se abre… e isso é uma questão política que se prende com todos os desafios de reconciliação e reconstrução nacional de Angola, com a responsabilidade de avaliar que o impacto desses actos se farão sentir também nos inter relacionamentos de Angola quer no âmbito da África Austral, quer no do Golfo da Guiné, quer na África Central e Grandes Lagos… "
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http://pagina-um.blogspot.com/

terça-feira, fevereiro 10

Elite International Careers

A Elite International Careers tem o privilégio de anúnciar o seu primeiro fórum de recrutamento em Lisboa, nos dias 6, 7 e 8 de Março de 2009, direccionado para Angola, no qual vão participar cerca de 30 empresas líderes em Angola, das quais se destacam a Odebrecht e Chevron como patrocinadoras, e a Acergy, BESA, BP, Cameron, Cuca BGI, DNV, Elecnor, EMSA, FMC Technologies, Global Alliance, Halliburton, Honeywell, ITM Mining, Mota-Engil, Nalco, NDS, Oceaneering, Ofek, OPS, Panalpina, Pride, Queiroz Galvão, Saipem, Sonils, Subsea7, Technip e Zagope.

O Elite Angolan Careers vai realizar-se durante um fim-de-semana e reúne entrevistas pré-agendadas entre candidatos previamente seleccionados e os decisores-chave das empresas presentes. Durante o fórum, decorrem ainda apresentações de representantes das empresas presentes que dão a conhecer aos candidatos os seus objectivos organizacionais, a importância do regresso dos quadros angolanos e as oportunidades correntes.

Esta é uma oportunidade única dos candidatos estarem expostos a um grande número de empregadores e vice-versa.

O acesso a este Fórum é para candidatos convidados (ou seja, candidatos cujos CVs foram enviados para as empresas e que as mesmas estão interessadas em entrevistar no Fórum).

Estás interessado?

Então envia já o teu CV para angola@eliteic.net e visita o website www.eliteangolancareers.com para mais informações.

Conheces alguém que possa estar interessado?

Por favor indica os seus contactos ou passa a palavra reenviando-lhes o nosso website www.eliteangolancareers.com

Obrigada pela atenção!

http://www.eliteangolancareers.com/

quinta-feira, fevereiro 5

SOBRE A CRISE MUNDIAL

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"Vou fazer um slideshow para vocês... Estão preparados?
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É comum, vocês já viram essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumaram com elas. Começa com aquelas crianças famintas de África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos. Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.
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Durante décadas, vimos essas imagens no Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objectos de arte, em livros de fotógrafos de renome. São imagens de miséria que comovem. São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.
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A miséria pelo mundo, seja no Uganda no Zimbabué, em Angola na Índia ou em Bogotá, sensibiliza. Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta. Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver, capicce? Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
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Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo. Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia - " bancos e banqueiros, agora a indústria automobilística." Como uma pessoa comentou, é uma pena que este texto só esteja em blogs e não na mídia de massa.
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Se quiser, repasse, divulgue, se não, o que importa, o nosso almoço tá garantido mesmo..."

Enviado por: New World Fundation

quinta-feira, janeiro 29

Rei Muatchissengue wa Tembo

Principal riqueza de uma região é o seu povo. Mas, no Leste, o povo está a ser vítima da ganância pelos diamantes. Os sectores da saúde e da educação são os principais indicadores que reflectem a condição social de um povo e o nível de aplicação dos seus recursos para o bem-estar comum. Os pequenos indicadores que acima apresentei, demonstram que os filhos do Leste estão a ser lançados para a escuridão total do obscurantismo e da ignorância.
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Por isso, às vezes, as pessoas em Luanda, dizem que os Tchokwés e outros povos da região são matumbos. Essa é a linguagem da capital de Angola. Os outros são matumbos, não é? Então se o governo não dá escolas aos Tchokwés, como é que podem estudar para deixarem de ser atrasados? Eu pergunto aos senhores que manipulam o dinheiro dos diamantes, dos petróleos e com o nosso destino se isto está certo? Na região Leste, mais de 88% das pessoas são analfabetas.
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Como o soberano legítimo da Lunda-Tchokwé diz: não há sequer uma escola primária ou um posto médico, lá onde vivo. Os meus filhos não estudam. Amanhã receberão o meu poder tradicional sem qualquer educação. Isso é muito grave. Estou em crer que o mesmo acontece com os meus irmãos de Pungu-a-Ndongo, Ekuikui IV, a Nhakatolo Tchilombo e Bakongo.
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Na região, o desemprego ultrapassa os 90% da força de trabalho. Nas Lundas, as pessoas praticamente sobrevivem do garimpo ou da candonga de comprar mercadorias em Luanda e revender lá nas praças a preços exagerados. As Lundas são a região mais cara de Angola, por causa dos diamantes, apesar de serem as mais empobrecidas do país, ao lado do Moxico e Kuando-Kubango.
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Os diamantes têm sido explorados no subsolo das Lundas, por parte da Endiama, Sociedade Mineira do Lucapa, Sociedade Mineira do CATOCA, Projecto Luô, SOMINOL, ASCORP, as dragas dos generais do exército,ministros e outros que operam nas áreas do Cafunfo, Cuango, Calonda, Lucapa, Nzaji, Chitotolo, Catoca, Cucumbi, Capenda-Camulemba, Cuilo e Luangue, para não citar outras localidades,serao para o bem das populacoes ou da NAÇÃO?
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Tem-se falado muito na atribuição de 10% das receitas de imposto sobre a venda de diamantes para benefício das populações da região Leste. O povo não conhece a verdade sobre esse assunto, porque ninguém explica como é que se está a governar para o bem-estar das populações. A miséria é cada vez maior.
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Por exemplo, o Hospital Provincial, em Saurimo, só faz consultas a olho nú. Praticamente não tem laboratório. Para se fazer um raio-X ou qualquer análise tem de se ir aos postos médicos privados ou dos missionários de Caluquembe. Para aqueles que trabalham no Catoca têm o privilégio do posto médico da empresa.
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Outro exemplo é a instalação do núcleo universitário de Saurimo numa escola de professores do IIIº Nível. Pintaram a escola e puseram lá a correspondente da Universidade Agostinho Neto. Portanto, menos uma escola para dar lugar a outra. É como fazer funge sem conduto. No mundo inteiro não existe um povo sem cultura, usos e costumes como símbolos da sua dignidade humana, com que Deus abençoou cada grupo etno-linguístico.
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A tradição tchokwé é apreciada no mundo inteiro, menos em Angola, onde praticamente só se aplaudem os cantores brasileiros e procura-se abafar aquilo que é a essência da nossa identidade. Basta verificar que o Museu do Dundo, que era um grande símbolo cultural do Leste do país, e de Angola em geral, está abandonado. Muitas peças de arte foram roubadas e vendidas na Europa.
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Na capital do nosso país, em Luanda, muita gente que se diz civilizada, estranha quando os alguem fala kikongo, umbundu, fiote e outras línguas maternas angolanas. Dizem que são línguas do mato e de matumbos. O colono dizia que eram línguas de cão. Nos obrigam a falar apenas o português, com sotaque de Lisboa, como língua de unidade nacional.
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Por isso é que estamos assim, sem rumo nem liderança que nos indique um caminho para o bem e para a harmonia entre todos os angolanos. O país que temos é de improviso e para aqueles e rejeitam a cultura do seu próprio povo.
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Eu, como Rei, não aceito que hajam angolanos de primeira, de segunda e terceira categorias.
Por: New World Foundation

