quinta-feira, abril 26

Os ricos de Angola

Espero sinceramente que esta crónica pareça completamente ridícula daqui a meia dúzia de anos.

Trata-se de uma crónica que tem por tema a inauguração com a presença do Presidente da República!

Num país minimamente desenvolvido, com um saudável sistema de economia de mercado, a inauguração de um novo Centro Comercial representa, quando muito, uma notícia relevante para o bairro onde o mesmo se situa.

O facto de um tal acontecimento nos entusiasmar tanto (a mim entusiasma) diz bem do lamentável atraso em que nos encontramos – é o espanto do camponês ao ver pela primeira vez uma televisão (ou, ao invés, do menino da cidade diante de uma galinha).

Daqui a meia dúzia de anos espero, pois, que a notícia da inauguração de um centro comercial já não alvoroce ninguém.

Olhando para trás haveremos todos de sorrir, com certa auto-ironia, ao lembrarmo-nos do tempo em que não havia em nenhuma cidade angolana um bom cinema, com filmes actuais, ou sequer uma boa livraria.

Nessa altura o Presidente da República, quem quer que seja, há-de estar a inaugurar grandes bibliotecas públicas, bons hospitais, auto-estradas, escolas em bairros carentes, e então nós teremos orgulho nesse Presidente da República.

Os nossos ricos – por falar em centros comerciais – são igualmente reveladores do terrível atraso em que três décadas de guerra, corrupção e incompetência deixaram o país. Não temos ainda ricos como os ricos dos países ricos.

Os ricos dos países ricos são charmosos e elegantes. Praticam musculação em casa, uma hora por dia, com a ajuda de um personal trainer, e ainda lhes sobra tempo para o Ioga, a escalada, a esgrima, ou a equitação.

Os nossos ricos, esses, luzem de gordura. Acham que assistir ao futebol, sentados num sofá, é a forma mais confortável de fazer desporto.

Os ricos dos países ricos morrem de velhice perto dos cem anos.

Os nossos sofrem crises de malária e morrem vítimas de doenças ligadas a maus hábitos alimentares, como os pobres dos países ricos, antes dos setenta.

Os verdadeiros ricos têm no escritório uma tela de Miró ou de Picasso.

Os nossos têm uma fotografia do Presidente da República a inaugurar centros comerciais.

Os verdadeiros ricos coleccionam a grande arte do nosso tempo – Paula Rego, David Hockney, Portinari, Basquiat, etc..

Os nossos ricos coleccionam "arte africana", o que quer que isso seja, comprada muitas vezes nos mercados populares.

Os verdadeiros ricos assistem em Londres ou em Nova Iorque a concertos dirigidos por grandes maestros.

Os nossos assistem em Luanda a desfiles de misses.

Os ricos legítimos almoçam num dia com Mário Vargas Llosa, em Paris, e no outro com Barack Obama, em Washington.

Os nossos almoçam com o Pierre Falcone em algum recanto escondido.

Os verdadeiros ricos lêem o Times Literary Suplement e a New Yorker.

Os nossos lêem a "Caras", na versão nacional, e sorriem felizes de cada vez que encontram o próprio rosto (encontram sempre, é inevitável) iluminado por uma aura de gordura. Resumindo: os nossos ricos são uma fraude. São tão duvidosos, enquanto ricos, tão refutáveis e mal-amanhados, quanto eram enquanto comunistas. Precisamos, urgentemente, de novos novos ricos. Ou então resignamo-nos a que estes envelheçam. Porém, como disse antes, receio que a maior parte morra antes de envelhecer decentemente.
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By:
José Eduardo Agualusa

quarta-feira, abril 18

A CAVERNA E NOSSA SOCIEDADE

A metáfora narrada por Platão em "A Republica", cheia de mitos, foi criada para compreendermos a realidade em que a humanidade se encontra, ou seja, estamos sujeitos às sombras e vê-las como a verdade.

Em seu livro ele relata um grupo de pessoas que vivem no fundo de uma caverna, todos foram presos na infância, imobilizados por correntes, sentados de costas para a entrada da caverna, sem poder se moverem olhando sempre para o fundo da caverna. Assim como a sociedade atual, o povo do subterrâneo tem a sua existência dominada pela ignorância, se contentando com a luz projetada nos objetos, que formam sombras que surgem e desaparecem diante de seus olhos. As pessoas precisam sair da caverna para chegar a um conhecimento superior, abrindo a mente para novas experiências, para novos horizontes, podendo assim crescer interiormente e politicamente.

Mas com isso Platão nos mostra como é difícil e doloroso chegarmos ao conhecimento, se formos libertados e arrastados para longe de nossas cavernas, nos sendo obrigado a percorrer caminhos indefinidos, para romper a ignorância. Em primeiro instante a luminosidade não nos permitira enxergar nada, nesse instante não iríamos conseguir capturar nada em sua totalidade, a princípio, entenderíamos as sombras, porém com a persistência, finalmente poderemos ver os objetos em sua totalidade, com perfis definidos, conseguindo distinguir os próprios seres.

Mas esta nova etapa não consiste apenas em descobrir, mas ir à busca de algo superior, como contemplar idéias que regem as sociedades, conhecendo a verdade e reunindo a inteligência, a moral e a lógica. Assim logo compreenderíamos que as sombras, as quais estamos acostumados, são as coisas que consideramos reais, e que a luz são as idéias verdadeiras, o conhecimento verdadeiro. Assim notamos a passagem da ignorância para a opinião e depois para o conhecimento. Podendo contemplar as idéias, tornando-se apto para descobrir que a luz representa a razão.

Então quando voltamos para a caverna, nossos antigos companheiros que continuaram na escuridão da caverna, zombariam de nossas idéias, pois imaginam que o mundo que conhecem é o único mundo verdadeiro e o pior, não querem se livrar dele, isso porque estão presos a um método incorreto de ver a realidade e só conhecem aquele mundo. Imaginam essa pessoa como um egocêntrico, um extravagante, ou um doido como foram considerados a maioria dos pensadores.

Mas se alguns o ouvissem, e também decidissem sair de suas cavernas rumo à realidade, não haveria tanta desigualdade, os sábios não devem apenas socializar os conhecimentos, mas devem sim, ser chamados as regências das sociedades. O homem justo em nada difere do estado justo, a mesma moral para o homem e o Estado prudência, coragem e temperança.

O governo das cidades cabe aos mais instruídos e a aqueles que manifestam mais indiferença ao poder, pela simples razão de serem os únicos a vislumbrar o belo, o justo e o bem. Aquele que vê o bem em sua essência vive na realidade. O verdadeiro líder é aquele que conduz sua alma racionalmente para se dirigir ao bem verdadeiro, utilizando à energia do amor, podendo assim compreender a justiça, a honra, a fidelidade, ou seja, todas as virtudes supremas.

Bibliografia:
Platão, A Republica. Supervisão editorial Jair Lot Vieira. Bauru - 2001
Chalita, Gabriel. Vivendo a Filosofia - Filosofia antiga 1. São Paulo - Minden - 1998
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Por:
RENATO RIBEIRO VELLOSO (renatov@ajato.com.br) – Pós-graduado em Direito Penal Econômico Internacional, pelo Instituto de Direito Penal Econômico e Europeu da Universidade de Coimbra, Portugal, cursando MBA em Economia e Direito do Sistema Internacional, pela Universidade de São Paulo – USP, e co-autor do livro “Crimes Tributários e Econômicos”, pela Editora Quartier Latin do Brasil.

terça-feira, março 27

Fotografar na via publica agora é crime!?



Os ponteiros do relógio marcavam 11h e tal da manha, no momento que atravessava a avenida revolução de Outubro que divide o bairro do Catambor e do Chaba. Faço um compasso de espera e começo a disparar a máquina fotográfica! A determinado momento consegui captar o candongueiro que atropelou uma pessoa e na maior normalidade continuou para o seu destino. Fiquei confuso, mas continuei a disparar na direcção do corpo deitado no asfalto quente já rodeado por algumas pessoas.
- Jovem, acompanha-me!
Disse o homem a civil que me tocou no ombro.
Perguntei porquê!!! Identificou-se com o seu cartão onde pude ler policia. Fomos até ao contentor que estava alguns metros do local do “crime”, que era um posto de comando da polícia nacional.
- Porquê que estas a fotografar na via publica? Tens algum cartão da TPA (Televisão Publica de Angola) ou Rádio Nacional que te autorize a tirar fotografias neste local?
Da minha boca só saíam respostas negativas e por isso disse-me que a maquina estava apreendida.
-Vamos aguardar pelo carro da patrulha e na esquadra os peritos vão tomar conta da situação.
3 ou 5 minutos depois apareceu um amigo que me vinha buscar. Mas eu conhecedor de como se resolve estes “impasses” conversei com o Sr. agente que em seguida fez-me deletar todas as fotos que tinha no memory card. Depois de um pequeno sermão, aconselhou-me a ter cuidado e não andar por ai a fazer fotos, porque sem autorização posso arranjar problemas graves com as autoridades.
De tanta atenção que o Sr. agente deu ao meu “crime”, nem sequer teve a preocupação de me perguntar se eu tinha conseguido captar o candongueiro que tinha acabado de cometer um crime. Bastava usar o zoom e de certeza que as autoridades iriam conseguir obter a chapa de matricula da referida viatura, mas pelos vistos o meu “crime” teve mais atenção porque foi mais grave!
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Por:
Salucumbo Jr.
In:

sábado, março 17

Carta Aberta
















Lisboa, 12 de Março de 2006


Exmo. Senhor Presidente de Angola

Meu caro Zé Eduardo,
Soube que o teu Governo – e bem – eivado do mais alto sentido da reciprocidade, decidiu não aceitar como válidas as cartas de condução portuguesas. Motivo? Os portugueses multaram o Mantorras – exemplo estandarte maior do poder de Luanda (é muito bom, mas não funciona) – que conduzia com carta angolana. (…) doravante, nem um tuga pode conduzir nas magníficas auto-estradas, seja das Lundas, seja do Planalto Central, se não obtiver uma carta angolana ou coisa assim.
Acho bem! Não queremos cartas angolanas, vocês não querem cartas portuguesas!
Mas outros aspectos da vida existem que tu, caro Zé Eduardo, podias também reciprocar – peço desculpa, mas é assim que se diz. Por exemplo: A limitação de mandatos do Presidente da República. Sabias que nós não admitimos que ninguém – nem mesmo o Mantorras – seja Presidente por mais de 10 anos? E que, ainda por cima, qualquer um que chegue a Presidente tem de ser eleito e que, para ser eleito, tem de ter mais votos?
Aposto que, agora que sabes, não vais deixar de decretar o mesmo. Já te estou a ver: Ai eles têm eleições? Pimba! Nós também vamos ter! Ai eles têm limitações de mandatos? Pumba! Nós também! Ai eles têm votos e tudo, e pode votar quem quiser? Toma! Aqui vai ser na mesma!
E mais, se começas nesta senda de imitar tudo, lembra-te, por exemplo dos autarcas. É que eles também são eleitos. E o Governo, que é designado por um Parlamento eleito de 4 em 4 anos e não de 300 em 300 anos, como ai. Que dizer, o Governo, porque o Presidente é de 500 em 500 anos, salvo erro.
E há mais para copiares. Por exemplo, aqui os tribunais podem acusar e julgar amigos do primeiro ministro ou do Presidente da República. Ou mesmo o primeiro ministro e o Presidente. São orgãos de soberania independentes, não carecem de ser formados pelos amigos do Presidente.
E outras coisas. Por exemplo, em Portugal, os grandes empresarios não são familiares do Presidente da República. Por exemplo, o Prof. Cavaco Silva, tem uma filha mas ela não é uma grande empresária, nem das pessoas mais ricas do país. É uma pessoa discreta e igual as outras, com os mesmos direitos e deveres. Eis outra coisa boa para aplicares a tua reciprocidade.
E mais ideias me ocorrem sobre matéria tão vasta como interessante. (…) E pronto, já vês. Há um longo caminho de recíproco a fazer. Não é só nas cartas de condução.

Viva Angola! Viva o Mantorras e viva a reciprocidade! E manda-te um abraço o teu recíproco.
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Por:
Comendador Marques de Correia
Comendador@expresso.pt



In: Revista ÚNICA/EXPRESSO nº 1794 17 de Março 2007

Foto: AngolaPress





terça-feira, março 13

Petróleo-dependência

Angola é um país com grande potencial em termos de recursos minerais, contudo, este potencial só se traduzirá em riqueza quando “bem” explorado, ou seja, quando as receitas proveniente da sua exploração forem aplicadas para o bem geral da nação, elevando o seu bem-estar.

O que se tem verificado é que estas não têm sido “bem” aplicadas, verificando-se somente a aplicação de uma pequena parte das mesmas, apesar do seu incremento diário provocado pela alta geral do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Verifico com preocupação esse facto porque, segundo especialistas em energética, Angola só tem reservar provadas de petróleo para mais 30 ou 40 anos.

Outros Estados produtores de petróleo, nomeadamente, os Emiratos Árabes Unidos, confrontados com a mesma problemática (Esgotamento das suas reservas petrolíferas) têm investido fortemente nas novas tecnologias da informação, uma forma de perpetuar o elevado nível de vida das suas populações, depois do fim das receitas proveniente da exploração petrolífera, pois, é nesse tipo de produtos que se obtém uma mais valia.

O que se tem verificado em Angola é que, para além das receitas petrolíferas não reverterem para o bem-estar da maioria da população, os poucos investimentos efectuados não têm grande rentabilidade, perpetuando assim a sua dependência das receitas da exploração mineira.

Para agravar esta problemática, os maiores consumidores mundiais de petróleo estão a desenvolver muitas e mais limpas tecnologias, afim de diminuírem a sua petróleo-dependência. Muitas não terão grande sucesso, outras porém, poderão diminuir drasticamente a importância que actualmente representa o petróleo como fonte de energia.

Um exemplo é a tecnologia de liquefacção do carvão, que apesar de antiga, ganha maior importância, devido a alta do preço do petróleo.

Os EUA e a China, grandes consumidores de petróleo mas também, possuidores das maiores reservas mundiais de carvão, olham para esse processo a salvação da sua petróleo-dependência. Assim, estão a olhar para as melhores praticas desenvolvidas nesse domínio, como são, a experiência sul-africana, que devido o embargo económico sofrido por causa do procedimento do seu regime político da altura (Apartheid) se tornaram especialistas nessa técnica.

Cabe ao governo, ou governos futuros (esperemos que ao longo dos próximos 30 ou 40 anos haja rotatividade do poder em Angola e não seja sempre o mesmo MPLA dos últimos 30 anos), de Angola investir em politicas correctas para que quando o dia D chegar (fim do Ouro Negro) estejamos em condições de prosperar sem essa dependência que hoje é o catalisador da nossa economia, ocupando na balança das exportações o 1º lugar do pódio.
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Por:
O'mbaka

sábado, março 3

Acidente no Eixo Viário (Luanda)

INSPECÇÃO PERIÓDICA OBRIGATÓRIA era o suficiente para se poupar muitas vidas nas estradas de Angola.

Num país já de si devastado pela guerra, com enormes deficiências de cuidados de saúde, com doenças como a Cólera, ainda temos o perigo das estradas com carros a circular que se o Governo de Angola e o seu Executivo fossem corajosos já teriam tomado medidas que (corajosas) são necessárias para controlar e regularizar o trânsito em Angola, particularmente na Capital Luanda.

O próprio Governo não dá o exemplo! As viaturas ao serviço do Estado encontram-se, na maior parte dos casos, como o mesmo défice de segurança. É frequente sermos interceptados por carros da polícia de trânsito sem piscas, sem faróis, muitas vezes a circular a noite. É frequente ver carros da fiscalização de GPL (Governo Provincial de Luanda) a circularem com deficiências que no Código de Estrada actual não são permitidas. E se formos para as Províncias ai o panorama piora de forma monumental.

É imperioso eliminar das estradas de Angola carros que, como este que causou o acidente que podemos observar em baixo do post, circulam sem oferecerem condições aos utentes da via pública, tantos aos ocupantes da própria viatura como os inocentes que circulam nas vias.

Estou certo que o parque automóvel actual, um misto de HUMMERS de 2006 com camiões IFA que circulam a mais de 30 anos em Angola e que estão fora de circulação nos seus países de origem, iria reduzir drasticamente.

A medida, alem de reduzir o parque automóvel obsoleto, contribuiria para melhorar a segurança e diminuía substancialmente problemas como o intenso tráfego de circulação que nos últimos anos fustiga a vida dos utentes que usam as estradas no dia dia, cumprindo as suas tarefas de trabalho, para poder levar o Pão-Nosso de Cada Dia a mesa. Reduziria também a escassez de estacionamento, muitas vezes ocupado por sucatas.
É frequente ver-se na cidade de Luanda, nos espaços públicos, carros acidentados que os donos não têm dinheiro para concertar e ficam ali a ganhar pó, durante anos e anos, a desadornar uma cidade bela que carece de politicas correctas por parte daqueles que tutelam as responsabilidades politicas.

-Claro que medidas corajosas como essa teriam as suas consequências, aquelas que o Executivo não quer em tempo pré eleitoral, mas bastava ao Executivo que Governa o meu país fazer o trabalho de casa, copiar o que os outros países que tinham o mesmo problema fizeram.
Criar um plano de emergência para fomentar e incentivar a renovação das frotas dos empresários da camionagem, com empréstimos bancários e isenções de impostos, particularmente Alfandegários.
(Ex: Um empresário que importe um camião para trabalhar paga o mesmo imposto Alfandegário que o vizinho do lado que importa um Porche Cayenne para passear) Não pode ser!!!

-Proibir a importação de “sucata”, carros velhos, da Europa e outros.
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Estas são algumas medidas que se podem tomar... Será que há vontade política e coragem para implementa-las???
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Fotos enviadas por e-mail, por um leitor anónimo.




quarta-feira, fevereiro 21

O MEU PROTESTO!!!


"Ó taxistas, que brincadeira é esta?"( pag. 35, Jornal Agora, Edição nº 510, 13 de Janeiro de 2007); " A nossa nova guerra" (pag.22, Semanário Angolense, Edição nº 197, 13 a 20 de Janeiro de 2007).

