segunda-feira, dezembro 3

Mais um desabafo...

Meus caros,

Desejo-vos bom dia, no entanto sem saber se isso se aplica nos dias de hoje a Luanda.
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Como devem ter reparado, estamos a ser vítimas de algum tipo de complô para nos porem daqui para fora de uma vez por todas ou então é algum tipo de estratégia secreta para paralisar Luanda. O que será que vai na cabeça de quem organizou todo este quadro? Provavelmente foi mais de uma cabeça a decidir, tendo em conta o tamanho da obra. Eu estou a falar das estradas e trânsito em Luanda. Pensava-mos nós que não era possível piorar o trânsito ou a qualidade de vida em Luanda!?
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Estamos completamente despreparados para viver nesta cidade, no meio de tanta coisa, que só me faz pensar em palavras como: Incompetência, descaso, burrice, sujidade, desarrumação, desorganização, corrupção ou serão palavras como, intenção, premeditação, propositado e burrice de novo?
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O que está a acontecer nos últimos dias em Luanda, meus caros, eu poderia dizer que é inadmissível, mas o que acontece é que todos nós admitimos, aceitamos e pior que isso já nos vamos habituando. Já achamos normal andar com carros em cima de passeios, subir e descer montes de entulho, passar por dentro de buracos que não se sabe como não sedem de uma vez até à rede de esgoto, de tão fundos que são. Eles fecharam várias estradas principais de Luanda, ao mesmo tempo. Será isto possível? Se nos dissessem há um tempo atrás que iriam fechar as principais vias da cidade, desde os acessos à cidade, até as vias internas por onde passa a maior parte do trânsito nós não acreditaríamos, provavelmente alegaríamos que isso era impossível e que bloquearia a circulação totalmente e que ninguém seria tão bruto/burro ao ponto de tomar tal decisão.
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Pois é, mais uma vez nos enganamos. E pensamos nós que já sabemos tudo sobre a nossa cidade. Até onde pude apurar, estão a instalar bocas-de-incêndio por toda a cidade. Para isso é necessário cavar, instalar a canalização e depois? Depois, seria normal tapar e asfaltar! Mas aqui fazem buracos e depois deixam-nos abertos para que alguém se espete neles (os que passam em frente dos edifícios públicos são tapados) e depois deixa-se o entulho amontoado, impedindo no mínimo uma faixa de circulação ou acostamento de cada lado. Depois, eles seguem com o trabalho e vão assim bloqueando rua após rua. É uma espécie de xeque-mate aos cidadãos, que vão arranjando escapatórias até que ficam encurralados num canto do tabuleiro, sem mais se poderem mexer e finalmente se renderem. Como diria a sabedoria popular «É demás!».
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Eles bloqueiam as estradas sem pré-aviso, inventam novos caminhos sem sequer pensar se são trafegáveis, juntam nesses caminhos o trânsito de vários lados, o que denota a falta de planeamento e entendimento que existe entre quem faz e quem manda fazer. E denota também falta de conhecimento do trabalho a ser executado. Falta o quê? Será que só a mim é que isso faz impressão?
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Não nos gabava-mos nós de sermos diferentes de outros países onde tudo era poeira e confusão, onde parecia não haver leis e agora estamos iguais? Vamos ouvindo as comunicações de que as obras são para melhorar e que se está a fazer um esforço para melhorar a qualidade de vida. Não temos dúvida nenhuma que a instalação de equipamento de segurança de incêndios numa cidade que não tem água é muito útil, e que a construção de uma estrada, ou qualquer outra coisa do género são para melhorar a nossa cidade e temos todo o interesse em que isso se faça. Mas será que é esta a forma de o fazer? Onde nos cansamos de ver obras sem nenhum tipo de fiscalização, sem nenhum tipo de sinalização para protecção dos cidadãos. Buracos deixados abertos pondo em perigo todos nós, obras iniciadas sem pré-aviso, sem criar previamente as alternativas para que se continue a circulação.
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Deixo este comentário à vossa apreciação e espero que ele seja continuado e acrescentado pelo vosso sentimento.
Comentem se assim o sentirem. Façamos pelo menos com que alguns de nós saibam que existe um sentimento mútuo. Não sei se concordam ou se simpatizam com o meu desagrado, mas penso escrever em nome de alguns.
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Escrevo pelo menos em meu nome e dos meus filhos que julgo merecerem melhor do que nós temos tido e em nome dos meus pais que sempre pensaram que eu ia ter melhor que eles tiveram.
Abraço.
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Eu
Tu
Ele
Nós
Vós
Eles
Todos
Enviado por: Maria Angolana

1 comentário:

jotabloguer disse...

Pois, as obras de infraestruturas de uma cidade são os cabos de trabalho! Mas não pense que é exclusivo angolano! Aqui em Portugal tb. acontece com frequência! Claro que não devemos estar submissos a essas obras de sTª Engrácia por tempos indefinidos! Será tudo uma questão de planeamento e muitas vezes de comunicação ideal com as diversas especialidades! Já vi muitas vezes, tapar e destapar no dia seguinte!Mas penso que aí em Luanda devem manifestar as vossas preocupações, pois então!Mas que são obras que incomaodam o nosso dia adia. lá isso é verdade!
Suadaçóes cordiais!
Jorge madureira