sábado, janeiro 3

Corrupção*

Mesmo se vivendo num paraíso de vivos, vivaços, vividos e com algumas galinhas de ovos d´ouro, custa compreender como é que não existem leis e planos concretos credíveis, que visam dar o golpe final e mortal á corrupção cada vez mais gritante que vêm tomando conta de todas as estruturas do país.
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Como quase se tornou já institucionalizado, ninguém mesmo se atreve a fazer este combate, através de instauração de processos, por algumas situações imprevisíveis. Uma delas é a cultura do ódio advindo dos parentes e kambas dos corruptos. Os filhos, irmãos, pais, kambas e principalmente os cônjuges passam a nos encarar como monstros --- aqueles que perseguem seus pais, irmãos, filhos, kambas e esposa (o).
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Óbvio -- e não poderia ser diferente -- entendemos perfeitamente esta posição familiar. Quando temos o desprazer de encontrar algum familiar ou kamba do corrupto no Shopping-" Belas ", no Roque, na rua ou mesmo numa roda de kambas, sabemos que os olhares " fuzilantes" se devem ao fato de estarmos aporrinhando a vida daquele, que não teve respeito e consideração com o bem público e resolveu transferi-lo unilateralmente para o seu próprio património.
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Mas também não esquecemos o fato de que os filhos, irmãos, pais, esposos e as vezes até kambas dos corruptos se alimentam com o produto desviado por ele, e acabam participando do bolo de forma indirecta (em certos a casos até directamente (Acompanhem o raciocínio da afirmativa:)"Amigo de corrupto também é corrupto" --- Se você é uma pessoa honesta, que vive exclusivamente de seu salário, que não trambica ninguém, que age como é exigido do funcionário ético, certamente não terá condições de acompanhar o estilo, a pedalada e a vida de um corrupto.
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Como o dinheiro do infame é conseguido de forma ilícita e em grande quantidade, a tendência é que ele o gaste sem muito cuidado e até mesmo sem qualquer"kigila". Assim comprará bens de consumo caros, frequentará restaurantes de luxo cujos os preços não são condizentes com o sabor dos piteu, viajará para locais inusitados, se hospedará em hotéis de alto luxo e você, o honesto certamente não terá condições de acompanhar este "mundo da fantasia corrupta". Então como a vida não é uma ilha e todos os homens gostam de companhia, o corrupto terá que absorver algumas despesas que são suas para tê-lo ao seu lado em uma viagem de fim de semana, nas Tugas, África do Sul ou mesmo em"fugidinhas" no final do dia , onde quiserem.

Como o dinheiro do ladrão vem fácil, ele também o gasta facilmente. Desta forma, na casa do corrupto (quintas ou chalé nos Alpes Suíços), toda aquela mordomia, são pagas com o meu, teu dinheiro e com as lágrimas de todo um povo que sofre de fome. E, você, ao aceitar esta condição confortável acaba participando dos crimes praticados no exacto momento em que aceita não denunciar ou pelo menos tornar público o que sabe (demonstrando covardia), contrariando seus dogmas (falta de ética), para não " perder o amigo " (hipocrisia), enquanto curte as mordomias oferecidas com dinheiro sujo (corrupção).

Esclarecido a tese:" Amigo do corrupto também é corrupto " Vou falar ou escrever sobre o verdadeiro assunto que me levou a assentar em frente ao meu computador hoje, num dia de domingo 21 de Dezembro de 2008, com um tremendo frio por essas paragens. O cônjuge do corrupto!
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De todas as pessoas infelizes neste mundo, talvez aquela que deve ser considerada a mais digna (de todas as penas) seja o cônjuge do indivíduo corrupto apodrecido -- o ladrão do bem público. Não obstante viver de forma confortável, o cônjuge do corrupto deve sentir-se mais imprestável dos seres.
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Além de ser tratado com objecto, sem a atenção necessária, ainda se vê obrigado a admitir (para si ou parentes os demais da sociedade) que é traído e mesmo. Observamos o caso mais comum: da mulher.
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"A mulher do corrupto" Enquanto curte roupas e jóias caras compradas com dinheiro maldito, seu " adorável" esposo está nos braços de outra -- mais novinha, fofinha e vistosa. Por ser indivíduo desprovido de escrúpulos, até porque é corrupto, este ser desprezível não respeita nada que não seja o seu bem individual.
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Para o corrupto pouco importa a amizade e o amor. Quando se trata de conseguir vantagem para si, o desventurado se torna um tractor e "patrola" o que esteja na sua frente. Como na grande maioria das vezes a mulher / principal do corrupto tem idade próxima a dele. Enquanto o dinheiro subtraído ajuda na formação da barriga, no caso da mulher vai sustentando com muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender, o corrupto já não olha para a companheira da forma carinhosa, como no tempo em que não tinham dinheiro, que eram pobres.
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Manos todos nós sabemos que isto é pura verdade. Desprovido de qualquer tipo de consideração para com os outros (inclui-se ai as esposas),o corrupto " vai á luta " e procura uma substituta - novinha - bonitinha de mbunda redondinha, peito lisinho e cheiro agradável.
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Tudo em busca da juventude perdida cheio de kumbú" o que na verdade é meu, teu e de todos nós", o famigerado facilmente encontra a nova metade da laranja e passa a tratar aquela "coisa" que tem em casa como dama antiga e cansada para as suas fantasias.
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A desculpa sempre será; dei tudo para aquela gaja, sustentei ela estes anos todos e os seus parentes, aquele para compensar a convivência com a "dama velha". o corrupto conquista outra. No caso da mulher (ou do marido da corrupta), não existe nenhuma excepção á regra.