Aparentemente esses títulos nada têm em comum. Foram publicados naqueles dois semanários editados naquela que é para uns a cidade da confusão, para outros cidade da Kianda e par grande maioria cidade de Luanda. Fazem alusão a sinistralidade que vai tendo lugar nas estradas de Angola. É crença comum que a maioria desses acidentes é causada pela péssima condução dos taxistas de hiace.

Talvez por essa razão, aqueles títulos fazem-se acompanhar de imagens chocantes, resultantes de uma acidente ocorrido entre um hiace e um autocarro. Perderam a vida quatro ocupantes do hiace, incluindo o motorista, enquanto outros passageiros ficaram gravemente feridos. Do autocarro não houve nem feridos nem mortos. Então os jornais insurgem-se contra a péssima condução dos taxistas em defesa da vida. Até aqui tudo bem!!!

Mas apresentar os mortos desfigurados como sinal de chamar atenção aos taxistas ou de protestar contra a morte a favor da vida, parece-me uma opção perversa. Embora a vida seja o supremo valor e a sua defesa inapelável, o morto possui também dignidade. Ou então não estamos em Angola?
Mesmo porque o tempo da lógica da guerra, onde exibir o corpo desfeito do inimigo é sinal de vitória e grandeza já lá se foi!!! Ou então a guerra era apenas uma desculpa.

Parece-me que podia-se falar do acontecimento e chamar a atenção sobre a irresponsabilidade dos taxistas e de outros condutores sem usar aquelas imagens desfeitas e chocantes. Havendo mesmo necessidade, então que fossem cobertos os corpos e mostrado o carro desfeito. Aliás o que vemos e lemos nos canais televisivos e jornais de outros países, onde o horror da morte ou a o morto não tem rosto. Fala-se ou apresenta-se a sinistralidade, mas sem expôr o morto ou os mortos!!!

Alguém tem visto as imagens dos mortos nas estradas dos países da UE ou das americas (USA ou Canada)? Alguém já viu as imagens ou rostos ou corpos de mortos de alguma catástrofe humana ou natural dos países da UE ou da américa(USA ou Canadá)? Sabem porque???
Será que os nossos mortos perdem dignidade??? Não têm direito a protecção da sua imagem???
Seguramente, alguns perguntarão: mas de que galáxia vem esse escriba?!!! Se os vivos são tratados sem dignidade, quanto mais os mortos?!!! Acorda!!!
Têm razão em questionar!!!

Mas é preciso começar a dignificar o que tem de ser dignificado! É preciso dizer alto e em bom som: estamos juntos, mas não estamos misturados!!! É preciso dar um basta a essa cultura da indignidade. Cada um de nós precisa fazer a sua parte e manisfestar o seu desagrado. Aqui fica o meu!

Até breve!!!
In:
http://upindi.blogspot.com/2007/01/o-meu-protesto.html

Upindi Pacatolo

terça-feira, fevereiro 13

"DECÁLOGO DO CORRUPTO"
I. Nunca te esquecerás de que a ética Kantiana é uma teoria impraticável e que são o poder e a ambição que ditam todas as acções dos homens.

II. Terás sempre em atenção que deves usar o teu poder para servir os que ainda estão acima de ti e para seres indispensável aos que estão abaixo de ti.

III. Jamais terás dúvidas de que o dinheiro que geras para ti e para os teus é o melhor atalho para consolidar e aumentar o teu poder.

IV. Realizarás todos os teus actos na sombra, em silêncio, sem testemunhas. Longe de documentos e especialmente ao largo de telemóveis.

V. Procurarás nunca desapontar os teus amos e nunca renegar os teus cúmplices, especialmente se estes forem família, ou tiverem tido acesso à tua intimidade.

VI. Estarás sempre vigilante em relação aos que te invejam e aos que, por formalismos legais ou por suspeita, querem fiscalizar as tuas acções. Encontrarás meios para os desacreditar ou, em último caso, os eliminar.

VII. Construirás diariamente uma teia, com fios feitos por líderes que graças a ti treparão mais alto, por funcionários que de ti tirarão benefícios, por empresas que através de ti chegarão ao lucro, e por novas entidades que deixarás os teus lidarem.

VIII. Deverás estar atento a todas as oportunidades de mercado, sabendo que elas são infinitas, e estudarás especialmente as novas formas de negócios, ou seja, o modo de as usares a teu favor.

IX. Serás cirúrgico e asséptico no modo de contornares as leis, os regulamentos e os códigos, e atrairás a ti os melhores especialistas para te ajudarem a camuflar e a fazerem desaparecer todos os traços das tuas actividades.

X. No caso extremamente improvável de seres apanhado, gritarás inocência até ao fim, marcarás conferências de imprensa para proclamares teu horror e quando te confrontares com a tua consciência, dirás a ti próprio que fizeste tudo para bem do povo e dos seus representantes.
In:

terça-feira, fevereiro 6

Apresentaçao na CASA DE ANGOLA sobre emprego em Angola

O Sr. Miguel Ângelo Vieira estará presente a representar empresas como a Chevron Angola, Esso Angola, Angola LNG, Movicel Telecomunicações, Baker Hughes, Standard Chartered Bank, First Rand Bank, e Coca Cola Luanda. Todas estas empresas estarão presentes no Fórum de Recrutamento Careers in Africa em Londres á procura de Angolanos. Veja esta web para mais informação: http://www.globalcareercompany.com/ciauk/

Os candidatos devem preencher os seguinter requesitos:

· Autorização para trabalhar em Angola
· Licenciatura em qualquer área

A conferencia será na sexta feira dia 9 de Fevereiro ás 15:00h na CASA DE ANGOLA na seguinte morada:
-Travessa da Fábrica das Sedas, Nº 7 - 1250-107 Lisboa (por cima do largo do rato na zona das Amoreiras)

Para mais informação contactar com o Sr. Jaime Araujo na Casa de Angola através do telefone 213 829 487

quinta-feira, fevereiro 1

Mais do mesmo... Chuvas...

Não! Não é a piscina do Alvalade!!!
É a Cidadela...
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Nos tempos em que Angola era a jóia da coroa, era o maior estádio de Portugal.
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Ainda bem que hoje já não é Portugal, pena é estar neste estado de jóia sem brilho...
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Clicar na foto para ampliar
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Por:
Enviado por e-mail anónimo.

quinta-feira, janeiro 25

Chuvas em Luanda...























































Envidado por:
e-mail anónimo

terça-feira, janeiro 23

O inferno que é Angola...


Um homem morre e vai para o inferno...

Ao chegar lá, ele descobre que há um inferno diferente para cada país e ele decide tentar o menos penoso para passar a sua eternidade.

Ele vai ao inferno alemão e pergunta: "O que fazem aqui?"
Disseram-lhe: «Primeiro põe-te numa cadeira eléctrica por uma hora. Depois põe-te numa cama de pregos por mais uma hora. Por fim o diabo alemão vem com um chicote e chicoteia-te até a noite.»

O homem não gosta do que ouve e vai tentar a sua sorte num outro inferno. Ele passa pelo inferno dos EUA, da Rússia, China e muitos mais. Todos eles praticam o mesmo que o inferno Alemão. Mas o que fazer então?

Ele continua a andar até que descobre uma grande fila no inferno de Angola.
Muito intrigado, ele pergunta o que fazem nesse inferno. Ao que lhe Respondem: «Primeiro põe-te numa cadeira eléctrica por uma hora. Depois põe-te numa cama de pregos por mais uma hora. Por fim o diabo Angolano vem com um chicote e chicoteia-te até a noite.»

Aí, mais admirado ainda, o homem diz: "Mas é exactamente o mesmo tratamento que fazem nos outros infernos! Porque razão então a fila aqui é tão grande?"
"Porque aqui nunca há electricidade, portanto a cadeira eléctrica não funciona. Os pregos foram encomendados e pagos, mas nunca chegaram ao destino, foram desviados, portanto a cama é muito confortável. E o diabo angolano era trabalhador da função pública, por isso vem, assina o ponto e depois sai para tratar de assuntos pessoais, portanto nunca está presente para chicotear os mortos"...

quarta-feira, dezembro 13

DE ONDE ERAM ADÃO E EVA?




Um alemão, um francês, um inglês e um angolano comentam sobre um quadro de Adão e Eva no Paraíso.


O alemão disse:- Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... Devem ser alemães.


Imediatamente, o francês reagiu:- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Devem ser franceses.


Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:- Que nada! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser Ingleses.


Depois de alguns segundos mais de contemplação, o angolano exclama:- Num concordo. Olhem bem: num tenhem grife (roupa), não tenhem sapatos, num tenhem cubico (casa), num tenhem cúmbú (dinheiro), só têm uma triste maçã para comer, não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Só podem ser Angolanos!!!...
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Por:
Anónimo

terça-feira, dezembro 5

Coisas de Angola...

