sexta-feira, janeiro 13

Do livro “Another day of Life”

Este post foi enviado por email, e o leitor que assina com a letra "K" diz o seguinte:
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Gostaria de partilhar um excerto de um livro muito interessante escrito por um jornalista polaco que esteve em Angola na altura da Dipanda*. Aconselho fortemente a lerem. Este excerto não reflecte o carácter do livro mas da para ter a percepção de uma opinião estrangeira e independente sobre o nosso país.

“For several centuries Portugal directed its best elements to Brasil, its worth to Angola. Angola was a penal colony, the place of deportation for all manner of criminals and outcasts, for all those on society’s fringe. In old Lisbon, Angola was referred to as the país dos degradados, the country of the deported, the expelled, the finished. The low quality of Angola’s colonists helped Angola become one of the most backward of African countries.”
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*Independência
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Do livro “Another day of Life”
de: Ryszard Kapuscinski.

8 comentários:

Silvio Vasconcellos disse...

Já li o mesmo sobre a Austrália...

MN disse...

É verdade que no tempo colonial Portugal enviou para Angola os piores e direccionava a “nata” para o Brasil, mas de que adiantou se estamos quase no mesmo barco? Corrupção em todo lado! A pobreza das favelas ao lado dos muito ricos! Um índice de criminalidade que julgo ser muito maior do que o de Angola.

O problema de Angola está no Bureau Politico, a classe governativa que asfixia o povo usurpando as riquezas em benefício próprio e não tem nada haver com a herança genética do colono. O problema de Angola está na falta de instrução do povo iletrado que não sabe os seus direitos, e é todos os dias violentamente desprezado.

Brasil está neste momento “anos-luz” à frente de Angola, porque os tentáculos da Guerra-fria não se estenderam até lá! Brasil teve uma descolonização diferente de Angola! A origem genética do povo brasileiro também está ligada a Angola. Muitos Barcos-Negreiros partiam de Benguela – Angola com destino ao Brasil, penso que quase todas as famílias Afro-Brasileiras devem ter uma costela Angolana!

Infelizmente nunca visitei o Brasil mas sei, pelo que vejo e me contam, que é um país com paisagens maravilhosas, gastronomia muito boa, ritmos quentes, mulheres lindas (em tudo igual a Angola). Aproveito a ocasião para saudar todos os nossos leitores brasileiros.

Anónimo disse...

Angola foi um dos maiores portos de exportacao de escravos (saindo do rio Kwanza), com um estimativa de 4 milhoes de angolanos levados para as Americas. Esse eh numero eh gigantesco comparando com a populacao portuguesa que no auge do Imperio Portugues tinha cerca de 1 milhao de pessoas. Portanto a America, tem sim uma grande heranca genetica angolana. So eram escolhidos os mais fortes. Destes levados, tinham ainda que passar pela prova da grande travessia onde morriam milhares, so sobrando mesmo os mais fortes. Isso pode nos levar a uma teoria que explica que os afro-americanos tenham uma capacidade atletica muito superior aos seus irmaos africanos baseando na teoria de Darwin da seleccao natural, neste caso em termos geneticos; os genes mais fortes prevaleceram.

O problema de Angola nao tem haver com a heranca genetica dos angolanos em geral mas do problema da guerra (41 anos eh muito tempo!), desentendimento interno e intereces externos que levou a destruicao, corrupcao e desigualdade social.

Anónimo disse...

O passado tem um peso significativo mas não determinativo. Claro que se a população de Angola tivesse uma escolaridade significativa a quando da independência, certamente o curso da história seria outro. Em terra de cegos quem tem olho é rei e isso aconteceu sempre em Angola, antes e depois da Independência. Mesmo com os chamados brancos e pretos. O estado fascista gostava de enviar brancos iletrados para colonizar as entranhas de Angola em nome da Pátria e de Deus. Fazia-lhes sentir que pelo simples facto de serem brancos eram superiores...mas inferiores a todos que na metrópole viviam em berço de oiro! Os pretos, esses eram sempre inferiores e se estudassem e pensassem em ser gente eram turras! Isto dá para muita conversa...mas hoje está-se com tiques iguais...já não há pretos e brancos, já não há metrópole, mas continua a exclusão social, económica, cultural, escolar e Angola com milhares de pobres e meia dúzia de ricos muito ricos que estão a construir futuros fora dae Angola, na Europa e nas Américas, que têm os seus filhos a viver e a estudar nas grandes cidades europeias e nas suas universidades para em nome da Pátria e do Deus um dia continuarem a manter milhares de pobres, muitos pobres fora da escola, da saúde, da habitação, do emprego justo com ordenado justo... e da felicidade de serem gente de corpo e alma!