Berlim aos 21/12/2008
Fernando Vumby
*Titulo adaptado

domingo, dezembro 21

Votos de Feliz Natal e Prospero Ano Novo, de Angolano para Angolano


Que a nossa amizade seja eterna como eternas são as obras em Angola,
Que a tua alegria aumente como aumenta a corrupção em Angola,
Que o teu amor seja visível como a poeira em Angola,
Que os teus sonhos nunca faltem como a água e a luz em Angola,
Que os teus desejos possam atingir todos os extremos, como os ricos e os pobres em Angola,
Que a tua felicidade aumente como aumentam todos os dias os gatunos de Luanda e que o teu futuro seja bonito e risonho como é o povo desta Angola amada.
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''DESEJO-TE TUDO DE BOM, PARA ALÉM DAQUILO, QUE SÓ ESTA ANGOLA PODE DAR''
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Por: Anónimo

sexta-feira, dezembro 12

"Bocas"

Ter Angola no Coração é ter o coração cheio de amor. Amor por todos os Angolanos – mas mesmo todos. Amor por toda Angola, em toda a sua beleza.
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Temos que assegurar plena liberdade, mas esperando responsabilidade de todos. Temos que estimular e tolerar a diversidade, mas esperando a colaboração de todos na concretização dos grandes desígnios nacionais.
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O desenvolvimento de Angola deve envolver quatro aspectos fundamentais: infra-estruturas, instituições, consciência e cultura. Um país só se desenvolve integralmente se evoluir, simultaneamente, nas infra-estruturas que suportam a vida das pessoas, nas instituições que gerem a sociedade, na consciência individual dos seus cidadãos e na cultura nacional do seu povo.
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A população Angolana está hoje distribuída pelos lugares “errados”. E o principal “erro” chama-se Luanda, cidade que concentra cerca de 30% da população do país. A solução é levar o grosso do investimento público para fora de Luanda. A população segue o dinheiro.
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Se Luanda tiver efectivamente cinco milhões de habitantes, será o 50.º maior aglomerado populacional do mundo. Estará a frente de cidades como Washington, Roma ou Berlim. Dos 100 maiores aglomerados urbanos do mundo, 84 albergam menos de 15% da população dos países e só quatro é que albergam mais de 30%.
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Luanda tem população a mais, tendo em conta a população de Angola. A solução de fundo não é investir e construir à altura de cinco milhões de pessoas. É reduzir drasticamente a população, atraindo-a para outras zonas do país. A solução estrutural para Luanda está fora de Luanda.
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O país deve envolver-se num grande esforço de ordenamento do território. Isto para que os investimentos em infra-estruturas não agravem o actual desordenamento. O desenvolvimento deve ser policêntrico.
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Reduzir a população de Luanda dos actuais cinco milhões para os três milhões; fazer crescer a população de cidades como Malange e Huambo para os 1,5 milhões; fazer crescer a população de cidades como o Soyo e Luena para os 750 mil habitantes.
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As sedes de todas as empresas petrolíferas, a começar pela Sonangol, seriam transferidas para o Soyo. As sedes de todas as empresas diamantíferas, a começar pela Endiama, seriam transferidas para Malange.
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Poderá ajudar uma nova cidade que hospede o poder central, promovendo maior eficiência no funcionamento dos órgãos de soberania e da administração central do Estado. Mas deve situar-se longe de Luanda e deve ser uma cidade da ordem dos 375 mil habitantes. Não acredito que sejamos capazes de construir de raiz uma cidade de um milhão de habitantes.
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Quando a via rápida entre Viana e Luanda estiver pronta, todos vão chegar mais rápido. Quem vem trabalhar e quem vem roubar. A estrada é uma coisa. Não tem consciência. Quem tem consciência são as pessoas. A par do desenvolvimento das coisas temos de cuidar do desenvolvimento das consciências.
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Quer a Noruega, quer a Nigéria, têm muito petróleo. O Desafio para Angola nos próximos 20 anos é usar o petróleo para aproximar-se da Noruega e afastar-se da Nigéria no Índice de Desenvolvimento Humano.
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O que Angola mais precisa é de uma injecção muito forte de uma “vitamina” chamada CCR: Carácter, Competência e Responsabilização. É preciso um número infinito de biliões de dólares para preencher um vazio de CCR.
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Sem instituições desenvolvidas, mesmo com dinheiro, os resultados ao nível das infra-estruturas não aparecem, são lentos ou custam muito mais do que deveriam custar.
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Quem precisa de uma mota não se safa colocando um motor numa bicicleta. Investimento em infra-estruturas sem instituições desenvolvidas é colocar um motor numa bicicleta.
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Frequentemente, fala-se da “nossa cultura” como se fosse somente um acervo de tesouros. Não é assim. Há tesouros, mas também há venenos. Devemos concebê-la como uma dimensão da nossa existência colectiva que é viva. Que evoluiu, não visivelmente todos os dias, mas há espaços de anos ou de décadas.
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Um líder tem de ser uma mulher ou um homem genuinamente interessado na felicidade dos outros, que os engaja através da nobreza do propósito, da integridade dos seus valores, do seu carácter e do calor que coloca nos seus relacionamentos. Como disse Madre Teresa de Calcutá: “Não se fazem coisas grandes. Só coisas pequenas com um grande amor".
A evolução espiritual também é uma das linhas do desenvolvimento de Angola.