1. Em Luanda agora é assim! As pessoas se produzem todas para ir a um funeral, como se à uma festa de gala se tratasse. Se antes o branco e o preto eram as cores para actos fúnebres, agora, as damas bazam até de vermelho, rosa, amarelo, laranja, quer dizer, só as cores "mais cheguei" para chamar mesmo a atenção.
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2. Na verdade, os óbitos se transformaram em locais predilectos para desenvolver uma paquera, na ausência de locais públicos de lazer que proporcionem encontros, afinal quem não tem cão nem gato, caça com rato. Há quem diga que as damas vão para ver os BOSS´S da família. Ficam de olho bem aberto para marcar qual é o tio que dá mais kumbu. Depois jogam todo seu charme para cima do kota não importando se casado, solteiro ou viúvo, nem respeitam o luto.
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3. Já os homens, parece que são mais discretos; bazam a estes encontros para beber de graça, consentir uma paquera e, claro, pitar (comer) um coxe, afinal, de graça, bar aberto, boca-livre, não faz mal a ninguém. Os óbitos, há muito que deixaram de ser cerimónias nostálgicas em que os parentes e amigos se encontram para consolar quem perdeu um ente. As Mulalas das kotas deram lugar ao desfile de moda e posses. Tas a ver aquela expressão " ché quez da caldo", já ficou ultrapassada. A canjica e o caldo foram superados pelos Mufetes, Muambas, Bolos, Doces diversos, Rissóis, Tortas e Pudins a maneira.
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4. Da Kissangua, coitada, já nem se fala mais, nem nos círculos mais conservadores das famílias, de vez em quando, aparece nas praças e paragens de candongueiro mas, com novo nome para disfarçar: "Sumol em Saco". Nada de coisa de pobres (kissangua) nos óbitos a onda agora é Cuca, Sagres, Castle, Carlsberg, Coca-Cola e associadas, Sumol e até a forasteira Kiss, agora também Blue's, por que as Youk´s sumiram do mapa. Quer dizer, até aquelas cotas que produziam os pitéus dos óbitos naquelas panelas bué gudas (grandes) também estão desempregadas; foram substituídas pela contratação dos serviços de Bufetes e catering.
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5. Óbito na cidade da Kianda é festa grande. Já há quem prefira patar nos kombas (óbitos) do que ir aos casamentos; nos óbitos não olham nas caras nem querem saber se é parente do noivo ou da noiva para te servirem. Só falta mesmo contratar DJ´s para animar o bo... digo o óbito, com músicas da igreja, já que os kuduristas já fazem questão de cantar daquele jeito neh.
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6. Nesses encontros não podia faltar a turma dos BUFUS, aqueles que definem a qualidade dos óbitos, segundo critérios já bem definidos: Adesão de pessoas famosas, número de carros, que inclui os da moda, último grito, os que mais choram, quem desmaia mais, a quantidade e qualidade do pitéu e bebida etc. quem não consegue um óbito nestes moldes é logo taxado de "JIMBA DIAFU", "DIBINZERO".
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É... meu, morrer na Nguimbe (capital) não é negócio para qualquer um!!!
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7. E não pára por aí, o que dá mais pontos é o lugar onde será o enterro. Tem que ser ALTO DAS CRUZES ou SANTA ANA porque o resto é mesmo resto. O óbito pode ter tudo, mas se o funeral não for nestes lugares perde todos os pontos. Diante disso, começa um novo dilema já que conseguir espaço nestes cemitérios não é coisa fácil e carece de "cunha forte", mas também, 14 ou kamama não são cemitério para Vip´s, tipo, não vão ser comidos também pelos sálálés. Então o defunto chega mesmo a ficar uma semana ou mais a espera que se decida sobre seu próximo endereço.
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8. Mas nem tudo mudou, ainda se vê aquelas kotas que sempre exageram na hora de exprimir sua tristeza. Aquela kotas que vão chorar no Kinaxixi, quando o óbito é no Marçal, para depois reclamar dos rins. Ainda é a oportunidade ímpar para ver todos os parentes, onde os que menos choram são as vítimas quando se procura o culpado pela morte: "EIE U MULOGI". Ele é o feiticeiro, vês que nem chora, eu já sabia. Os vizinhos da rua toda continuam com aquele mau e velho hábito de faltar ao serviço durante um mês sob pretexto de óbito na casa do vizinho que em vida nem sequer os cumprimentava.
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Isto é caso para perguntar: AONDE ESTAMOS E PRA ONDE VAMOS? SABES??????
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Por:
Anónimo

segunda-feira, dezembro 4

ecologiaambiente.blogspot.com

Caros amigos,

Em Angola também estamos preocupados com a causa ecológica.
Assim, gostaríamos que nos ajudassem, reflectindo e discutindo com amigos, familiares, alunos e colegas de trabalho, sobre estes assuntos que nos ameaçam, particularmente aos nossos filhos e netos.

Os que possuem blogues, poderiam linkar o nosso blogue angolano recentemente criado e dedicar um post à causa ecológica, remetendo para o referido blog.

A vossa participação no mesmo através de comentários, sugestões e relatos é imprescindível.
Aqui está o link: http://ecologiaambiente.blogspot.com/

Um beijinho e obrigada
Ana Clara

terça-feira, novembro 28

ANGOLA – Eixo central do tráfico de marfim

Único país com elefantes que não assinou a convenção contra o tráfico, Angola abastece de marfim ilegal a Europa, os Estados Unidos e a China. Face à miséria que ali se vive, este problema não é, de todo, prioritário.

O Café del Mar ostenta a aparência de qualquer outro restaurante caro na Ilha do Cabo (Ilha de Luanda), estância balnear elegante para estrangeiros e angolanos ricos. Tem, no em tanto uma atracção especial: um pequeno mas bem fornecido quiosque de raridades, com filas arrumadas de peças artísticas de marfim, uma lembrança para turistas, actualmente ilegal, mas tradicionalmente muito vendida em África. «É verdade, somos muito populares. Este é o nosso marfim de Angola», afirma o dono da loja.

Apesar de a população de elefantes estar em extinção, Angola emerge como eixo regional no comércio ilegal de marfim. A sua quota no negócio de dentes de marfim duplicou no último ano, segundo um relatório das organizações de defesa da vida selvagem Traffic e WWF Internacional (…)

Este país do Sudoeste africano, rico em petróleo, devastado por quase três décadas de guerra civil, até ao acordo de paz em 2002, foi dado como o país de origem de 53 grandes capturas de marfim em cerca 12 países, entre 1999 e 2003. «Existe um risco real de extinção para os nosso elefantes», diz Vladimir Russo, chefe do grupo ambiental local e um dos maiores especialistas de vida selvagem no país. «O mercado civil do marfim cresceu desde o final da guerra. Há mais trabalhadores chineses com dinheiro para comprar peças de marfim. Mas muitos mais estrangeiros poderão estar a chegar».

Dos 37 países que ainda albergam populações selvagens de elefantes africanos, Angola é o único que não assinou a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) (…) em 1981 havia cerca de 12.400 elefantes em Angola (…)
Os rebeldes da UNITA, que combatiam o Governo do MPLA, foram acusados de atacar elefantes e saquear o marfim em longa escala (…) Crê-se que os muitos milhares de dólares assim gerados terão sido usados para comprar armas e mantimentos. DE ACORDO COM A UNIÃO INTERNACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA, ANGOLA NÃO TEM MAIS DO QUE 246 ELEFANTES.

(…) O marfim é vendido às claras no Hotel Trópico, em Luanda que tem um pequeno ponto de venda no primeiro andar, destinado a diplomatas e executivos. É adquirido no Mercado do Artesanato, na vila marítima de Benfica. (…) Os preços variam 35 e 100 dólares (27 a 78 euros) (…) Os traficantes afirmam que a policia não costuma importuná-los.
(…) Este súbito crescimento da venda de marfim pode, a longo prazo, vir a tornar-se negativo para negócio em Angola. À medida que os elefantes vão sendo dizimados, o mesmo acontece com as expectativas de impulsionar as receitas, atraindo turistas interessados em ver elefantes em estado natural.
«Alguns turistas compram marfim, mas sem a nossa vida selvagem como é que podemos desenvolver turismo?». Pergunta Russo. «A longo prazo o problema é como definir as nossas prioridades», conclui.
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REUTERS - Alistair Pole
In: Courrier Internacional Nº 85 - 17 a 23 de Novembro de 2006

terça-feira, novembro 21

Sonangol confirma negociações para vender posição na Galp

A empresa Russa GAZPROM está preste a adquirir uma posição equivalente a 6,6% do capital da GALP ENERGIA, ao entrar nas empresas que controlam a «holding» AMORIM ENERGIA. Por enquanto os dois principais accionistas desta empresa liderada por Américo Amorim estão a negociar a venda, até 20%, das suas participações.
(…)
Em declarações ao EXPRESSO, o presidente do concelho de Administração da petrolífera angolana SONANGOL, Manuel Vicente, confirmou as negociações (…) A entrada do gigante russo GAZPROM - a maior empresa mundial de gás – far-se-á através de uma cedência mútua da Energia Amorim e da ESPRASA , a empresa que representa os interesses da SONANGOL na GALP e que é detida ainda em 20% por Isabel dos Santos, a filha primogénita do Presidente Eduardo do Santos. (…)
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Gustavo Costa com J.F.Palma