Anónimo disse...

Concordo com o comentario anterior plenamente. Deixou de haver a questao de branco e preto mas sim de angolanos pobres e ricos, os controladores e os controlados. Mas como eh logico e como ja aconteceu na Europa na idade media com a Inquisicao e depois na Segunda Guerra, ha uma caca as bruxas que como eh logico paga sempre a minoria, na Europa foram os judeus e em Angola foram os zairenses e agora os mais claros. Quando ha miseria, ha sempre necessidade de encontrar alguem pra culpar, sempre foi assim e assim continuara a ser. Eh um parelelo de dimensao completamente diferente, mas em Angola eh um facto q se sente e que esta presente, basta sair a rua ou ler comentarios de noticias em certas paginas angolanas. O espirito patriotico que se vivia na altura da independencia, em que acima de tudo se era angolano, deixa de existir hoje com uma segregacao muito grande. Como eh logico, pra se construir um pais ou uma sociedade de jeito em Angola tem q haver uniao nacional e participacao de todos.

Ombaka disse...

Antes de expressar a minha opinião a propósito deste trecho do Livro do Sr. Ryszard Kapuscinski, gostaria de fazer uns alertas. Primeiro e mais importante que tudo, para a conjuntura internacional a quando da independência de Angola, realidade internacional marcada pela divisão do mundo em duas partes antagónicas que se opunham, e arrastavam a traz de si apoios e seguidores em todo mundo, situação essa, que para Historia ficou conhecida por Guerra – Fria. O segundo alerta é o dever de análise critica das fontes de informação, sem o qual não podemos alcançar o cabal esclarecimento da realidade. Feitos esses alertas, devo dizer que, em minha opinião, o autor foi tendencioso, tudo porque, não fez a analise critica necessária da realidade de Angola no momento da independência, mas sim difundiu falsidades que só se explicam pela luta ideológica e de visão do mundo que se vivia nessa altura, e da qual ele era parte integrante por um dos contendores.
É verdade que nos primeiros momentos da colonização, Portugal mandava para o território que hoje é Angola pessoas não muito recomendáveis”os desterrados”como por ex. Delinquentes. Mas essa não era a realidade de Angola no II quarto do século XX, que só por demagogia politica se pode afirmar tal coisa. Também não acho que o actual estado da situação de Angola (subdesenvolvimento) tenha uma explicação genética ou cultural. É verdade que o Homem faz muito daquilo que vê, mas é um ser racional pelo que, se supera, tem essa capacidade. O subdesenvolvimento tem antes muitas causas, quer endógenas (como a falta de boa governação e falta de patriotismo das elites governantes), quer exógenas (como a dificuldade de acesso aos mercados internacionais de produtos dos países subdesenvolvidos).

fazeco disse...

Parabéns Ombaka ... claro e preciso ... sobretudo pelos alertas e pela referência á "demagogia politica" tão exacerbada, que infelizmente muitos "caros compatriotas" usam de forma tão "eloquente" ... fazem muita falta opiniões como a tua refletida observação.

Anónimo disse...

Estou grato em saber ler e escrever, pelomenos conssigo entender a realidade dos acontecimentos de Angola, desde os anos 1975 até a data presente. O lamentavél é que 85% da nossa população é analfabeta, e incapz de saber na realidade oque lhes faz mal e quem os faz mal.

Obrigado a todos quanto tem feito o seu máximo esforço de levar a realidade Angolana o mais longe possível através deste meio eletronico.
Sempre em Rotterdão..Holanda