Copyright Amândio Vaz Velho 2008.
All rights reserved.

domingo, novembro 30

E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

In: Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008

terça-feira, novembro 4

"Angola é governada por criminosos"

"Angola é governada por criminosos" - ainda hoje esta frase ecoa na minha mente.
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Só eu sei o que senti quando ouvi as declarações de Bob Geldof. E senti-o de tal maneira que havendo certamente palavras elegantes para descrever esses sentimentos, não sou capaz de as reconhecer sequer. Assim, prefiro nem tentar expressar com rigor das minhas emoções. Deixar-me-ei por isso levar pela imaginária e agradável sensação de estar serenamente sentado a beber batido de abacate, com bastante leite condensado.
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Se é verdade que Angola é governada por criminosos, então não deixa de ser verdade que estas eleições foram fraudulentas e que os observadores internacionais são cúmplices na acção criminosa do Estado angolano contra o seu próprio povo e sua única fonte de legitimidade.
Se é verdade que Angola é governada por criminosos, então não deixa de ser verdade que a Comunidade Internacional dá amparo a estes crimes porque, tendo poderes para o efeito, não faz o exame necessário a respeito desses crimes e simplesmente ignora as suas vítimas.
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Se é verdade que Angola é governada por criminosos, então o povo angolano é criminoso porque o Governo de Angola é um GOVERNO DE UNIDADE E RECONCILIAÇÃO NACIONAL.
E se querer um Governo destes é crime, então o povo angolano é criminoso porque escolheu e aceitou para si um Governo criminoso constituído por diferentes forças partidárias.
Por favor Sir Bob Geldof, explique ao povo de Angola que as eleições agora realizadas não foram livres, embora tenham concorrido 13 formações políticas diferentes que realizaram as suas campanhas em pé de igualdade, suportadas com meios financeiros públicos e com total liberdade de reunião e manifestação; que não foram justas, apesar de haver já partidos políticos angolanos que vieram a público declarar que aceitam os resultados destas eleições; e que não foram transparentes, não obstante a constante e contínua informação / formação dada aos angolanos sobre o processo eleitoral.
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Não, o processo eleitoral angolano não foi perfeito, o sistema eleitoral angolano não é perfeito. Mas se também não o é qualquer outro processo eleitoral realizado com a periodicidade prescrita pelas leis dos países onde decorrem, porque havemos de esperar que o processo eleitoral angolano seja imaculado?
Se também não são perfeitos outros sistemas eleitorais, porque havemos de exigir que o sistema angolano seja isento de vícios? Quiçá os mesmo vícios de outros países que tenham adoptado um sistema eleitoral semelhante…Houve dificuldades e falhas. Foram assumidas. Ninguém se escondeu ou procurou justificar o injustificável. Pediu-se desculpa e ofereceu-se a solução, prevista na lei. Deve haver responsabilização por estas falhas? Devem ser tiradas consequências políticas? Se sim, então que assim seja! Os homens deste país já mostraram que sabem assumir as suas responsabilidades e não têm medo do mundo. O FMI que o diga...
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O facto é que Bob Geldof fundou a sua opinião na comummente aceite ideia: Angola é governada por criminosos.É mais fácil aderir à opinião generalizada e escutar apenas pessoas que estão de passagem, de pessoas que têm uma opinião tendenciosa ou de pessoas que simplesmente ignoram a realidade angolana, do que estudar as questões a fundo, no terreno e de forma imparcial; do que procurar compreender o que foi, o que é e o que se quer que Angola seja; do que contribuir com projectos, com ideias, ou simplesmente com conselhos ou sugestões modestas.
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Desculpem mas tenho de repetir: se Angola é Governada por criminosos, o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, composto por diferentes partidos políticos angolanos, tem a cobertura de toda a comunidade internacional, na sua acção criminosa, e isso inclui a do Sir Bob Geldof pela forma leviana, irresponsável e pior, inconsequente como vem a publico fazer denúncias graves sem que tenha sido apresentado qualquer tipo de suporte a respeito.
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Falar de Angola é fácil porque estamos catalogados como um país do terceiro mundo. Mas pergunto-me: qual a verdadeira diferença entre os países do terceiro mundo e os outros quando em ambos existe fome? (EUA); quando em ambos pessoas morrem por falta de assistência médica (Portugal); quando em ambos não existe liberdade religiosa (França); quando em ambos não existe igualdade salarial entre homens e mulheres (Itália) ou quando entre ambos, por crenças religiosas se matam pessoas? (Irlanda); ou quando em ambos os candidatos as eleições legislativas são assassinados? (Holanda)Falar de Angola é fácil simplesmente porque basta descontextualizar a realidade e subvertê-la aos critérios culturais de quem fala.
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Aprendi na faculdade que devemos sempre procurar saber quem faz a História, ou melhor, quem a conta. O mesmo facto, testemunhado por duas pessoas diferentes, é contado de forma diferente porque cada uma delas tem a sua própria hierarquia de valores e interpreta a realidade e tomando decisões em conformidade com essa hierarquia e outros factores que influenciam o conhecimento.
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E o problema não é, o facto do "Governo angolano não saber conviver de forma saudável com a liberdade de imprensa" como diz o comunicado da SIC. O problema que existe na verdade é o do exercício abusivo ou irresponsável da liberdade de imprensa.Responsabilizar civil ou até criminalmente as pessoas pelo exercício abusivo ou irresponsável das suas liberdades pode não bastar para repor a ordem pública. Se necessário for, o Estado pode e deve limitar ou mesmo suspender o exercício de liberdades fundamentais. Não estou a sugerir que sejam agora intentadas acções judiciais contra Bob Geldof ou a SIC. Estou apenas a dizer que defendo o meu país.
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Não estou com isto dizer que o Estado angolano pode suspender liberdades fundamentais de cidadãos estrangeiros que nem sequer se encontram no Pais. Estou apenas a dizer que não sei se foi o Estado angolano que inviabilizou deliberada e injustificadamente a emissão dos vistos de alguns repórteres portugueses ou se havia fundamento legal para o efeito ou ainda outro qualquer, minimamente atendível, que inviabilizasse a emissão dos vistos. Sei no entanto, e por isso não deixo de considerar intrigante, que a SIC omite, deliberadamente ou por mero esquecimento, o motivo porque os vistos não foram emitidos.
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O exercício da liberdade de imprensa, deve ser um exercício de responsabilidade, deve ser um exercício de informar e ser informado com objectividade, com imparcialidade e com rigor. Sem estes requisitos, mínimos, a informação deixa de ser notícia e passa a ser um artigo de opinião, sem a dignidade que se quer para um serviço noticioso. Sim. Angola é um Estado de Direito e não o é menos do que outros Estados onde por vezes, às vezes constantes, as leis também são atropeladas.
Não. Angola não deixou de existir com o fim da guerra e nem foi (re)descoberta com o início do seu crescimento económico.
Ruka Passos