In: Semanário Expresso,18 de Novembro de 2006

domingo, novembro 12

Angola é o país com pior governação do espaço de língua portuguesa

Angola é o país com pior governação do espaço de língua portuguesa. Foi, porém, o que mais melhorias alcançou no ano passado, num "ranking" do Banco Mundial onde Portugal e Cabo Verde são os mais bem colocados dos "8", noticiou ontem a Macauhub.
O estudo "Governance Matters V: World Governance Indicators 1996-2005", que pontua quase todos os países do mundo em matérias que influenciam a qualidade da governação, revela alguns factos curiosos: Portugal tem o governo mais eficaz dos "8", Angola é o país onde há mais corrupção, e Cabo Verde é, entre os países africanos lusófonos e o Brasil, o país com maior estabilidade e Estado de Direito.
De 2004 para 2005 e de uma escala entre -2,5 (mínimo) e +2,5 (máximo), Angola melhorou em quatro dos seis indicadores estudados, sendo a excepção a "Voz e Responsabilização" (para -1,15 pontos) e "Qualidade do Ambiente Regulador", onde regista um ligeiro recuo, de -1,23 pontos para -1,24 pontos. As mais significativas melhorias registaram-se na "Eficácia do Governo" (0,18 pontos, para -0,96 pontos), e no "Controlo da Corrupção" (0,11 pontos, para -1,09), com evoluções também positivas na "Estabilidade Política e Ausência de Violência" e "Estado de Direito".

terça-feira, novembro 7

Saudades da Educação de Outrora

Sempre a mesma saudade de outrora a acossar-me as ideias quando por estas paragens de Luanda vagueio. O filho deste ou daquele anda à solta na boca de todos os que não acataram nada do que um bom berço possa dar, e não me venham com estas coisas de rico ou de pobre porque a educação não se compra: adquire-se se se quiser.

Como digo, os adolescentes daqui preferem o mau comportamento ao bom comportamento. Voltando um pouco atrás, ainda no tempo da outra senhora, curiosamente não gosto muito da frase, quem fosse educado era o “boelo”. Mas é dos boelos que eu gosto.

“Boelos” na rua emprestam a paz de espírito, enquanto os não “boelos” fazem subir a adrenalina de qualquer cidadão. Bem! Devia-me cansar de andar sempre a bater na mesma tecla, mas não. Não senhor, eu não me canso de chamar o bom senso a esta terra tão desamada por aqueles que dizem amá-la.

Amar não e estragar, não é sujar. É construir. E limpar e cuidar! Continuo a fugir do tema. Também uma vírgula aqui ou ali, não faz mal nenhum. Não me refiro às vírgulas que dão alguns homens e mulheres quando apunhalam os parceiros pelas costas. Alguém quis chamar a este tipo de atitude, penso que para suavizar, de uma virgula! Qual vírgula qual quê?
Pronto! Volto ao ponto em que parti. Naquele tempo, meu querido e inesquecível tempo, chamava de tia a mãe dos meus amigos. O respeito era de certa forma uma forma autoritária por parte dos mais velhos.

Acostumamo-nos e seguimos, porque o que mais me ressaltou foi a maneira como educavam os filhos para dar forma coesa á relação entre eles. Ouvi, muitas vezes os mais velhos dizerem que deve educar-se os filhos para que amanhã possam reverter a situação. "Filho (a) és, pai (mãe) serás. É mesmo! Este é o ciclo de vida de toda a humanidade. Parece que entramos numa apatia, num egoísmo, num estado que só permite fazer maldades. O pior de tudo é que os filhos de hoje desprezam os pais depois destes terem cumprido o seu dever. Mesmo não sendo assim, pai é pai, mãe é mãe.

Quero com isso chamar à razão não só os nossos jovens, como os adultos e toda a sociedade para que possamos resgatar os nossos valores ancestrais. Está na hora de cuidarmos dos adultos e protegermos as nossas crianças.
É com muita dificuldade que hoje uma mãe, reparem que falo de uma mãe não por menosprezo aos pais, mas porque quase sempre a mãe é que está presente. O pai demite-se, muitas vezes, das suas funções.

Não é fácil educar um filho a cem por cento, quando a alimentação é deficiente, quando a entrada para o ensino escolar se torna um bico-de-obra, quando as dificuldades fazem-no comparar com o amigo que tem mais possibilidades.
Então vem aí a falta da auto-estima e do bom senso.

O jovem procura resgatar a sua imagem delinquindo. Quanto mais dificuldade mais ele se desintegra da sociedade chamada de normal. E para a sua maior estima procura sempre ser o chefe de uma quadrilha onde se integra. Por tudo isso, ainda lhe resta uma pedra no sapato: a mãe. A sua relação com ela e cada vez mais de afastamento e de faltas de respeito constantes a volta de muitas cobranças.

Na rua é um quebra-cabeças para se afirmar. Encontra outros que também estão à procura de uma afirmação e surgem as rivalidades entre jovens e consequentemente entre grupos que se vão formando e criando ideais que levam aos comportamentos completamente negativos e adversos a sociedade comum ou a sociedade chamada de normal.

As suas regras têm que obedecer a determinados critérios do salve-se quem puder quando para a reposição da legalidade encontram agentes policiais sem habilitação cultural para agentes de autoridade.

Sinto pena dos mais velhos, autênticas bibliotecas vivas, cada um à sua maneira, hoje farrapos atirados á mendicidade, desintegrados, excluídos.
Sinto saudade do tempo da outra senhora onde os mais velhos eram necessários para o legado final, para contarem histórias de vida, para deixarem bons exemplos de cidadão e de cidadania. Mas se a esperança é a última a morrer, vamos mudar o quadro da nossa sociedade que me parece não ter padrão nem balizas sustentáveis para uma sociedade do bem-querer. Mas porque ainda podemos transformar algumas pessoas e porque ainda existem, poucas, pessoas de bom senso que querem ver um pais a crescer, tudo pode ser possível. Em vez de nos vangloriarmos com as riquezas que existem no país sem lhes podermos tocar, vamos à luta pelo bem-estar.

Com palavras, com debates, vamos vestir a camisola de "Um só povo uma só nação" no sentido estrito com efeitos amplos para o povo angolano. E feio o que mostramos ao mundo tanta miséria num pais rico. Parafraseando um dirigente da nação passo a expressão: "Ser miserável num país rico é ser muito estúpido."

Mas não é com muito dinheiro que se ganha uma boa educação. É com boa vontade dos políticos e dos dirigentes.
A todos os mais velhos, o meu grande apreço.
Ai que saudades da educação de outros tempos!

Por: Cho Do Guri
In:http://www.folha8news.com/ardina_ultimas.aspx?ardina_cmd=ver&ardina_topico=CRONICA&ardina_viewer=html&ardina_edicao=826&ardina_id=24&ardina_titulo=Saudades%20da%20educação%20de%20outrora&ardina_area=SEMANAL

sábado, outubro 28

«O Estado existe para servir o povo»

«Sabemos que o Estado existe para servir o povo», afirmou o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, na tomada de posse dos novos vice-ministros da Defesa e do Interior, respectivamente, Agostinho Nelumba "Sanjar" e Eduardo Ferreira Martins. O povo, embora de barriga vazia, gostou de ouvir.

Mais de metade dos 13,2 milhões de angolanos são crianças. Angola ocupa o 164º lugar entre 175 países no Índex de Desenvolvimento Humano e tem uma das taxas mais altas do mundo de mortalidade infantil abaixo dos cinco anos, com 260 mortes por 1000 nascimentos.

«Sabemos que o Estado existe para servir o povo», afirmou o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

A maioria da população de Angola vive na pobreza, sendo que 68% da população urbana vive abaixo da linha da pobreza. Estima-se que a economia rural seja quase na totalidade uma economia de subsistência .

«Sabemos que o Estado existe para servir o povo», afirmou o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

45,2 por cento das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica, 31 por cento têm peso a menos e 6,2 por cento estão gravemente subnutridas.

«Sabemos que o Estado existe para servir o povo», afirmou o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

Quarenta e quatro por cento das crianças não frequentam a escola primária. Em 2001 104.000 crianças ficaram órfãs devido à SIDA e as projecções indicam que este número irá aumentar até 331.000 em 2010.

«Sabemos que o Estado existe para servir o povo», afirmou o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

Por: Orlando Castro

In: www.altohama.blogspot.com

sexta-feira, outubro 20

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Silêncio Sobre a SIDA Num Casal

«Queridos, infelizmente o mundo está perdido... As próprias pessoas que convivem ao nosso lado anos e anos, são as que mais nos decepcionam!

Silêncio sobre a Sida num casal
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O meu marido sabia que era seropositivo e não me disse nada...
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Caiu-me o céu quando a médica disse-me: "Céu, o teu teste é positivo!!!".
Era Dezembro do ano passado. Dois meses de broncopneumonia deixaram-me pesando 27 quilos e pedi no centro médico da Rádio Nacional de Angola, onde trabalho como jornalista, para fazer o teste de HIV.

O pior estava a vir. Levei as minhas quatro filhas a fazer o teste. A caçula (mais nova), de nove anos, também é seropositiva.

Chamei o seu pai, do qual estou separada há vários anos, e que trabalha noutra província. As minhas outras filhas são de outro relacionamento. Demorou a chegar, mas apareceu. Conversamos. Convidei-lhe a fazer o teste. Ele apenas respondeu: "Agora que você sabe, é só fazer o tratamento". Contou que já faz tratamento, há alguns anos, na África do Sul. E nunca me disse nada.

