terça-feira, novembro 7

Saudades da Educação de Outrora

Sempre a mesma saudade de outrora a acossar-me as ideias quando por estas paragens de Luanda vagueio. O filho deste ou daquele anda à solta na boca de todos os que não acataram nada do que um bom berço possa dar, e não me venham com estas coisas de rico ou de pobre porque a educação não se compra: adquire-se se se quiser.

Como digo, os adolescentes daqui preferem o mau comportamento ao bom comportamento. Voltando um pouco atrás, ainda no tempo da outra senhora, curiosamente não gosto muito da frase, quem fosse educado era o “boelo”. Mas é dos boelos que eu gosto.

“Boelos” na rua emprestam a paz de espírito, enquanto os não “boelos” fazem subir a adrenalina de qualquer cidadão. Bem! Devia-me cansar de andar sempre a bater na mesma tecla, mas não. Não senhor, eu não me canso de chamar o bom senso a esta terra tão desamada por aqueles que dizem amá-la.

Amar não e estragar, não é sujar. É construir. E limpar e cuidar! Continuo a fugir do tema. Também uma vírgula aqui ou ali, não faz mal nenhum. Não me refiro às vírgulas que dão alguns homens e mulheres quando apunhalam os parceiros pelas costas. Alguém quis chamar a este tipo de atitude, penso que para suavizar, de uma virgula! Qual vírgula qual quê?
Pronto! Volto ao ponto em que parti. Naquele tempo, meu querido e inesquecível tempo, chamava de tia a mãe dos meus amigos. O respeito era de certa forma uma forma autoritária por parte dos mais velhos.

Acostumamo-nos e seguimos, porque o que mais me ressaltou foi a maneira como educavam os filhos para dar forma coesa á relação entre eles. Ouvi, muitas vezes os mais velhos dizerem que deve educar-se os filhos para que amanhã possam reverter a situação. "Filho (a) és, pai (mãe) serás. É mesmo! Este é o ciclo de vida de toda a humanidade. Parece que entramos numa apatia, num egoísmo, num estado que só permite fazer maldades. O pior de tudo é que os filhos de hoje desprezam os pais depois destes terem cumprido o seu dever. Mesmo não sendo assim, pai é pai, mãe é mãe.

Quero com isso chamar à razão não só os nossos jovens, como os adultos e toda a sociedade para que possamos resgatar os nossos valores ancestrais. Está na hora de cuidarmos dos adultos e protegermos as nossas crianças.
É com muita dificuldade que hoje uma mãe, reparem que falo de uma mãe não por menosprezo aos pais, mas porque quase sempre a mãe é que está presente. O pai demite-se, muitas vezes, das suas funções.

Não é fácil educar um filho a cem por cento, quando a alimentação é deficiente, quando a entrada para o ensino escolar se torna um bico-de-obra, quando as dificuldades fazem-no comparar com o amigo que tem mais possibilidades.
Então vem aí a falta da auto-estima e do bom senso.

O jovem procura resgatar a sua imagem delinquindo. Quanto mais dificuldade mais ele se desintegra da sociedade chamada de normal. E para a sua maior estima procura sempre ser o chefe de uma quadrilha onde se integra. Por tudo isso, ainda lhe resta uma pedra no sapato: a mãe. A sua relação com ela e cada vez mais de afastamento e de faltas de respeito constantes a volta de muitas cobranças.

Na rua é um quebra-cabeças para se afirmar. Encontra outros que também estão à procura de uma afirmação e surgem as rivalidades entre jovens e consequentemente entre grupos que se vão formando e criando ideais que levam aos comportamentos completamente negativos e adversos a sociedade comum ou a sociedade chamada de normal.

As suas regras têm que obedecer a determinados critérios do salve-se quem puder quando para a reposição da legalidade encontram agentes policiais sem habilitação cultural para agentes de autoridade.

Sinto pena dos mais velhos, autênticas bibliotecas vivas, cada um à sua maneira, hoje farrapos atirados á mendicidade, desintegrados, excluídos.
Sinto saudade do tempo da outra senhora onde os mais velhos eram necessários para o legado final, para contarem histórias de vida, para deixarem bons exemplos de cidadão e de cidadania. Mas se a esperança é a última a morrer, vamos mudar o quadro da nossa sociedade que me parece não ter padrão nem balizas sustentáveis para uma sociedade do bem-querer. Mas porque ainda podemos transformar algumas pessoas e porque ainda existem, poucas, pessoas de bom senso que querem ver um pais a crescer, tudo pode ser possível. Em vez de nos vangloriarmos com as riquezas que existem no país sem lhes podermos tocar, vamos à luta pelo bem-estar.

Com palavras, com debates, vamos vestir a camisola de "Um só povo uma só nação" no sentido estrito com efeitos amplos para o povo angolano. E feio o que mostramos ao mundo tanta miséria num pais rico. Parafraseando um dirigente da nação passo a expressão: "Ser miserável num país rico é ser muito estúpido."

Mas não é com muito dinheiro que se ganha uma boa educação. É com boa vontade dos políticos e dos dirigentes.
A todos os mais velhos, o meu grande apreço.
Ai que saudades da educação de outros tempos!

Por: Cho Do Guri
In:http://www.folha8news.com/ardina_ultimas.aspx?ardina_cmd=ver&ardina_topico=CRONICA&ardina_viewer=html&ardina_edicao=826&ardina_id=24&ardina_titulo=Saudades%20da%20educação%20de%20outrora&ardina_area=SEMANAL

4 comentários:

Belgiumtugadois disse...

Gostei de ler este texto tal como, afinal, uma grande parte dos que este blog dá vida.

Anónimo disse...

Kassumuna,

Deseje-vos um feliz natal com muita paz, saude e alegrias, que 2007 traga novas perspectivas.
Ao dono desta blog propunha-lhe que fecha-se porque näo esta em condições de levar avante os propositos de uma blog . Esta blog esta caduca, velha, ultrapassada no tempo e no espaço. Peço licença para descordar totalmente, na minha opinião o dono desta blog não esta preparado tão pouco em altura para o desafio que se impoem numa blog, reparem a desactualização dos contextos desta blog visivelmente aos escombros textos e temas sem fundamentos. Sinceramente! Desista deste desafio meu irmao. Que rediculo!
Tenho Dito E mais não digo!
Kassumuna e Brigadeiro 10 Pacotes

cláudia disse...

O tipo que escreveu isso aí em cima não é bom da cabeça! Ele não sabe que qualquer pessoa pode fazer um blog. Crianças de 4 anos têm blogs! Os blogs são páginas pessoais cujo os criadores podem escrever o que quiserem, desde as férias de Verão passadas às leis da física. Quem não quiser ler não lê. O mais interessante dos blogs é que são completamente grátis, ou seja ao contrário de muitas "grandes" pessoas não roubam ninguém.
Quanto aos temas postados, os mais sinceros parabéns! É uma boa maneira, de quem não mora em Angola, saber como estão e como são as coisas em Angola!
Um abraço!

Anónimo disse...

SANSAKROMA SEM FRONTEIRA...
CONTADORES DE HISTÓRIAS
JULIO E DÉBORA D'ZAMBÊ
www.sansakroma.com
Professores,Escritores,Músicos e Contadores de Histórias.
O nosso Livro "NZUÁ eo ARCO-ÍRIS conta a história de um menino de Angola que vê nas core do Arco-Íris a PAZ no mundo.