quinta-feira, setembro 18

"Rir é o Melhor Remédio"

Era uma vez Quatro funcionários públicos angolanos chamados: Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.

Havia trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria.
Qualquer-Um podia faze-lo mas Ninguém o fez.
Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente.
Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria.
No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.
Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um quinto funcionário para evitar todos esses problemas.

terça-feira, setembro 9

Angola em tempo de eleições e de debate

João Melo: Angola, factor étnico e o resto da África

Reacções academicamente válidas e talhadas a este artigo poderão ser encaminhadas ao autor e viabilizar a dialéctica em torno do assunto.

FACTOR ÉTNICO é a grande diferença entre Angola e a maioria dos países africanos

A grande diferença entre Angola e a maioria dos outros países do continente tem a ver com o peso do factor étnico: no nosso país, esse peso é muito menor do que aquele que predomina nos demais países.
João Melo *

Dois académicos angolanos, Mário Pinto de Andrade e David Boio, realizaram um inquérito junto dos estudantes universitários locais designado "Estudo sobre Identidade Nacional e Cultural - Pensamento dos Estudantes Universitários" , cujas conclusões, recentemente divulgadas, são extremamente significativas.

As mesmas demonstram aquilo que muitos angolanos, dos cidadãos comuns aos intelectuais, passando por vários dirigentes políticos, costumam afirmar, mas que alguns insistem em ignorar: Angola é um país diferenciado em África.

A grande diferença entre Angola e a maioria dos outros países do continente tem a ver com o peso do factor étnico: no nosso país, esse peso é muito menor do que aquele que predomina nos demais países.

Esse facto objectivo é confirmado pela "hierarquia identitária" observada nas respostas dos inquiridos: os jovens universitários angolanos identificam-se como angolanos, africanos e cidadãos do mundo, por essa ordem. Só depois disso aparece a identidade com base na etnia. Um dado "estranho", à primeira vista, mas que, por isso mesmo, é altamente sintomático, é que, entre os estudantes originários do interior do país, ser "cidadão do mundo" surge antes de ser "africano".

Em termos de línguas, o português é de longe reconhecido como o idioma que melhor representa o país, tanto em Luanda como nas restantes províncias. O kimbundu e o umbundu aparecem depois, consoante a origem geográfica dos inquiridos. O hino e bandeira (que muitos insistem em considerar demasiado "colados" ao MPLA, o partido no poder) são os símbolos com que os inquiridos mais se identificam, a nível nacional.

A religião predominante, segundo o estudo, é o catolicismo. As crenças tradicionalistas (por exemplo, a kanda e a umbanda) praticamente não foram declaradas.

Enfim, os cinco escritores que, de acordo com os estudantes universitários locais, melhor expressam a identidade angolana são os seguintes: Agostinho Neto, Pepetela, Uanhenga Xitu, Luandino Vieira e Alda Lara. Para quem gosta de analisar África sob o estafado prisma da cor da pele, dois desses escritores são pretos, dois brancos e um, mestiço.

Estes alguns dos resultados mais importantes do "Estudo sobre Identidade Nacional e Cultural - Pensamento dos Estudantes Universitários" , acabado de divulgar em Angola. Os mesmos lançam por terra as teses de certos cientistas sociais vinculados à corrente tradicionalista local, como, só para dar um exemplo, a afirmação de que a antropologia e as línguas de origem africana é que definem a angolanidade.

Num país pluri-racial e pluri-linguístico como Angola, essa tese é, para dizer o mínimo, cientificamente equivocada. Do ponto de vista político, pode mesmo tornar-se perigosa.
A verdade é que as imagens e percepções dos estudantes universitários angolanos - as futuras elites do país - atestam uma tese que já defendi em público: Angola é um país de origem afro-euopeia, cuja matriz bantu é fundamental, mas não exclusiva (logo, não pode ser excludente).

O traço realmente estruturante de Angola resulta - sejam quais forem as avaliações políticas e/ou morais que é bom, sem trocadilhos, não branquear - do contacto histórico ocorrido, no espaço territorial que hoje constitui o país, entre os seus habitantes originários e os povos europeus chegados do exterior, como o evidenciam de forma clara e inequívoca as respostas dos inquiridos acerca, por exemplo, da religião, da língua ou da literatura.

Ora, e sem esquecer, como é óbvio, a necessidade de estudar e valorizar correctamente o passado (não apenas os seus ícones, como também os valores e as práticas que se mostrarem adequadas à construção actual da realidade), o futuro de Angola será determinado por aquilo que a sua juventude quiser.
Envio-vos
João Melo, jornalista e escritor angolano, é director da revista África 21

Fonte: http://br.groups.yahoo.com/group/forum_de_angolanistas/

sábado, agosto 23

Relações Inter-Étnicas e o Racismo a Moda Angolana

Sou mulato, ou mestiço, ou ainda, como poderão ler no texto que em baixo republico, “gato de sete vidas “… (não sabia dessa ha ha ha).
Acho o texto muito bem conseguido e carrega uma mensagem importante. Tem também uma pitadinha de injúria na referência que faz aos "mestiços" mas pela seriedade do assunto convido-vos a ler até ao fim e depois reflectir, de preferência em forma de comentário.