A nossa relação durou onze anos. Separamo-nos sem problema algum e só hoje entendo o porque. Tivemos outro filho, que morreu com um diagnóstico indeterminado. Seria Sida?

Acho que o meu ex-companheiro não me avisou por vergonha, egoísmo,orgulho, sei lá... Se nós partilhamos uma vida durante anos, é chocante vir a saber que o meu parceiro me escondeu a sua condição. Considero esta traição como a mais baixa. Afinal já não conhecemos ninguém. O que ele fez é condenável. A primeira mulher, que faleceu há alguns anos, só agora se sabe que morreu com Sida. Neste momento, quatro filhos dele estão infectados com o HIV. É muito triste.

Desesperada, recorri à amigos. Recebi muito apoio e coragem. Tenho gerido a situação, tenho mais cuidados comigo, mudei de turno na Rádio Nacional.Hoje, sou uma mulher lutadora. Enquanto estiver viva, quero dar o melhor aos meus filhos, mas sempre de cabeça erguida.
Vivo com as minhas quatro filhas e dois órfãos de guerra que adoptei.

A minha mãe já é uma pessoa de idade avançada, é comigo que ela tem contado quer na alimentação, como na saúde. É um triplo drama que carrego neste calvário.

O mais doloroso para uma mãe é saber que tem uma filha seropositiva. Só Deus sabe o que está dentro de mim. Um sentimento de culpa por saber que foi transmitido no meu ventre, mas convicta que não foi intencional, porque não sabia da minha condição, nem a do meu companheiro.

A minha filha, para além de ser seropositiva, tem um problema de coração e tem crises constantes. Alguns exames não são feitos no país e se fazem são caríssimos. Infelizmente, até hoje ainda não pude fazer o tratamento disso por falta de dinheiro. Por isso, pode ver como me sinto. O que fazer?...

Tem sido muito difícil da minha parte, não que tenha ódio do meu ex-compaheiro... quem sou eu para o condenar, mas é uma dor muito grande que carrego sempre que imagino o quanto ele foi cruel até com a própria filha.Diga-me com sinceridade, o que merece um pai que contamina o seu filho e quase o deixa morrer? Esta pergunta tem me martelado muito a cabeça, sem contudo encontrar resposta.

O que me levou a assumir publicamente a minha condição é que, ao darmos a cara, ajudamos a todos que se encontram na nossa situação. É também uma forma de acabar com discriminação e passarem a ver-nos como cidadãos normais deste país, que coabitam com uma doença que poderia ser diabete ou cancro.

Sempre acreditei na Sida, porque é uma doença que existe. Mas, apesar da coragem que tive em fazer o teste, o impacto que tive ao receber a confirmação foi doloroso.

O mais importante para mim é poder continuar a contar com as pessoas que me estenderam a mão na primeira hora, fazer tudo que estiver ao meu alcance para que nunca faltem medicamentos e alimentação, principalmente para a minha filha seropositiva, e que Deus continue a me dar força e coragem.»

"Este triste relato, contado na primeira pessoa, apresenta a tragédia de uma mulher, mãe de família, jornalista e profissional de rádio que foi vítima de uma injustiça grotesca e atroz, foi infectada pelo vírus HIV pelo seu próprio marido.

Infelizmente, histórias como está ouvem-se um pouco por toda a parte. Sabemos muito bem que existem elementos promíscuos (Homens, Mulheres, Jovens) na nossa sociedade que sabem que são portadores do HIV e mesmo assim continuam a ter relações sexuais desprotegidas com o desígnio de infectarem o maior número de indivíduos possível. O lema é: “Se alguém me deu, eu também vou dar e não morrerei sozinho”.

Quero aqui deixar o meu mais profundo lamento e pesar. A minha angústia é grande e silenciosa. O que aconteceu com esta mãe podia ter acontecido com a minha ou com outro qualquer familiar meu. Desejo a esta família a melhor sorte do Mundo e se enquanto houver vida há esperança, acreditem sempre nela que vão conseguir ultrapassar as adversidades.

Quem vê caras não vê corações. Lembrem-se disto antes de se envolverem sexualmente com alguém. Usem o preservativo sempre e pratiquem sexo seguro. "

sexta-feira, outubro 13

A Téknika, as Kausas e as Konsekuências

A letra da música que está aqui exposta em forma de post foi enviada por um anónimo, amigo do cantor e autor angolano MC K.
A letra tem uma forte critica a um partido político, mas tem também, o que penso ser mais importante, uma forte mensagem social e cívica na medida em dá ênfase a inércia do povo angolano no que respeita ao dever de cidadania.
Peço aos leitores que ignorem, porque isto é um Blog sem cor partidária mas que se afirma de critico social, a mensagem politica e que se foquem na crítica social.

Segundo informação também fornecida pelo amigo anónimo de MC K, esta música causou a morte de um jovem, por parte de militares angolanos, que o espancaram até a morte enquanto ouvia e cantava a música em questão. Pai de dois filhos, que ganhava a vida a lavar carros.

Os links que se encontram em baixo falam sobre o assunto:
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Álbum: Trincheira de Ideias


A Téknika, as Kausas e as Konsekuências

Seilaquê wawê (8 x)

Cidadão angolense acorda antes que o sono t'enterra
se deres ouvido a minha poesia conhecerás a cara e o nome do mosquito que nos ferra
saberás que a causa do caos do povo não foi apenas a guerra,
o quotidiano mostra a cor da corrente que nos cerra:
preto em baixo, vermelho em cima e amarelo no meio,
envolvida por anéis d'utopia na parte externa.

A inocência fabrica e multiplica as vítimas da escravidão moderna.
Como a massa desconhece a técnica da M.anipulação P.opular de L.ixamento A.ngolense ninguém sente o peso da algema.

O teu caso é uma prova visível da arte dos lobos,
os teus argumentos são frases incompatíveis da filosofia suprema,
não tens abrigo, procuras emprego há séculos mas continuas fiel ao sistema.

Estás preso, sob uma frequência de controlo automático de grades invisíveis
(eles traçaram o teu futuro no ventre da tua mamã!),
sofres diariamente, não sabes como reclamar,
as armas calaram mas o teu estômago continua em guerra,
a luta começa no dia do teu parto,
com a primeira gasosa que os teus pais pagam à equipa médica em serviço
e só acaba com o último batimento do teu coração!
Guerra é luta e luta é mesmo isto!

A tua esperança anda mais de 40 anos no verão
e afastaram-te dos livros desde criança, aos 12 anos uniram-te às cervejas
encheram o teu fim-de-semana com maratonas e deram-te uma educação mutilada!
Aniquilaram o teu espírito de revolta com igrejas!

Tens uma década de escolaridade, sobre a vida não sabes nada.
Cultivam em ti o medo que semearam nos teus pais.

As tuas atitudes dependem da rádio e da televisão,
já sei que não vais compreender o refrão,
isto é uma figura de estilo irónica, pede explicação.

Refrão: Seilaquê wawê (8x)

Tira a poeira das vistas, abre o olho mano,
desliga a televisão, rasga o jornal e analisa o quotidiano,
vai em busca da realidade do modo de vida angolano.

Irmãos, qual é a liberdade que nos deram se a arrogância política não cessa?
Quem fala a verdade vai p'ó caixão, que raio de democracia é essa?
Nos livramos dos 500 anos de chicote mas não utilizamos a cabeça,
depois da queda do colono, em vez de uma independência deram-nos quase meio século de má governação,
hoje os dirigentes estão com as imagens gastas porque o poder não regista circulação,
criticam os professores e enfermeiros por causa da corrupção,
esquecem-se do orto da instabilização.

Somente os da esquerda sabem que o erro parte do organigrama padrão,
transcrevendo um processo hierárquico torto até ao último escalão.

Parem de agitar as gasosas aos polícias, as kinguilas não são as culpadas da inflação,
a causa do sofrimento angolano reside na filosofia do desumanismo,
na política do egoísmo, na artimanha do estrangeirismo.

O modo de vida luxuoso da burguesia faz parte do processo palpável do vosso egocentrismo.
Assim como os donos dos colégios pertencem ao Ministério da Educação,
os donos das clínicas privadas pertencem à Saúde.

O que m'irrita não é a cara do indivíduo, é a atitude,
as vossas acções demonstram a extinção da virtude.

Ignoram o papel do Estado em benefício das vossas necessidades,
o dinheiro que restou das vossas contas bancárias está todo investido em “projecteis”,
prometem-nos um amanhã melhor com escolas sem giz.

Refrão

Graças à deus escapei da artimanha estratégica,
tive a sorte de não ser mais uma vítima dos “frangos da Bélgica”,
mas como os efeitos da “Téknika” geram várias tendências,
fui psicologicamente afectado por outras “Konsekuências”:
a multiplicação da ganância e a soma da luta armada
ofereceram à pátria a dor infinita e a miséria avançada,
exportamos o petróleo, importamos o sofrimento,
ganhámos 7 campeonatos de guerra no último decénio
perspectivava-se novo título neste milénio.

“A vitória certa” pintou Luanda de deslocados nas curvas,
perdemos soldados mas ganhámos viúvas!