Europeu

É engraçado o europeu ou o branco em Angola assim como em todos os lugares que foi e que por uso de força conquistou na era moderna, acaba ele mesmo se transformando no autóctone e transformando o autóctone em o estrangeiro, ou melhor, deslegitimando os direitos naturais de quem encontrou na parcela geográfica e legitimando seus actos sobre os membros da sociedade em que se tem o novo contacto. Passando a legitimar como promoção da civilização europeia todo seu ato contra o Outro, neste caso o autóctone, não devemos esquecer que o branco é o forasteiro, o estrangeiro, o que veio saquear e sequestrar. Assim permaneceu de forma clara e aberta até as independências em África e no resto do mundo colonizado, ainda assim permanece de forma obscura em nossos dias.
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Africano

O preto africano, como dominado, permaneceu e permanece dominado, não mais de forma física, e sim mental ou psique, sendo assim, carrega em si elementos, símbolos, significâncias que o levam sempre a exaltar de alguma forma o europeu ou o branco e os indivíduos que mais se aproximam fenotipicamente ao branco, neste caso os mulatos e outros tipos de mestiços, fruto do cruzamento étnico branco e demais grupos que, com isso a naturalização da auto negação e flagelo, tornam-se algo natural: como alisar um cabelo, refinar o nariz, preferir os nomes e línguas europeias, vestimentas, termos preferência em se relacionar com brancas e na falta delas mulatas etc e etc...
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Afro-Europeu

O mulato dentre todos, é o mais desolado, penso, pois é rejeitado de uma ou de outra forma pelo europeu e pelo africano por ser uma figura ambivalente, fruto de processos políticos sociais e não meramente, como se faz parecer, de traços “biológicos”. E afro-europeu é figura com papel central do racismo moderno em África e sua Diáspora. Textos como de Willie Lynch e outros cientistas naturalistas, físicos, químicos, teólogos, padres, pastores e etc,..
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A Cara do Racismo em Angola

Parece difícil e uma insanidade falar de racismo em África, em especial Angola, algo que muitos angolanos acreditam ser algo inexistente. Faço um esforço e tento reviver minha infância e afirmo aos que assim pensam estarem enganados. Em meu tempo de iniciação educacional, o chamado naqueles tempos de “pré-cabunga” e primeira classe, era muito mais que comum os pretos com algum nome africano se sentirem envergonhados, ”inferiores” na hora da chamada em relação aos mulatos e pretos, com nome todo em português, isto porque passavam o resto do ano sendo os referenciais ou as chacotas da turma e até da escola, em alguns casos, por carregarem alguma marca mais forte de ser um africano: o nome e ou ainda escalificações no rosto, “nomes nativos que até hoje em algumas localidades e conservatórias e notários continuam a ser rejeitados em pro, de nomes de matriz ocidental”.
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Os tidos como ideal de existência tinham nomes de brancos, eram mais aculturados e pertenciam a famílias, que em sua maioria, já eram quase que totalmente urbanas ou lutavam para o abandono de suas matrizes africanas, para assumir as matrizes europeias, neste caso o português. Famílias estas que, por exemplo, comer um funji e outros pratos africanos eram coisas exóticas, feita somente aos sábados ou uma vez ao mês. Assim como também era comum àqueles que tinham mães e avôs que usavam panos não aceitarem que estes fossem a reuniões dos encarregados de educação pelo mesmo motivo: passar a ser o referencial e chacota da turma e escola.
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Em relação à amizade, o legal era não ter amigos mulatos, mas os amigos de mulato eram logo chamados de caxicos dos mulatos, “esquebras dos colonos”, isso porque andavam sempre atrás e não à frente ou ao lado, as brincadeiras e etc. Em muitos casos, os mulatos não brincavam ou eram proibidos de estarem com os pretos, pois os pais não aceitavam tanto de um lado quanto outro — os pais mulatos porque não queriam seus filhos ficando pretos ou se misturando com pretos e os pais pretos porque os pais não queriam ver seus filhos como os esquebras dos colonos, isto porque sabiam o que representava para seus filhos pretos um mulato.
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Não entendia muito bem, até porque meus avos viviam no mato, e assim como boa parte da família, só após algumas conversas com minha avó materna, algumas questões começaram a ser clareadas em minha psique isto porque tinha e tem uma fala ainda muito pesada em relação ao mulato. “Casar com mulato não, é melhor casar com um branco, pois o mulato é pior que o branco”, pois assim como em praticamente todas as paradas do mundo, o mulato é encarado como uma figura ambígua daí o jargão em Angola “o mulato tem sete vidas que nem gato”, pois o gato é encarado na maioria das culturas africanas como um ser do mal, o animal que facilmente se deixa enganar por espíritos do mal, tornando-se ele mesmo o próprio mal.
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Certa vez, em uma das minhas viagens a Luanda, um fato me chamou muita atenção, na época existiam duas casas nocturnas com maior evidência — o Palos e um Pub que o nome me foge agora no mesmo bairro. Em ambos o branco ou mulato e ou o preto que andasse entre os brancos e mulatos tinham prioridade na hora de entrar na casa, mesmo ela estando lotada ou não. E para o efeito da garantia do cumprimento da regra, os seguranças, sempre pretos e em muitos casos suburbanos, que em sua maioria, detentores de uma anseiam de ascender socialmente. Ser alguém com amigos e conhecido na city, o do musseque que quer ser o urbano a qualquer custo nem que para isso tem de barrar os de pele escura.
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Práticas similares permanecem contemporâneas. Outro exemplo: fui ao Banco Espírito Santo Angola me informar sobre critérios e o que era necessário para abrir uma conta. Quando cheguei, fiquei assustado me perguntando se eu estava no Brasil ou em algum outro país das Américas: só havia brancos e mulatos atendendo, os pretos que vi eram duas senhoras da limpeza e os seguranças, entre várias outras coisas que poderia citar, para demonstrar a prioridade e preferências às pessoas de pele clara para ocupar cargos chaves.
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Três fatos sociais identifiquei como chave: primeiro, a herança européia dos mulatos, por terem herdado uma educação melhor em relação aos pretos, em sua maioria foram patrões dos pretos e com isso trataram tal igual o branco fez o preto, ou seja, os mulatos reproduziram e herdaram as práticas racistas; segundo, a ideia de que tudo que é europeu/branco é bonito e interessante, por isso a tendência de um mulato rejeitar seu lado africano e preferir o europeu, sendo assim, em Angola e na falta de um branco, vai o mulato; o terceiro e mais importante, à luta entre as elites mulatas que desfrutavam da condição de filhos de brancos e com isso detentores de documentação, que sonhavam após a expulsão do branco tomarem o poder e manter o status quo é do outro lado uma elite de pretos que emergiram das lutas contra o colonialismo e que sempre foram tratados de forma diferenciada até a independência de Portugal, salvo aqueles que tiveram de renunciar à sua identidade para adquirir uma cidadania, os chamadas assimilados.
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Outras coisas mais perversas mostram isso. Usando como referencial os 30 anos de guerra, que praticamente não gerou mutilados de guerras brancos e mulatos, ou porque a maioria, por ser neto e ou filho de português, tem a nacionalidade portuguesa, tendo facilitado na hora de sair do país ou evitado as chamadas rusgas do passado e ou ainda recenseamento militar. E quando não é essa a questão, o pertencer a um grupo politicamente dominante dos segundos e terceiro escalão de governança nacional. (Como se sabe, ciências políticas e administração são os escalões mais importantes, pois fazem a ligação entre o escalão mais baixo para o primeiro.)
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Creio que esta prática é sabida hoje por muito de nós. O que recomendo é o inicio imediato das discussões sobre estas relações ambíguas no seio da sociedade angolana, pois, caso assim não se faça, teremos ainda problemas sérios, visto que, quando algum grupo étnico se sente de alguma forma ameaçada, o refúgio à identidade étnica e o extermínio do Outro se torna o último caminho possível para soluções de problemas de relações entre grupos étnicos distintos, visto que, no caso de Angola, os brancos e mulatos representam cerca de 2% da população. Exemplos recentes em África o Rwanda, na Europa os Bálcãs, e recentemente a África do Sul e etc etc...
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Por: Nkuwu-a-Ntynu Mbuta Zawua

sábado, agosto 16

"Portuga"

Sou portuga como dizem aí em Angola, mas também sou um admirador de ÀFRICA, não apenas dos ditos países de expressão portuguesa, mas, sim, de toda a África. Sou um amante da literatura africana, fundamentalmente a que usa a língua portuguesa. Foi professor na Guiné - Bissau e Angola em períodos muitos difíceis destes países, penso que fiz um trabalho meritório como professor na Escola Agrária de HUAMBO "HOJI YA HENDA" e gostava de ter alguns contactos com os meus antigos alunos dessa escola. Será que podia alimentar esta esperança? Sei que é difícil...

Também sou um bloguista, por isso cato o que a este nível se passa em ANGOLA. Lei com assiduidade e sempre que posso o Vosso blogue, e sinceramente, gostei. Continuem...

Saudações para os mentores de http://desabafosangolanos.blogspot.com/

José Carlos Pacheco Alves

sábado, julho 12

REVISTA DA IMPRENSA: AS ELEIÇÕES CONTINUAM A INDUZIR VÁRIAS ABORDAGENS

«Partidos políticos sob ameaça de afastamento das eleições», este é o titulo principal do jornal Angolense, onde se fala da possibilidade de afastamento de alguns partidos políticos que apresentaram as candidaturas ao Tribunal Constitucional, já que agora se está numa fase de observação minuciosa da documentação.

«Os crónicos problemas da saúde», nesta matéria social, o jornal numa reporta os vários problemas que há muitos anos afectam o sector da saúde. Nesta abordagem o Angolense foi ao encontro dos programas dos partidos políticos para conhecer as ofertas que são apresentadas no plano da saúde.

Sobre economia, Gomes Cardoso promete penalizar as empresas que violam a legislação vigente. Esta matéria fala das leis ligadas ao comércio, como a lei que proíbe a entrada de produtos no pais com rótulo estrangeiro, mas que se continua a assistir este cenário nas prateleiras das lojas. O director nacional do comércio promete mão pesada para as empresas infractoras.

O Folha 8 traz como título principal «Dinheiro vai determinar vitória eleitoral», numa alusão ao financiamento da campanha. Outro título de capa «Miala e seus pares estão há um ano reclusos».

Aqui o jornal faz uma espécie de retrospectiva de tudo que se passou antes e durante o processo que levou à prisão dos quatro membros dos Serviços de Inteligência Externa.

Como chamada de capa no Folha 8, jornal português «O Público» acusa; «Kopelipa comprou quinta por mais de um milhão de euros em Portugal». Outra chamada. «Dinheiros confiscados da Angolagate, suíços desconfiam». «CEAST e as eleições, bispos querem vitória sem fraudes».

O Jornal Visão estampa «Kundi Paihama fora do MINDEN». O actual ministro da Defesa, general Kundi Paihama, será a próxima vítima a ser exonerado nos próximos dias pelo Presidente da República. Kundi Paihama deverá ser substituído por Armando da Cruz Neto, actual embaixador no Reino Unido.

Como outra chamada de capa. Independência para as Lundas. Isto pode provocar nova guerra. Os Lundas pretendem uma autonomia na Administração, defendem a independência ou o direito a um estatuto especial.

O jornal Visão traz outra chamada de capa, «Argola leva vida de inocente» o caso do super-intendente que matou no São Paulo.