Somos os maiores importadores de pares de muletas dentro e fora do mundo luso,
as vacinas da pólio não reduzem o elevado número em uso.

Dizem querer desenvolvimento p'rá Nação,
com 1 médico p'a mais de 90 pacientes e 1 mina p'rá cada cidadão?
Indústrias paradas, 4º lugar da corrupção.

Ganhámos o prémio Nobel do paludismo e da malária,
gastámos o dinheiro na compra d'Audis recentes e comemos o arroz estragado das ajudas humanitárias.

Somos uma potência de deslocados, mutilados, desmobilizados, refugiados, enfim...
vivemos tantas atrocidades porque os políticos querem assim.
Temos máquinas de guerra com equivalência de 10 escolas,
promovemos o analfabetismo,
a falta de espírito de paz gerou desumanismo.

Han... temos mais armas que bonecas,
menos universidades que discotecas,
mais cantinas que bibliotecas,
o povo conhece a verdade mas cala
o velho ditado diz: “O Silêncio também fala”!!!
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Autor: MC K

quarta-feira, outubro 4

Trabalhadores da Rádio Nacional de Angola (RNA) Pedem SOCORRO...

Esta carta foi enviada via e-mail, por alguém que se intitula como funcionário de uma estação de rádio em Benguela, Rádio Nacional de Angola (RNA), e pede por socorro como podem ler a seguir:

Exmos. Srs.
Escrevemos esta carta em forma de pedido de socorro, para que possam expô-la no vosso Blog, para que alguém a leia e nos acuda pois não temos mais ninguém a quem recorrer (…) Nós aqui na rádio em Benguela estamos desesperados e temos a esperança que alguém com poder nos oiça e nos salve do demónio (…) Já denunciamos a situação ao público angolano, ao Partido, aos jornais (Folha 8), a direcção central em Luanda e ninguém nos houve.
(…) Assim não tendo a quem mais recorrer agradecemos que nos ajudem publicando isto no vosso espaço.
Obrigado.



“Os casos que vamos relatar poderão não merecer aceitação de todos, face ao silêncio sepulcral de quem tinha o direito de velar pela coisa pública. Não são avulsos nem gratuitos, apoiamo-nos numa colecta de décadas de sofrimento, sacrifício, paciência pelos nossos filhos, ante a arrogância, a prepotência e a incompetência, do Director da Emissora de Benguela. Todavia, acreditamos que estaremos a contribuir para uma gestão transparente e para o espírito da boa governação.

Esperamos que nos compreendam e que de uma vez por todas, se acabe com o desespero e a ambiguidade reinante, devolvendo a alegria, a satisfação e a dignidade que todos nós merecemos. Fazemo-lo por esta via, porque não temos outra solução, nem alternativa.

O Camarada Director Gregório é um exemplo acabado de enriquecimento rápido e de forma ilícita. A gestão da rádio Benguela ganhou contornos arrepiantes, horripilantes e incríveis, por parte do senhor Carlos Gregório, o todo poderoso Director, imposto pelo Dr.Manuel Rabalais, Ministro da comunicação social e ainda Director geral (de facto) da RNA. Uma gestão ruim, disparatada, fenomenal que já carrega década e meia (desde 1992). Um Director excêntrico, introvertido, invejoso, perseguidor dos melhores quadros que a rádio Benguela teve. Vejam o seguinte resumo:

1. -Entre 1995 e 2001, proibiu que o trabalhadores se superassem academicamente (aqui vénia seja feita ao Director Rabalais, que travou a pandemia).Na maioria só tínhamos a 6ª,7ª e 8ª classe. Nunca nos promovia, antes pelo contrário, sempre nos discriminou. E tudo que vamos falar a seguir, o Partido sabe.

2. -Em 2003 transformou-se em super director, ajudado pelo Sr. Miguel Braz da direcção central.

2.1. -Os três carros da Emissora provincial de Benguela, servem para apoio à sua loja, aos seus filhos, quer os de casa quer os da segunda mulher.
3. -A sua esposa continuou a receber salários (1999-2001) quando já não trabalhava na emissora.

4. -Os repórteres circulam a pé, porque ele privatizou as viaturas em seu beneficio, dos seus colegas de faculdade e de alguns ex-professores seus. Prefere apoiar amigos em detrimento dos trabalhadores e depois quer dar um ar de ser exigente.

5. -Ninguém sabe o que é feito dos USD 1.500.00/mês e 15 grades de cerveja/ mês, que recebe do "Soba Catumbela" (CUCA BGI). Já lá vão no papo, contas bem feitas desde 2004, qualquer coisa como USD 56 Mil.

6. -Em função da sua desconcertante política de gestão, visão e sentido de direcção, esteve no afastamento de quadros competentes, como: Alexandre Lucas (actual director da comunicação social em Benguela, chegando ao ponto de quase entrarem em vias de facto…), João de Almeida (actualmente no Canada), Céu Marques, Síria de Castro, Mário Afonso (fundador do Gaep), Adão Gabriel, do Kota Carlos Alberto Pimentel, e o Engenheiro Mendes Filipe (estes dois em 2004 de forma compulsiva).

7. -Continua a passar uma certidão de morte laboral lenta ao João Carlos de Carvalho (bom locutor da rádio Benguela, nos relatos de basquetebol). Coitado do melhor locutor do futebol, Domingos Januário, ex-assessor seu, hoje a passar pelas passas do Algarve. Hoje ele que é o único Dr. que temos. Está a passar mal, até já é punido como nós, "coitado". Mais outras vítimas, a Kota Eduarda Feliciano, que não suportou mais a onda discriminatória do "Hércules" chamado Carlos Gregório, o todo poderoso que conta com apoio do Ministro. Faz e desfaz.

Outros casos:

8. -Nas quadras festivas, ao invés de distribuir cabazes aos supostos membros do conselho de Direcção, deleita-se em operações de charme. Distribuindo os especiais aos amigos.

9. -É desumano. Esteve na origem das mortes de Domingos Kapuki e do mais velho Higino, (um estafeta e um continuo), por falta de apoio social. O mais caricato é que nunca ousou autorizar uso das viaturas para funerais
10. -Nunca se dignou visitar os trabalhadores em casos de doença, só o fazia quando pressionado a partir dos superiores em Luanda.

11. -Em 2000-2002, adjudicou em forma de cambalacho a reparação do edifício da Rádio a um suposto empreiteiro, quando a olho nu se sabia que o homem era jogador de andebol e agente cultural; Um tal de Tó Zé Piranha, presentemente no Huambo. Uma empreitada suportada pelo governo de Benguela, também "cego", como é ou finge ser, em USD 30 mil na altura. Obras todas aldrabadas, (com os trabalhadores a serem apanhados na praça da Caponte), e que na prática ficariam em USD 2 mil. Dividiram a massa: nenhum membro do conselho de direcção tugiu ou mugiu. Afinal o homem é prepotente e ditador, o que faz lembrar Hitler, Mussolini, Pinoché, Staline e tantos outros.

12. -Presentemente, comprou uma casa nas imediações do estrela 1º de Maio (mas ele diz que o Ministro é que lhe ofereceu, em função de um negócio… que só pode ser obscuro) mas como não somos distraídos, sabemos que saiu dos USD 1.300.000, um milhão e trezentos mil aplicados na modernização da Rádio Benguela em 2003-2005, ficando-se por 50% o que "mamaram a massa em comissões". Um tal de Tó Carpo da TECNOCARPO, associada ao governo de Benguela através da TECNO5.

12. -E não fica por aqui. A roubalheira e os prejuízos à empresa, são tantos, que já conseguiu comprar vários carros de trabalho e uma viatura Mitsubishi Pagero azul, que se exibe com ela na cidade fruto das engenharias que faz com os dinheiros da publicidade, patrocínios e outros "quês" e quejandos (mas há quem diga que foi o reconhecimento do tal Tó Carpo por lhe ter entregue as obras da Rádio). Ora essa... o homem é tão bonito, que este ano o Ministro Rabalais lhe ofereceu uma carrinha Hilux vermelha, novinha em folha (Só ele sozinho, tem no seu parque automóvel seis (6) viaturas.

13. -Levou consigo três (3) grupos geradores LISTER. (um está no Escondidinho uma discoteca local e outro ao lado da casa dele, o terceiro tem destino incerto)

14. -Quando os trabalhadores lhe pedem para a empresa ser avalista junto das facilidades que o banco (BFA) oferece, não aceita, alega sempre vários argumentos.

15. -Não tem uma estratégia traçada para o desenvolvimento da Rádio que se supõe dirigir, em função de bons quadros que tem. Uns até são técnicos superiores como o kota Januário, o puto Santos júnior, o chefe Lilás. Pelo contrário, rema contra eles. Inventa sempre algo, citando sempre Luanda para se superiorizar. Tortura-os psicologicamente e eles, coitadinhos, aceitam ser engomados. Custa acreditar, custa crer que andaram numa Universidade, o centro do saber.

16. -De vergonha em 2004 meteu-se a estudar direito na PIAGET, onde paga USD 250 mês. Há quem diga, que é por obrigação do amigo dele, o ministro Manuel Rabalais (alias ele é o sócio-gerente da Mattishopping, da qual é dona a esposa do ministro). Um supermercado que consome quase todo o combustível da rádio, chegando o ponto de fechar cedo, por falta de combustível, pudera!...