Esta matéria prende-se com a morte de uma cidadã a queima-roupa, por um oficial da Policia por ter sido roubado o fio de ouro da sua esposa e fez um disparo que atingiu uma inocente.

«Depois do Canal 2, Tchize fica com a Movicel». «A Rádio Despertar pode fechar na próxima semana».

No jornal Agora, a principal manchete, «Pernoita dos votos foi chumbada». «Sonangol contra BPI». «INACOM quer fechar a Rádio Despertar». «Via expresso antes das presidenciais».

O Semanário Angolense sublinha no ante-titulo «Massanga Sakaita e Tchizé dos Santos têm «encontro marcado» na Assembleia Nacional». «O DNA» dos «herdeiros políticos» Massanga Sakaita, filho de Jonas Savimbi, e Tchizé dos Santos, filha do Presidente Eduardo Dos Santos».

Como chamada de capa, Hélder de Sousa «Rato» foi denunciado por uma vítima do salazarismo. O antigo «bufo» da PIDE-DGS, entre os quatros lusos do jornal «O País». O novo semanário do grupo «Nova Media» contratou 20 profissionais portugueses aos quais oferece salários de 6 mil e 500 Euros, casa em Talatona, carro e empregada doméstica.

«Poeira e obras nos arredores de Luanda». Como última chamada de capa «Mendes de Carvalho ameaçou abrir a boca».

O Novo Jornal traz como manchete «34 pré-qualificações». Referindo-se aos 24 partidos e 10 coligações, até ao dia 17 serão analisados os processos e depois ficar-se-á a saber quem e quantos estarão no boletim de voto. Verdadeira batata quente em mãos dos sete juízes são as candidaturas duplas, casos da FNLA e do PADEPA.

Vem ai o novo Sambizanga. Este município poderá ganhar uma nova imagem com a requalificação dos bairros Mota e Lixeira. O cadastro já começou, mas os moradores desconhecem o projecto.

Na contra capa «Refinaria do Lobito; Sonangol rompe com Braspetro». No epicentro desse divórcio esteve a tendência de imposição, por parte dos brasileiros, de condições extracontratuais tidas como incompatíveis que visavam a obtenção, pela Braspetro, de vantagens adicionais à sua presença na refinaria. (AMendes)

Enviado por: Margarida Castro

domingo, julho 6

Os estrangeiros...

Sou Angolana de nascimento, vivi 20 anos em Angola e esse é um País que eu amo e nunca sairá do meu coração. Não gosto de ouvir falar mal do meu País e muito menos do seu povo. Incomoda-me, irrita-me. Não consigo perceber as pessoas só vão trabalhar para Angola por causa do dinheiro. Não gostam do seu povo, das suas gentes e só são simpáticas e cordiais para angariar simpatia, essa simpatia chega ao ponto de abrir as portas de sua casa para ganhar confiança. Falam constantemente em corruptos e na facilidade em corromper.
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Dão-se ao luxo até de dizer quem corrompem, com nomes e tudo. Acham que somos tudo um bando de ignorantes, mesmo aqueles que se formaram, dizem que são um povo sem cultura geral e que têm cursos tirados à pressão nos países como Cuba, Rússia e África do Sul. Que é amigo de um chefe da policia em Luanda e que tem as costas quentes. Que ele não passa de um tolo que engraçou com o branco que até é simpático e sempre cordial. Que na DEFA consegue subornar que os vistos anteriores foi uma tal de (Dona) que ele dava gasosas que trazia de Portugal, livros de Direito, carteiras de peles etc... Agora diz que arranjou alguém com um posto bem alto que tem poder de decisão nos vistos para lhe dar um novo visto de trabalho diz que o visto desta forma sai…
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Em Maio ouvi isto tudo de um (senhor) que a Portugal tratar dos papéis e que até na embaixada tinha conhecimentos novos. Antes telefonava a um tal de (senhor) mas que este era mais vantajoso e melhor relacionado. Que o visto da maneira como ele está a tratar com tanta gente envolvida era certinho, mais quatro anos só a lucrar e depois logo vê se vale a pena continuar. Eu pergunto como é possível alguém que só tem o sexto ano de escolaridade permanecer como vendedor e ridicularizar o povo Angolano quando vem de férias. Como podem aceitar pessoas assim que não dignificam o País que os acolhe. Esse senhor esteve em Maio em Portugal para pedir um novo visto de trabalho.
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Quero ouvir falar bem do País onde nasci, cresci e fui feliz. O povo merece o melhor e não gente que não lhes dá o devido valor e os trata como imbecis.
Adorava nunca mais ouvir falar desta forma do meu povo da minha gente.

Obrigada pela sua atenção.
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Por: MARIA FERREIRA

sexta-feira, junho 13

Pesquisa Fracassada...

A ONU resolveu fazer uma pesquisa em todo o mundo.
Enviou uma carta para o representante de cada país com a pergunta:

"Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".

A pesquisa foi um grande fracasso. Sabe porquê?

Todos os países europeus não entenderam o que era "escassez".
Os africanos não sabiam o que era "alimento".
Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre o que era "opinião".
Os Portugueses mal sabem o significado de "por favor".
Os norte-americanos nem imaginam o que significa "resto do mundo".
A assembleia Angolana está até agora debatendo o que é "honestamente".
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Enviado por: Anónimo

sexta-feira, maio 30

Um Desabafo Diferente

Angola entre os países mais pacíficos do mundo

O fim da guerra, a estabilidade política e realização de eleições permitiram a Angola tornar-se num dos países que mais subiram na tabela dos mais pacíficos no mundo em 2008.

A tabela, organizada conjuntamente pelo grupo de reflexão Instituto de Economia e Paz e pela Economist Intelligence Unit, destaca além de Angola, a Indonésia, Índia e Uzbequistão como os países que mais pontos positivos acumularam.

O estudo, que teve a primeira edição em 2007, somente com 121 países, é este ano liderado pela Islândia, que substituiu a Noruega como o país mais pacífico do mundo, de entre os 140 Estados considerados.

In: http://www.rna.ao/canala/noticias.cgi?ID=20932
Gentilmente cedido por: Vânia Mendes