17. -Em 2004, o Governador Dumilde Rangel e o 1º secretário do MPLA informados pela célula do partido, propuseram a sua exoneração, mas o Director Geral da RNA, não aceitou, (claro é o homem dos seus negócios, em Benguela, kaimbambo onde comprou uma fazenda e Cubal, onde ficou com o antigo terreno da rádio).

18. -O Director Gregório diz mesmo em bom som… "quem manda nesta merda sou eu, quem não me quer ver aqui, que vá embora e quero ver onde se vão queixar. No ministro nem pensar, no Eng. Filipe Diatezua, este não manda nada, está lá por estar. É apenas uma figura decorativa. Vocês todos sabem que, quem manda é o Director Rabalais. Então cuidem-se comigo e portem-se como gente...".

19. -Tem uma amante, que inclusive já deixou um bebé de três meses (filho seu) no hall da Rádio.

20. -Este homem detesta a liberdade e a criatividade dos outros, gosta de protagonismo absurdo. Ele é malfeitor, é um camaleão disfarçado que fica amigo dos trabalhadores quando está "à rasca", como aconteceu em 2004, quando o próprio DG queria que ele fosse embora por estar farto das suas brincadeiras.

Conclusão
Agora perguntamos…Com estas matérias de facto, aqui narradas, num país de verdade não levariam a uma investigação aturada e profunda com suspensões imediatas à mistura? Isto não é caso para a Procuradoria-geral actuar de imediato? Onde anda a investigação criminal? Onde andará a Direcção Geral da Rádio Nacional de Angola (será conluio)?"

sábado, setembro 23

ANGOLANO SUICIDA-SE EM LONDRES

Um cidadão angolano de 35 anos de idade suicidou-se em Londres num centro de detenção para emigrantes. O mesmo iria ser deportado para Angola juntamente com o seu filho. O suicida deixou um bilhete onde dizia que não queria regressar a Angola porque não tinha condições de vida e queria que o filho de 13 anos prosseguisse os estudos em Inglaterra

ANGONOTÍCIAS... Para ler mais clique aqui

sábado, setembro 16

COSTANGUEIROS II

Sentei pa descansar, quando apareceu um amigo completamente chateado e aos berros. Tentei fingir que estava demasiado ocupado com os meus problemas, mas foi impossível. O meu amigo estava inconsolável. Foi assim que decidi falar com ele:
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Eu - Então mano, qual é o problema?
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Amigo -Tas a ver aquela via que sai da rotunda do Zamba II e passa pelo bairro azul?
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Eu -Yá tou a ver (tive de fingir, porque não conheço Luanda, nem estou a ver..., talvez na imaginação, mas nem ai...).
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Amigo - Apanhei aí o Hiace pa ir ao trabalho, mas inventaram de fazer obra logo naquela estrada. Resultado? Cortaram uma faixa da estrada e na que resta há muito engarrafamento. Pa variar, quando decidi ir à pé pa chegar ao salu antes de me marcarem falta, doutro lado da estrada as obras deram cabo de um cano de água e a rua tá toda "alagoada"( seria alagada se fosse apenas molhada, mas como formaram-se lagos...). Para passar é preciso apanhar um costangueiro. Como havia muita gente apressada e poucos costangueiros, eles começaram a cobrar 100kz por cada travessia. Que absurdo!!! É o dobro do preço do táxi. Mas pronto né! Um gajo tem que bazar po salu e pronto, paga. Mas o pior tava pa chegar. Quando chegou a minha vez pa passar, epa quase a chegar no passeio o costangueiro começou a reclamar.
«Kota é muito bebucho*, tem que dar 200kz, se não desce.» Puto tas a gozar ou quê? Vou descer como? « Então paga senão desce aqui mesmo!» Para meu azar o puto fez-me mesmo descer! Com os sapatos e as calças entrei naquele alagoado e era uma vez... Falta no salu, sapatos rebentados, e roupa molhada.
A quem devo pedir a responsabilidade pelos prejuízos?
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"Será que temos que fixar também o preço dos costangueiros pa travar a concorrência desleal ou é preciso ter cuidado com os trabalhos nas estradas? Precisa-se, com urgência, recuperar a ética da responsabilização e fiscalização das obras públicas, porque no fim da linha é o pacato cidadão que paga a factura pesada."
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Até breve!!!
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*Gorducho
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Por:
Upindi Pacatolo

domingo, agosto 27

"COSTANGUEIROS"

Desta vez, escrevo a partir de Luanda, a «cidade da confusão». Encontro-me na também cidade da Kianda desde 05 de Julho. Já estive nas cidades do Lobito e Benguela e a imagem não foge muito da confusão de Luanda.


Hoje quero partilhar convosco uma nova profissão criada pelos angolanos: "Costangueiro". Quando cheguei à casa, nas conversas com as minhas irmãs falaram-me de certo grupo de pessoas que só comem quando chove. Diante da minha indiferença, uma das minhas irmãs perguntou: « mano, sabes porquê eles só comem quando chove»? Do alto da minha sapiência respondi: « porque são agricultores e sem chuva têm dificuldades de regar os campos e conseguir alimento». Em uníssono, as minhas irmãs puseram-se a rir da tuguisse e ignorância do mano.

Refeitas da piada e parvoíce do mano, a mais velha pôs-se a explicar: « mano, eles só comem quando chove porque são costangueiros»! «Costa quê»?, retorqui eu. «Costangueiro, mano»! «Explica lá isso bem»! Rematei. «Mano, conheçes os candongueiros né»? «Ya conheço»! «Então candongueiros e costangueiros são dois meios de transporte. Enquanto o candongueiro te leva de carro, o costangueiro te leva nas costas; enquanto o candongueiro tem sempre clientes e trabalho, o costangueiro só trabalha quando chove, porque é quando as ruas e as estradas estão cheias de água e para as pessoas passarem têm de ser levadas às costas».

De regresso à Luanda e pelos lados de São Paulo deparei-me com um cenário desolador: em pleno cacimbo, isto é, quando não chove, as ruas estavam completamente alagadas e os costangueiros empregados. Então telefonei à minha irmã e disse-lhe: « mana, aqui em Luanda os costangueiros não dependem da chuva pa trabalhar. Há sempre clientes que precisam ser levados às costas para atravessar certas ruas, porque o asfalto e os canos de água não se entendem. Paga o pacato cidadão e o costangueiro ganha o seu pão». Até Dog Murras desconseguiu explicar e cantar essa verdade, já que ele só diz « nosso bairo é o mesmo... quando chove é sartar, se cair maka é teu»!!! E quando não chove? Porque precisamos de costangueiros?

Atenção: não sou contra aqueles que ganham digna e honestamente o seu pão! Mas essa de levar os outros às costas pa atravessar os lagos ou charcos ao longo das estradas e ruas não dá.
Até breve!!!!
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Por:
Upindi Pacatolo

domingo, agosto 6

DIREITOS HUMANOS

Situação melhorou mas há graves problemas.

O Departamento de Estado norte-americano diz que o respeito pelos Direitos Humanos melhorou em Angola, mas o seu relatório anual considera que a situação na generalidade permanece «fraca e persistem graves problemas». O Departamento de Estado reconhece, contudo, que o Governo angolano tem vindo a abrir-se cada vez mais «à sociedade civil e à participação da oposição nos processos políticos».

«A nomeação de um provedor para os Direitos Humanos foi um passo importante para assegurar a possibilidade dos cidadãos expressarem as suas preocupações sobre os Direitos Humanos directamente a um organismo governamental independente», destaca o documento, que cita contudo, uma série de «problemas» nesta área.

Entre estes incluem-se «assassínios ilegais, desaparecimentos, tortura, agressões e abuso de pessoas» e ainda corrupção e impunidade, prisões arbitrárias, restrições às liberdades de expressão, de imprensa e de reunião e restrições ao direito dos cidadãos elegerem representantes a todos níveis.

O documento afirma que o Governo «ou os seus agentes» não estiveram envolvidos em quaisquer assassínios por motivos políticos. «Contudo, as forças de segurança mataram um número desconhecido de pessoas», acusa o documento, e acrescenta que «organizações locais do Direitos Humanos disseram que a polícia foi o principal violador dos Direitos Humanos e responsável por mortes ilegais», acusando ainda elementos das forças policiais de «comporem» os seus salários «pobres» através da «extorsão generalizada da população civil».

No que diz respeito à liberdade de imprensa, o documento indica que, «ao contrário do ano anterior», não houve informações de que a polícia tenha detido ou agredido jornalistas, fazendo notar que a rádio e jornais «criticam o Governo aberta e, às vezes duramente». «O Governo, na generalidade, tolerou críticas às suas políticas e acções por parte dos órgãos de informação independentes», diz o documento.

O relatório aborda ainda a alegada corrupção do Governo angolano, que diz ser «generalizada», embora - acrescenta – o Executivo tenha tomado medidas para «aumentar a transparência e reduzir as despesas estatais não reflectidas no orçamento oficial».

In: www.courrierinternacional.com.pt
Jornal Tribuna de Macau (excertos), Macau